16/03/2016 09h50 – Atualizado em 16/03/2016 09h50

Nos últimos meses o Brasil e alguns países voltaram seus olhos para o perigo trazido pelo mosquito Aedes Aegypti, causador da dengue, e agora potencializou, podendo provocar Chikungunya e Zika Vírus

Laryssa de Andrade e Ricardo Ojeda

Para debater essa situação e chegar uma conclusão foram realizados, debates, pesquisas e constataram que, é preciso impedir que o mosquito se multiplique. A forma de combatê-lo é fácil, acabar com possíveis criadouros, com água, onde a fêmea possa depositar seus ovos. Mas que esbarra em um péssimo costume da população, o de acumular lixo e entulhos em terrenos a céu aberto.

De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde, por meio de boletins semanais, a incidência de casos de dengue é muito preocupante. Em Três Lagoas os resultados mostram que no período de 28/02/16 a 05 de março foram registrados 610 casos na proporção de 109 mil habitantes, que coloca o município como cidade de “alta incidência de dengue”.

Esses dados são muitos preocupantes, porém não é preciso andar muito pela cidade para encontrar terrenos abandonados, formando verdadeiros matagais e depósitos de lixo cheio de recipientes à espera da próxima chuva, para virarem berçários de mosquito. A reportagem deu uma volta nos bairros e constatou vários locais que servem para abrigar as larvas do mosquito.

BAIRRO ALVORADA

Nas fotos abaixo um pequeno trecho da Rua Egídio Thomé, no Bairro Alvorada existem inúmeros exemplos de descuido por parte de proprietários, especuladores do mercado à espera da valorização de seus imóveis e da vizinhança sem conscientização sobre os problemas de morar perto do lixo.

O terreno que não recebe cuidados, enquanto o dono espera o melhor momento para vendas. Acaba sendo utilizado como depósito de lixo ou de sobras de materiais de construção, habitat perfeito para escorpiões

Rua Luís Correia da Silveira

É caso de um grande terreno em frente a um residencial e próximo à Clínica da Criança. Em outro trecho próximo a um hotel recentemente inaugurado, esquina com a Rua Luís Correia da Silveira, é possível notar que fogo é usado para conter o mato, outro crime ambiental.

Nesse mesmo local o lixo é frequentemente jogado no terreno. Também uma caixa para preparar massa de cimento forma um grande criadouro a céu aberto.

Rua Coronel João Gonçalves de Oliveira com Getúlio Garcia Marques

Na Rua Coronel João Gonçalves de Oliveira cruzamento com Getúlio Garcia Marques, no bairro Alvorada, vizinhos a providenciaram a limpeza do terreno onde, além do lixo, usuários de drogas frequentam o local impondo mais medo aos moradores da localidade.

Na Rua Getúlio Garcia Marques

Nas proximidades, outra situação traz muita preocupação à vizinhança. Na Rua Getúlio Garcia Marques, no bairro Alvorada existe um imóvel que é utilizado como depósito de lixo.

Essa situação tem trazido constantes transtornos a quem mora nas imediações. A reportagem do Perfil News, conversou com o morador do imóvel, um senhor de mais de 60 anos. Ele disse que recolhe lixo e materiais para reciclagem, percorrendo alguns bairros com a sua bicicleta. Ele vive no local ao meio dos entulhos que serve como sua principal fonte de renda.

FLAGRANTE

No mesmo local, enquanto a reportagem fazia algumas imagens, conseguiu flagrar uma cena, no mínimo revoltante. Um homem foi visto jogando detritos de sua fossa séptica em outro terreno, bem próximo de um restaurante. O mau cheiro era insuportável.

Uma funcionária do restaurante que não quis se identificar disse já ter visto pessoas cancelarem pedidos por conta do incômodo com mal cheiro.

Em janeiro deste ano, o promotor de Justiça e Meio Ambiente, Antonio Carlos Garcia de Oliveira, determinou à prefeitura de Três Lagoas que intensifique a fiscalização e aplique multas a quem não mantiver seus terrenos limpos. Entretanto, decorridos mais de dois meses, tudo indica que a determinação do MP não foi aplicada com o rigor como manda a lei, devido a quantidade de terrenos e imóveis tomado pelo lixo e matagal.

BAIRRO NOVA TRÊS LAGOAS

A mesma prefeitura que deveria dar exemplo, não o faz. No bairro Nova Três Lagoas existe uma situação preocupante que se arrasta há tempos. Uma obra onde vai funcionar a Unidade Básica de Saúde está abandonada e serve de ponto para usuários de droga. É possível encontrar sinais de depredação, recipientes para uso de drogas e lixo, como garrafas pet jogadas no entorno.

