23/06/2019 09h59

Clima seco é fator preocupante; quem provocar incêndio em mata ou floresta pode ter como pena a reclusão, de dois a quatro anos

Correio do Estado

O monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aponta que entre janeiro e junho deste ano, foram contabilizados 1.450 focos de incêndio em Mato Grosso do Sul. O número representa mais de 60% do total registrado no ano passado, 2.380.

Em todo país, foram identificados 132.872 focos em 2018 e no primeiro semestre deste ano, foram identificados 22.682 focos. Com relação ao Bioma, no Cerrado brasileiro foram computados 39.449 ocorrências, contra 1.691 no Pantanal. Em 2019, os números para o cerrado são 7.892 nos primeiros seis meses e no pantanal, 894.

CONSCIENTIZAÇÃO

Em Mato Grosso do Sul, a Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore/MS), realiza há sete edições, a Campanha de Prevenção e Combate a Incêndios, com objetivo de conscientizar as populações rurais e urbanas.

Mais de 70% das causas de incêndio são provocadas pelo homem, segundo levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A partir dessa informação, a campanha de 2019 da Reflore/MS foi chamada de “Queimar é crime”, de acordo com a Lei 9.605/98, voltada para crimes ambientais.

Conforme o artigo 41 da Lei quem provocar incêndio em mata ou floresta pode ter como pena a reclusão, de dois a quatro anos, e multa. E, em caso de crime culposo, a pena é de detenção de seis meses a um ano, e multa.

Na avaliação do presidente da associação, Moacir Reis, a melhor forma de mudar os hábitos da população é compartilhar informações por palestras, treinamentos, panfletagens, entre outras ações educativas.

“Queimar é crime e quem provoca incêndio pode ser punido por essa atitude. Nosso principal objetivo é criar a cultura da prevenção, mostrar para a população o quanto os incêndios podem trazer prejuízos sociais, ambientais e econômicos e, o que nós podemos fazer para evitar e combater tudo isso”, explica.

A campanha realizará uma série de ações que vão até outubro, em razão do período seco do inverno sul-mato-grossense. Estão programadas palestras educativas em escolas rurais e urbanas na costa leste do Estado.

“As crianças representam o nosso futuro, elas são agentes multiplicadores de informações, por isso conscientizá-las desde cedo é importante para “plantar a semente” da cultura da prevenção. Para se ter uma ideia, em 2018 nossos associados estiveram em cerca de 40 colégios da região”, acrescenta Reis.

Outra ação é a realização do treinamento SCI – Sistema de Comando de Incidentes, por uma parceria entre o Corpo de Bombeiros e o Senar/MS. A capacitação almeja preparar os profissionais das empresas associadas a Reflore/MS para lidarem com situações de risco, relacionadas a incêndios florestais. No ano passado 80 pessoas foram capacitadas.

PREVENÇÃO E CUIDADO

Qual o nosso papel diante deste cenário? O que podemos fazer para prevenir os incêndios? Para começar devemos deixar para trás algumas atitudes e hábitos que ainda praticamos.

Algumas dicas: não ateie fogo no lixo, não acenda fogueiras próximo das matas, ao trafegar pelas rodovias não jogue lixo para fora do veículo (em contato com o sol esses materiais podem originar incêndios) e, frequentemente faça manutenção em caminhões, máquinas e tratores (quando desregulados os veículos podem soltar faíscas pelo escapamento).

Focos de incêndio no Pantanal de Corumbá - Foto: Arquivo Correio do Estado

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