05/06/2015 09h03 – Atualizado em 05/06/2015 09h03

O presidente da Fiems, Sérgio Longen, criticou duramente, nesta quarta-feira (03/06), o sexto aumento seguido da taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central

Assessoria

O presidente da Fiems, Sérgio Longen, criticou duramente, nesta quarta-feira (03/06), o sexto aumento seguido da taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que elevou a Selic, em 0,5 ponto percentual, para 13,75% ao ano, retornando ao nível de janeiro de 2009.

“No início, a trajetória de alta da taxa básica dos juros era esperada pelo setor industrial do Estado como principal medida do Governo Federal para conter a inflação, mas, na condição atual da economia nacional, a medida, ao invés de matar, está fortalecendo o monstro da inflação”, analisou.

Ele reforça que essa situação de aumentos constantes dos juros praticamente proíbe os investimentos por se tratar de uma taxa fora dos padrões aceitáveis em nível mundial. “O Brasil, novamente, caminha na direção contrária do resto do mundo.

As reuniões mensais do Copom já são fonte constante de preocupação do setor produtivo. Nós não concordamos com esse aumento da taxa de juros, a nossa posição era de que o Governo pelo menos mantivesse a taxa antiga, que já é altíssima, e não elevar novamente os juros e, dessa forma, fazer a inflação disparar ainda mais”, pontuou.

Sérgio Longen destaca que hoje o empresário tem de lidar com o descontrole do dólar, da inflação, dos juros e das contas do Governo Federal. “Vivemos um descompasso completo da economia nacional. Na avaliação do setor industrial, o grande mal é a decisão do Governo de aumentar impostos para cobrir as próprias despesas que estão descontroladas. Para fazer o equilíbrio monetário, ele acaba cortando os investimentos, o que prejudica ainda mais a economia”, afirmou.

O presidente da Fiems aconselha o Governo Federal a cortar, imediatamente, o custeio da máquina pública. “A produção está dando sinais claros que não está aguentando mais o arrocho do Governo. Com exceção do agronegócio, há uma crise em todos os setores produtivos, que estão navegando com dificuldades, demonstrando claramente que não dá mais. O remédio receitado pelo Governo está muito amargo e, ao invés de curar, vai matar o paciente”, avisou.

ANÁLISE DO RADAR

De acordo com o Radar Industrial da Fiems, a inflação, medida pelo IPCA (Índice Preços ao Consumidor Amplo), deve chegar a 8,39%, em 2015. Essa projeção sobe há sete semanas seguidas, reforçando a percepção que o aumento de hoje também pode vir acompanhado de mais um na próxima reunião no fim de julho, este de 0,25 ponto, o que levaria a Selic para 14% até o fim do ano.

Dentro do Banco Central, a avaliação é que a instituição não tem condições de flexibilizar sua política monetária neste momento para não perder a batalha de expectativas.

Contudo, o novo aumento dos juros básicos da economia acontece em um momento complicado, com a economia ainda se ressentindo de um baixo nível de atividade, mas com a inflação fortemente pressionada pelo aumento de tarifas públicas, como energia elétrica e gasolina, e também pela disparada do dólar. Embora possa ajudar no controle dos preços, o aumento da taxa Selic prejudica a economia, que atravessa um ano de recessão, com queda na produção e no consumo.

A decisão de aumentar a taxa Selic pela sexta vez consecutiva é incompatível com o quadro de recessão da economia brasileira. O alinhamento entre as políticas fiscal e monetária é fundamental para o controle da inflação, pois contribuiria para abreviar o ciclo atual de elevação das taxas de juros.

No entanto, um ajuste fiscal como o que temos até agora, feito por meio de aumento da carga tributária e corte dos investimentos públicos, não só é nocivo ao crescimento no longo prazo como também não parece ser viável na atual conjuntura econômica e política.

(*) FIEMS

Presidente da FIEMS Sérgio Longen criticou duramente, nesta quarta-feira (03/06), o sexto aumento seguido da taxa básica de juros. (Foto: Assessoria)

Longen reforça que essa situação de aumentos constantes dos juros praticamente proíbe os investimentos por se tratar de uma taxa fora dos padrões aceitáveis em nível mundial. (Foto: Assessoria)

Comentários