Novo hexatrem acopla seis semirreboques, não anda nas rodovias e circula apenas nas estradas internas da Suzano; projeto traz economia de combustível, menos emissão de CO2 e reduz o número de carretas de madeira nas estradas da cidade

Ele é gigante em todos os aspectos: são 120 pneus – quinze eixos com oito pneus cada. Transporta até 200 toneladas de troncos de madeira em uma única viagem, garantindo um ganho de produção de 53%. Tem 52m de comprimento – o tamanho exato para caber na balança.

Em um evento voltado à imprensa realizado hoje, 12, a Suzano apresentou detalhes do projeto Hexatrem.

Tratado como uma estratégia de logística única no mundo, o bitelo, que é um verdadeiro trem sobre rodas, não transita em rodovias, assim como o pentatrem.

Feito para andar nas estradas de terra no interior das fazendas, ele faz parte do plano de interligação das plantações de eucaliptos, de forma que o trânsito de caminhões no asfalto seja o menor possível.

Com a implantação do hexatrem a Suzano deixou de colocar nas estradas 35 tritrens por dia, diminuindo o trânsito de carretas nas estradas.

“Por que não incluir mais um?”

Os hexatrens são uma evolução dos pentatrens – que já foram uma revolução para a época em que foram criados, em 2017.

Carretas maiores eram uma uma necessidade com o aumento da demanda da segunda fábrica. Era necessário criar uma solução para o trânsito de caminhões, para a emissão de CO2 e o consumo de combustível. Assim, o tritrem evoluiu para o tetra/quadri e depois para o pentatrem.

Em evento voltado à imprensa os especialistas da Suzano apresentaram o projeto e seus desafios. Foto: Ricardo Ojeda

Foi quando veio a pergunta: “por que não incluir mais um reboque?”

O desafio nem era a força-motriz para puxar esse peso todo. Essa tarefa foi deixada na mão da Volvo, que apresentou um cavalo especialmente desenvolvido para a tarefa – com 540 cv de potência, torque de 2600 Nm e longarina dupla de fora a fora, chassis robustos e cardan super resistente.

Também não eram os reboques: desenvolvidos pela Facchini, venceram a dificuldade de levar a hidráulica do cavalo até o último dos carros, que fica praticamente 50 metros do cavalo.

O desafio real era a logística. Como são caminhões que não podem trafegar nas rodovias – sequer cruzá-las – era necessário construir interligações e ramais que conectassem as fazendas.

Um dos pontos críticos, entretanto, já havia sido solucionado com o pentatrem: em um ponto, onde era necessário atravessar a estrada, havia sido construído um túnel. “Se não dá para ir por cima, vamos por baixo”, pensaram os técnicos da empresa.

O túnel de quatro metros de largura, seis de profundidade e 22m de extensão, que passa por baixo da BR e interliga as áreas de plantio de eucalipto também era utilizável pelos hexatrens.

Depois de meses de análise de traçado, cálculos de curvas e imagens aéreas, em julho de 2019 começava a operar o hexatrem.

Investimento e economia

Mais de R$ 20 milhões foram investidos para a compra de 19 conjuntos de hexatrens. Desses, 12 já estão em operação. Até abril do ano que vem, a frota toda estará na rua.

Até o ano que vem os 19 conjuntos de hexatrens estarão nas ruas, proporcionando redução da emissão de CO2 e retirando dezenas de tritrens das rodovias que cortam Três Lagoas. Foto: Gisele Berto

A ideia é só crescer. Até o final do ano que vem, 28 hexatrens farão o transporte de madeira das fazendas para a fábrica, por estradas internas, sem incomodar o trânsito nas rodovias nem estragar o asfalto.

Os hexatrem também significam menos emissão de monóxido de carbono. Com menos caminhões rodando, a Suzano estima que a redução de emissão de CO2 seja de 600 toneladas para cada milhão de m³ transportados.

Especialização

Como os hexatrens vão retirar 35 tritrens das estradas todos os dias, havia uma preocupação social com a questão de emprego. Entretanto, segundo a Suzano, oitenta novos postos de trabalho foram abertos com o projeto.

Como a frota é toda própria, são necessárias pessoas para manutenção e para cuidar das operações logísticas do projeto. Além disso, motoristas vêm sendo treinados para os novos desafios.

Além da carteira de motorista E, para pilotar os hexatrens é necessário muito treino. Cerca de 70 motoristas estão, hoje, habilitados a conduzir os hexatrem. Eles passaram por cursos de cargas indivisíveis e por treinamentos especiais.

Por enquanto os treinamentos especializados são feitos internamente na Suzano, com o auxílio de profissionais da Volvo. No entanto, a partir do ano que vem o SEST SENAT deve promover esse tipo de curso para treinar e capacitar os profissionais.

Imersão e emoção

Durante o evento para a imprensa a Suzano deixou que os jornalistas presentes pilotassem o robusto hexatrem. Ao lado de um instrutor especializado, os profissionais da imprensa tiraram uns minutos para brincar de caminhãozinho – só que na versão adulto.

À primeira vista, o hexatrem é assustador. Os reboques vão até onde a vista alcança. Para quem nunca pilotou uma carreta, até subir para alcançar a direção é complicado.

No entanto, uma vez lá dentro, o conforto é notável. Uma poltrona que se ajusta ao corpo, volante com vários níveis de regulagem, painel equipado com multifunções, todas à mão.

A pilotagem é tranquila e suave. A frenagem é imediata. O hexatrem que pilotamos estava vazio, então sentia-se um pouco da trepidação da terra – mas a sensação deve sumir com o lastro da carga.

O esterçamento é surpreendente. É possível fazer curvas acentuadas com o cavalo que as carretas farão o mesmo traçado.

“Esse cavalo é muito forte”, comentou o instrutor ao meu lado. “Ele aguenta fácil com carga completa. Na verdade, ele aguentaria até mais dois reboques”, diz.

Agora, resta saber quando virão os hepta e octotrens. Já sabemos que a questão do cavalo já está resolvida. Falta só o traçado logístico.

Enquanto os técnicos pensam no assunto, a pergunta continua no ar: por que não incluir mais um?

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