08/09/2017 09h32

Medidas cautelares incluem busca e apreensão e foram cumpridas na manhã desta sexta-feira(8), em Salvador

Redação

O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi preso de forma preventiva na manhã desta sexta-feira (8), em cumprimento a ordem judicial concedida no âmbito da Força Tarefa da Greenfield. Também foi detido Gustavo Pedreira Couto Ferraz, apontado como uma pessoa próxima a Geddel e cujas digitais foram identificadas na superfície dos sacos plásticos que envolviam as cédulas de dinheiro apreendidas na Operação Tesouro Perdido. A Operação foi deflagrada na última terça-feira (5) e, na oportunidade, foram apreendidos R$ 42,6 milhões e US$ 2,6 milhões em caixas e malas que estavam em um apartamento que, de acordo com as investigações preliminares, havia sido emprestado a Geddel. Além das prisões, nesta sexta-feira, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao político, um, deles é a residência da mãe do ex-ministro.

O pedido para a execução das medidas cautelares foi apresentado à Justiça pelo Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal (PF) na quarta-feira (6) e tem como propósitos preservar a ordem pública e impedir a destruição de provas bem como a prática de novos crimes. Investigado desde o ano passado na Operação Cui Bono, que apura desvios de recursos em vice-presidências da Caixa Econômica Federal (CEF), Geddel, estava em prisão domiciliar desde o mês de julho, após decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Entre 2011 e 2013, o político baiano ocupou a Vice-presidente de Pessoa Jurídica da CEF.

AUTORIZAÇÃO

A autorização para as prisões e demais medidas foi dada pelo juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara, em Brasília. O objetivo dos investigadores é recolher novas provas da prática de crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Na petição enviada à Justiça, o MPF cita provas de que o político era o responsável pelo dinheiro apreendido há três dias. Exames periciais confirmaram as digitais do político nas cédulas encontradas. Além disso, duas testemunhas – uma delas, o dono do imóvel – confirmaram à polícia que Geddel usava o apartamento emprestado, a pretexto de guardar pertences do pai que morreu no ano passado.

Outro ponto mencionado na petição é o fato de que a descoberta do dinheiro na Operação Tesouro Perdido reforça informações dadas em depoimento pelo doleiro Lúcio Funaro e pelo empresário Joesley Batista. Os dois afirmaram que, assim como Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, Geddel Vieira solicitava vantagens indevidas de empresas que buscavam empréstimos junto à CEF. Disseram ainda que a propina era paga por meio das empresas de Lúcio Funaro, inclusive, em espécie. O próprio Funaro relatou pagamentos da ordem de R$ 20 milhões.

A PRISÃO

Ao defender a necessidade de que Geddel fique preso de forma preventiva, e não mais em regime domiciliar, o MPF reitera que se trata de um “criminoso habitual”, que continua praticando crimes, já que lavagem (ocultação) de dinheiro é delito permanente, e que, em casa, mesmo detido, ele poderia – como efetivamente o fez – manter contatos com outros envolvidos nos crimes. Frisa ainda que, o primeiro pedido – analisado no início de julho pela Justiça Federal – teve como fundamento a constatação de que ele tentava obstruir as investigações. Na época, o objetivo de Geddel era evitar que o doleiro Lúcio Funaro firmasse acordo de colaboração com o MPF. Pelo fato, o ex-ministro já foi denunciado em ação penal ,em tramitação na 10ª Vara Federal, em Brasília.

(*) Ministério Público Federal

Leia na integra o pedido da prisão


O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi preso de forma preventiva (Foto/Divulgação)

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