09/03/2016 17h04 – Atualizado em 09/03/2016 17h04

O vazamento, provavelmente proveniente de um gasoduto da MSGÁS, foi causado por operações de rotinas nas redes de distribuições da empresa. Morado relatou o acontecido em sua rede social

Daniela Silis e Ricardo Ojeda

A reportagem do Perfil News foi procurada na noite de ontem, terça-feira (8), pela assistente social Thaís Felício Dias, 27, para relatar um problema com mau cheiro que tomou conta do ambiente em que ela mora. Segundo Thaís, o odor era tão forte que fez com que todos da casa dela passassem mal, inclusive a caçula da família, que teve que ser levada para o hospital, onde passou a tarde em um balão de oxigênio.

De acordo com informações extraoficiais, o odor era provavelmente proveniente de um gasoduto que está sendo construído pela empresa MSGÁS, um ramal de 40 km que leva gás de Três Lagoas até a fábrica da Eldorado Brasil. Segundo Thaís, foi sentido o cheiro em três momentos do dia: às 14h, 16h30 e às 22h. De início, as suspeitas eram de que o vazamento pertencia à fábrica de celulose da Eldorado Brasil que, ao ser constatada, disse não haver nenhuma ocorrência nesse sentido.

Em contato telefônico, o engenheiro, Carlos Alberto, gerente de operações da MSGÁS, negou que houvesse qualquer tipo de vazamentos e afirmou que não foi recebido nenhuma reclamação no 0800 da empresa. “Constantemente nós estamos fazendo operações rotineiras nas nossas redes de distribuição. Os bombeiros e todos esses órgãos são informados”, afirmou o gerente de operações.

Ao entrar em contato com o Corpo de Bombeiros de Três Lagoas, foi informado que uma engenheira de segurança da MSGÁS, Maria da Glória, comunicou que estava sendo feita uma manutenção no ramal e que poderia sim haver um vazamento, mas dentro do limite tolerável. “Esse gás tem que cheirar, é adicionado uma substância para que ele tenha cheiro, e seria perceptível, mas dentro do limite tolerável, e que não prejudicaria a saúde de ninguém”, informou o subcomandante da Guarnição do Corpo de Bombeiros de Três Lagoas, Major Arruda.

INTOXICAÇÃO

No entanto não foi isso que aconteceu. Na casa de Thaís Felício Dias, no residencial Recanto das Palmeiras, o odor foi tão forte que fez com que todos os seis integrantes da família passassem mal. A assistente social fez um relato em sua página do Facebook com as consequências vividas em sua casa por causa do gás:

“Hoje, oito de Março de 2016, foi realmente um dia atípico! Comemorar o dia Internacional da mulher é algo ao qual já estamos acostumados, levando em consideração que a data é celebrada há anos. Era pra ser apenas festa, principalmente em uma casa como a minha, com cinco mulheres, mas não foi isso que aconteceu. Depois do almoço, um cheiro muito ruim (cheiro de gás), tomou conta do ambiente no qual residimos. Creio que outras pessoas de Três Lagoas também sentiram de onde estavam (não sei se todos), mas quanto às consequências, eu só sei as que, infelizmente, presenciei. […] comecei a vomitar e cheguei ao ponto de quase desmaiar, não conseguindo assim, pegar o carro para poder sair do condomínio, tendo que aguardar a vinda do meu pai para poder sair daqui. […]”, trecho da publicação de Thaís na rede social.

Daniela Maria Felício Dias, a irmã caçula de Thaís, teve que ser levada ao hospital CASSEMS, pois, ao sair para buscar materiais para a faculdade, passou mal e não conseguia nem ao menos dirigir. Os sintomas, vômito e tontura que não passavam, foram diagnosticados como intoxicação de gás inalado, o que fez com que ela passasse a tarde toda em um balão de oxigênio. Não foi apenas Daniela que sentiu os sintomas, todos de sua família sentiram as tonturas e dores de cabeça, além de uma funcionária do residencial que, segundo Thaís, sofreu princípio de desmaio.

REGISTRO

A reportagem pediu que a assistente social viesse até a redação do Perfil News para que a denúncia fosse feita formalmente, onde foi encaminhada até o Corpo de Bombeiros, acompanhada por uma equipe do site, para registrar o acontecido. O Subcomandante Major Arruda ainda informou que mais três telefonemas foram recebidos na manhã de ontem de pessoas que estavam passando mal, devido a inalação desse cheiro, provavelmente de um gás, mas não tomou as devidas providências por não ter recebido mais manifestações.

“O conselho que a gente dá é que, mesmo que já tenha sido transportado para um pronto atendimento, é importante que se faça uma ligação e um registro conosco. Mas dois órgãos que cuida especificamente disso, inclusive a ponto de notificar e multar a empresa, é Secretaria Municipal do Meio Ambiente e a IMASUL, que são órgãos importantíssimos e que devem ser notificados”, aconselhou o Major.

Diante disso, a reportagem acompanhou Thaís até a sede do IMASUL para que fosse feito o registro do ocorrido para que as devidas providências fossem tomadas. No caminho de volta para a redação do Perfil News, por volta das 10h de hoje (9), a mãe da assistente social ligou no celular dela e informou que o mau cheiro havia voltado e que, por isso, ela novamente estava passando mal. Thaís pediu que a mãe fechasse bem a casa e informou que, saindo da redação, iria fazer um novo relato ao Corpo de Bombeiros por telefone.

No ramal do gasoduto, que leva gás para a Eldorado Brasil é de responsabilidade da MS Gás. Em vários pontos existem placas informando o perigo e o telefone para uma situação de emergência (Foto: Ricardo Ojeda)

Entrada do condomínio onde foi registrado forte odor de gás, tendo inclusive a necessidade de atendimento médico (Foto: RIcardo Ojeda)

Assistente social, Thaís Felício Dias, 27, procurou o Perfil News para relatar um problema com mau cheiro que tomou conta do ambiente em que ela mora (Foto: Daniela Silis)

A reportagem levou a denunciante ao Corpo de Bombeiros para relatar o mal estar que a família dela passou em decorrência do forte odor de gás (Foto: Daniela Silis)

Como mostram as fotos a reportagem acompanhou a denunciante ao IMASUL onde ela preencheu um formulário de denúncia elencando a situação que passou na tarde e na noite de terça-feira (Foto: Daniela Silis)

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