16/11/2006 10h37 – Atualizado em 16/11/2006 10h37

G1.com.br

Os familiares das 154 vítimas do choque entre o jato Legacy e o Boeing da Gol ocorrido em 29 de setembro serão os primeiros a receber cópia do relatório preliminar do acidente. Na manhã desta quinta-feira (16), o representante da Associação dos Familiares e Colaboradores dos Passageiros do vôo 1907, Jorge André Fernandes Cavalcante, se reúne com o coronel Rufino Ferreira, chefe do Centro de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e coordenador da comissão de investigação. À tarde, o militar dará entrevista para apresentar os primeiros resultados. “Estou muito curioso e ansioso. Vai ser o primeiro momento em que vamos ter contato com o que de fato aconteceu”, disse Cavalcante. O representante das famílias afirmou que os advogados não podem nem pretendem utilizar o relatório preliminar como peça acusatória nos tribunais. “Nosso objetivo é o mesmo das autoridades aeronáuticas: descobrir o que aconteceu para evitar que essa tragédia se repita. Mesmo porque os processos que estão sendo movidos nos Estados Unidos não dependem disso”, afirmou ele. Nessa fase, o documento não apontará responsáveis pelo acidente. Mas mostrará que uma somatória de diversos fatores contribuiu decisivamente para a maior tragédia da aviação civil do País. Divididos em três grupos, os investigadores apuraram fatores operacionais, materiais e também humanos que pudessem levar ao choque entre as duas aeronaves. O relatório irá destacar, entre outras coisas, o descumprimento do plano de vôo por parte dos pilotos americanos do Legacy, a inexistência de sombras na rede de comunicação via rádio e de radares, além de traçar um perfil sobre o formação dos pilotos dos aviões e dos controladores de vôo envolvidos no caso. Os dados extraídos das caixas-pretas e os diálogos gravados pelos centros de controle do tráfego aéreo de Brasília (Cindacta-1) e Manaus (Cindacta-4) deverão permanecer sob sigilo. Como essas informações ainda estão sendo interpretadas, o Comando da Aeronáutica optou por tornar público apenas os registros concretos, que não podem ser contestados. O relatório final do acidente ainda não tem data para ser emitido, mas a previsão é de que fique pronto no próximo ano.

Comentários