20/08/2014 09h12 – Atualizado em 20/08/2014 09h12

Pedido de socorro foi escrito no verso e entregue à funcionária de farmácia. Adolescente foi resgatada em casa, no bairro Guanandi, em Campo Grande

Da Redação

Uma adolescente de 17 anos usou uma receita médica para denunciar que era vítima de cárcere privado, em Campo Grande, junto com o filho, de cinco meses. Segundo a Polícia Civil, a garota fez o pedido de socorro no verso da receita e entregou o papel para uma funcionária da farmácia, que a atendeu. O suspeito do crime é um jardineiro, de 40 anos.

O caso aconteceu na noite de segunda-feira (18) e foi registrado pela polícia nesta terça-feira (18). A adolescente foi resgatada pela Polícia Militar (PM) em casa, no bairro Guanandi, região sul da cidade, horas depois da denúncia e está sob cuidados de familiares. O suspeito não foi encontrado na residência e até a publicação desta reportagem não havia sido preso, segundo a polícia.

De acordo com o delegado Paulo Sérgio Lauretto, adjunto da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), a adolescente foi comprar o medicamento acompanhada do suspeito e aproveitou a ocasião para pedir ajuda.

“Ontem essa adolescente foi até a farmácia junto com o investigado, seu companheiro, para comprar um medicamento. No verso desse bilhete ela escreveu um pedido de socorro dizendo que estava sendo mantida em cárcere privado e que estava sendo agredida fisicamente, e, tão logo que eles se retiraram do estabelecimento, a atendente chamou a PM”, explicou o delegado.

Segundo Lauretto, os policiais foram até o comércio e, ao analisar a receita médica, viram que havia sido prescrita por um médico do Centro Regional de Saúde do bairro Guanandi, que fica quase em frente à farmácia. Na unidade de saúde, através do nome da vítima, que constava na receita, os policiais encontraram o endereço da casa onde ela morava e foram até o local.

Na casa, os policiais encontraram a adolescente com um bebê recém-nascido, de 5 meses. “A história é tão absurda que no final das contas a vítima la foi levada por ele para a casa onde ele mora com a atual esposa. O que causa estranheza é isso. Que, mesmo sendo casado, ele levou essa adolescente para casa, onde ela era mantida nessa situação”, explicou Lauretto. A participação da esposa do suspeito será apurada no inquérito, segundo o delegado.

PORTÕES TRANCADOS

De acordo com o delegado, a vítima morava em uma edícula, nos fundos da residência onde o suspeito morava com a esposa e outros filhos.

“Pelo local que ela [vítima] nos indicou, e que nós estivemos, realmente é possível que tenha havido sim [cárcere privado] porque ela ficava em um compartimento localizado aos fundos do terreno em que ele é guarnecido por dois porta-cadeados que são fechados pelo lado de fora. Então, é muito coerente com a versão dela”, afirmou, dizendo ainda que segundo a vítima, o suspeito saia para trabalhar e a deixava trancada em casa com a criança.

Além do cárcere privado, o suspeito também será investigado pelos crimes de falsidade ideológica, já que, segundo a vítima, ele se apresentou com outro nome quando eles se conheceram, em junho de 2013.

(*)Com informação de G1 MS

Pedido foi escrito no verso de receita médica e entregue à farmacêutica (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)

No pedido de ajuda, vítima disse que era agredida pelo suspeito (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)

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