Moradores informaram que estão cansados de pedir a limpeza à prefeitura, mas não são atendidos. Inclusive, nos fundos da obra, em outro terreno da prefeitura está tomado pelo mato.

Moradores da localidade estão revoltados com a situação, principalmente em ver que quem deveria dar exemplo, no caso o município, não processe dessa forma.

Alguns fizeram até um comparativo com cidades, como Maringá, (PR) onde a prefeitura dispõe de ferramenta online, um aplicativo no celular onde o fiscal da prefeitura fotografa o imóvel e envia pela internet ao dono do imóvel notificando o mesmo da situação. A partir da notificação começa a correr prazo de sete dias para limpar o imóvel. Se a notificação não for concluída, o proprietário do terreno é multado, como determina a lei.

Terreno tomando por matos e lixos há poucos metros da Clinica da Criança, na rua Egídio Thomé pertence à prefeitura, denunciam os moradores (Fotos:Laryssa de Andrade)

Outro terreno na Egídio Thomé tomado por matagal e infestado de animais peçonhentos, denunciam os moradores(Foto: Laryssa de Andrade)

Uma caixa construída para fazer massa de cimento acumula água da chuva e vira um criador em potencial para mosquito da dengue (Fotos:Laryssa de Andrade)

Entrada de um condomínio, próximo a Clínica de Criança. Matagal e lixo colocando em risco a saúde e a segurança de quem mora ou passa pelo local (Fotos:Laryssa de Andrade)

A garrafa pet com água e ao lado as cascas de outra praga, o Caramujo Africano, que deve ser eliminado de forma correta, para evitar a contaminação do solo e acúmulo de água em sua concha depois que ele morre (Fotos:Laryssa de Andrade)

A masseira de alguma obra, não foi destruída. Ali, um berçário a céu aberto, esperando a próxima chuva, onde os ovos do mosquito, que podem já estar depositados  (Foto:Laryssa de Andrade)

No terreno da esquina da rua Cel. João Gonçalves de Oliveira com Getúlio Garcia Marques, pela altura do mato é possível perceber que o terreno não é limpo há muito tempo. Indicio de que a determinação do Ministério Público à Prefeitura de Três Lagoas, em janeiro de 2016 não foi aplicada (Foto:Laryssa de Andrade)

A sujeira e o mato deste terreno quase chegam no vizinho ao lado, um restaurante. Para quem passa caminhando é preciso desviar, passando pela rua, a noite o transtorno fica ainda maior (Foto:Laryssa de Andrade)

A frente do imóvel desapareceu em meio ao lixo acumulado e o mato crescido (Foto:Laryssa de Andrade)

É difícil acreditar que alguém possa estar sobrevivendo ali, em meio a tanto lixo, perigo e mal cheiro (Foto:Laryssa de Andrade)

No flagrante, aqueles que são parte do problema. O morador descarta detritos da caixa de gordura de frente ao terreno, em plena luz do dia, de forma displicente, não se importando com a vizinhança, (ele também é vizinho), perto dali, há um restaurante que chega a perder clientes por conta do mal cheiro constante (Foto:Laryssa de Andrade)

A obra inacabada da Unidade Básica de Saúde do Bairro Nova Três Lagoas é motivo de queixa constante dos moradores e até para a polícia (Foto:Laryssa de Andrade)

É possível ver que o mato foi cortado, mas o lixo continua ali, latas de tintas que não foram descartadas corretamente podem acumular água (Foto:Laryssa de Andrade)

Garrafas plásticas, e um buraco aberto, mais um perigo já que o terreno da obra não é cercado (Foto:Laryssa de Andrade)

 Um dos motivos da indignação dos moradores é o atraso na entrega do Posto de Saúde com previsão para março de 2015. Além de atender à comunidade evitaria os problemas do lixo e de pessoas frequentando o local abandonado a noite (Foto:Laryssa de Andrade)

A demora no término, a falta de vigilância noturna no prédio em construção deixa o imóvel vulnerável ao vandalismo, prejuízo aos cofres públicos e para a população que tem de ser atendida em outros bairros (Foto:Laryssa de Andrade)

O terreno aos fundos da obra do UBS, também de propriedade da prefeitura não foi limpo, o mato está alto e gera questionamento, uma vez que feita a limpeza do terreno da frente o do fundo também deveria ser limpo (Foto:Laryssa de Andrade)

A obra abandonada serve de refúgio para usuários de drogas, e por várias vezes foram encontrados objetos, e até motocicletas furtadas no local, além de apreensões de pessoas com entorpecentes (Foto:Laryssa de Andrade)

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