23/04/2013 11h12 – Atualizado em 23/04/2013 11h12

Fibria registra crescimento de 14% em receita líquida com mercado aquecido e alta do preço da celulose

Da Redação

A demanda global por celulose manteve-se aquecida no primeiro trimestre deste ano, abrindo espaço para a implementação de dois novos aumentos de preços, anunciados para janeiro e março. Aliada à valorização de 13% do dólar frente ao real na comparação com março do ano passado, a recuperação do preço da celulose, verificada ao longo dos últimos 12 meses, levou à alta de 26% no preço médio líquido de celulose em reais no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2012. Esse cenário favorável contribuiu para que a Fibria obtivesse receita líquida de R$ 1,45 bilhão de janeiro a março deste ano, com crescimento de 14% ante igual intervalo do ano passado.

Nos três primeiros meses de 2013, a Fibria registrou Ebitda ajustado de R$ 565 milhões, com expansão de 50% em relação ao montante verificado um ano antes, também explicada pela elevação no preço da celulose. A margem Ebitda da companhia avançou nove pontos percentuais na comparação ano contra ano, atingindo 39% de janeiro a março de 2013.

No primeiro trimestre deste ano, a Fibria manteve o foco na estratégia de redução do endividamento e geração de fluxo de caixa livre. A combinação entre o crescimento do Ebitda e a redução da dívida líquida da Fibria para o menor nível desde a criação da companhia (R$ 7,52 bilhões) fez com que a alavancagem da Fibria, medida pela relação dívida líquida/Ebitda em reais, caísse para 3,1 vezes nos três primeiros meses deste ano, contra 5,2 vezes um ano antes e 3,4 vezes no quarto trimestre de 2012. Já o fluxo de caixa livre da Fibria ficou em R$ 167 milhões no primeiro trimestre deste ano, acumulando R$ 782 milhões no período de 12 meses encerrado em 31 de março.

De janeiro a março de 2013, a Fibria realizou paradas programadas para manutenção na Unidade Veracel e na fábrica C da Unidade Aracruz – ambas ocorreram dentro do planejamento anual e do orçamento da companhia, sendo concluídas com sucesso. Como resultado, a produção de celulose totalizou 1,26 milhão de toneladas nos três primeiros meses deste ano, volume 5% inferior ao do mesmo período de 2012, quando não houve parada na linha C de Aracruz. Por conta da redução na produção, as vendas da Fibria no primeiro trimestre de 2013 recuaram 10% na comparação ano contra ano, somando 1,19 milhão de toneladas de celulose.

As paradas programadas para manutenção também tiveram impacto sobre o custo caixa, que ficou em R$ 507 por tonelada no primeiro trimestre deste ano, valor 11% superior ao de igual período de 2012. Excluindo esse efeito, o custo caixa foi de R$ 463 por tonelada, o que indica um crescimento de 4% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. A alta é inferior à inflação dos últimos 12 meses, de 6,6% pelo IPCA.

A companhia registrou lucro líquido de R$ 24 milhões no primeiro trimestre deste ano, ante um prejuízo de R$ 10 milhões em igual período de 2012. O resultado superior é explicado em boa parte pelo melhor desempenho operacional de janeiro a março de 2013, decorrente do maior preço da celulose em reais no período.

Nos próximos meses, alguns fatores devem manter os fundamentos de mercado favoráveis. Apesar dos volumes disponibilizados por conta da entrada de novas capacidades nos últimos meses, a oferta de celulose tende a ficar restrita devido a fechamentos de fábricas de celulose de mercado, conversões de capacidades para celulose solúvel e integração de produção de celulose de mercado a máquinas de papel. A estimativa é que aproximadamente 900 mil toneladas de celulose de fibra curta saiam do mercado ao longo deste ano por conta de eventos como esses.

Além disso, no ano passado entraram em operação na China cerca de 2,5 milhões de toneladas de novas capacidades de papel sanitário e imprimir e escrever, o que vem gradativamente gerando demanda adicional de celulose de mercado em 2013. E a estimativa é que mais 1,1 milhão de toneladas de capacidade de papel tissue sejam adicionadas ao mercado chinês este ano.

Fatores como esses apoiam a expectativa de uma relação positiva entre oferta e demanda que propiciará, durante os próximos meses, um ambiente de negócios mais estável do que o previsto anteriormente pelo mercado.

CLASSIFICAÇÃO DE RISCO

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) elevou, em 15 de março, o rating da Fibria de BB para BB+, com perspectiva estável, colocando a companhia a apenas um degrau do investment grade (BBB-). Em comunicado, a S&P indicou que a mudança na nota da Fibria reflete a expectativa da agência em relação à continuidade na trajetória de redução do endividamento da companhia em 2013 e 2014. Já a Fitch Ratings alterou a perspectiva do rating da Fibria de BB+/estável para BB+/positiva.

SUSTENTABILIDADE

A Fibria lançou em março o seu Relatório GRI 2012, que segue as Diretrizes para Relatórios de Sustentabilidade da Global Reporting Initiative (GRI), versão 3.1. Resultado do trabalho de mais de 200 profissionais de diferentes áreas, o Relatório GRI apresenta o desempenho da empresa nas áreas de governança, econômica e financeira e de responsabilidade socioambiental.

(*)Com informações de Assecom Fibria

Nos três primeiros meses de 2013, a Fibria registrou Ebitda ajustado de R$ 565 milhões (Foto: Arquivo)

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