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sábado, 13 de agosto, 2022
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Feminicídio, estupro e violência doméstica: centenas de mulheres são vítimas em Três Lagoas

Nos sete primeiros meses de 2022 o Estado já soma 863 estupros, sendo 37 deles, no município de Três Lagoas

Uma triste estatística mostra que Três Lagoas tem altos índices de crimes contra as mulheres. Diariamente as vítimas procuram a polícia para relarem estupros, violência física, psicológica e tragicamente algumas não conseguiram denunciar, já que foram assassinadas por seus companheiros.

Conforme a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), nos sete primeiros meses de 2020, o Estado registrou 19 feminicídios. No mesmo período daquele ano, a cidade de Três Lagoas não havia registrado assassinatos de mulheres, mas o quadro mudou drasticamente no ano seguinte.

Ainda segundo a Secretaria, nos sete primeiros meses de 2021, Mato Grosso do Sul teve 20 mulheres mortas nas mãos dos seus parceiros, sendo 3 desses casos em Três Lagoas. Em 2022, o número no Estado pulou para 24, sendo dois deles, na cidade.

Os crimes de estupros também seguem um alto índice. Mensalmente, ainda conforme os dados da Sejusp, mais de 100 mulheres são estupradas em Mato Grosso do Sul. Nos sete primeiros meses de 2020, foram 1.122 casos de estupros, sendo 52 deles em Três Lagoas.

De janeiro a julho de 2021, 1.060 mulheres foram estupradas em MS. No mesmo período do ano passado Três Lagoas registrou 51 casos de estupros.

Nos sete primeiros meses de 2022 o Estado já soma 863 estupros, sendo 37 deles, no município de Três Lagoas.

Os números de violência doméstica são os mais altos. Se somarmos os sete primeiros meses de 2020, 2021 e 2022, Mato Grosso do Sul registrou mais de 30 mil casos, sendo 10.522 só neste ano.

Ainda sobre o crime de violência doméstica, conforme a Sejusp, nos sete primeiros meses de 2020, Três Lagoas teve 547 casos. No ano seguinte foram 554 e de janeiro a julho deste ano, o município já soma 509.

PARE DE NOS MATAR

 Rozana de Oliveira Gomes Assunção é graduada em Direito pela AEMS (Associação de Ensino e Cultura de Mato Grosso do Sul – Faculdades Integradas), pós- graduada em processo penal pela LFG e pós- graduanda em direito das mulheres pela instituição de ensino Uni Dom Bosco.

Atuante há 4 anos no Direito das Mulheres, Rozana ministra palestras sobre o tema, através de convites feitos por diretores de escolas, secretários municipais de Três Lagoas, etc. A advogada destaca que quando é procurada pelas vítimas, ela sempre tenta ajudar juridicamente.

“Acompanho desde as denúncias até as condenações. Faço trabalho preventivo que são as palestras, o que tem um resultado positivo, pois já conseguimos salvar muitas vidas. Centenas de mulheres sofrem agressões todos os dias no Brasil”, ressalta.

A advogada também explica que é preciso entender como funciona o ciclo da violência.

“A mulher que vive o ciclo da violência enfrenta momentos de agressividade do parceiro, caracterizados por ofensas verbais, controle e críticas, seguidos de agressões físicas, como tapas, socos e empurrões, até a chegada da fase da calmaria, em que o agressor pede desculpas, implora por perdão e promete que aquilo não irá se repetir. A vítima de violência pode ficar presa nesse ciclo durante anos até tomar consciência da sua situação”.

Por ter participação direta na vida de vítimas de violência doméstica, apesar dos momentos difíceis, a advogada também já presenciou muitas transformações de mulheres que conseguiram ficar livres dos seus agressores.

“Tudo que nós mulheres queremos é que parem de nos matar! Quando a mulher aciona o sistema de justiça, ela mostra para o ofensor o seu descontentamento e que ela vai buscar proteção. Realizo e já realizei centenas de trabalho em casos de violência doméstica, graças a Deus na sua maioria com finais felizes, que é a vítima viva e o agressor pagando pelo que ele fez”, disse.

NÃO ESPERE PARA DENUNCIAR

A titular da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) Letícia Mobis Alves, faz um alerta para as mulheres e pede para que as vítimas não demorem para acionar a polícia quando sofrerem qualquer tipo de violência.

“O ciclo de violência começa de forma verbal e depois acaba virando física. As mulheres não podem deixar de denunciar logo nos primeiros sinais. Elas precisam procurar a polícia para não serem vítimas de um feminicídio”, alerta a delegada.

Ainda conforme Letícia, as mulheres que foram vítimas de qualquer tipo de violência podem procurar a Deam no horário comercial de segunda a sexta-feira. Aos finais de semana, a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) de Três Lagoas atende as ocorrências.

Se a ocorrência pode resultar numa prisão em flagrante, ou seja, se ela estiver acontecendo no momento, a PM (Polícia Militar) pode ser acionada para ir ao local. Além da Deam, a cidade também tem o Centro de Referência de Atendimento à Mulher, o qual presta serviços às mulheres que se sentirem vítimas de todo o tipo de violência doméstica e familiar.

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