03/09/2008 15h40 – Atualizado em 03/09/2008 15h40

Assessoria de Comunicação

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) realiza na próxima sexta-feira, dia 05/09, o 1º Fórum de Erros em Medicina. Com o objetivo de criar medidas preventivas, o encontro discutirá os erros em medicina, suas causas e conseqüências. A incidência de eventos adversos no mundo varia, de acordo com cada país, de 2,9% a 16% em pacientes internados.

No Brasil, um estudo realizado em três hospitais de ensino do Rio de Janeiro pelo médico sanitarista Walter Mendes, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, já submetido à publicação em revista internacional, detectou uma incidência de 7,6% de eventos adversos, sendo que a maioria dessas ocorrências poderia ter sido prevenida. Essa incidência, conforme atesta a pesquisa, é similar a encontrada em estudos internacionais.

O estudo mostra também que os procedimentos cirúrgicos eram a origem mais freqüente desses eventos, respondendo por 36,2% do total de casos registrados. Já os locais com maior incidência foram as enfermarias, com 48,5% das ocorrências, ou seja, quase a metade. A pesquisa verificou ainda que entre os casos encontrados, 66,7% poderiam ter sido prevenidos. Este percentual é elevado se comparado a outros países, como França (27,6%), Canadá (37%) e Dinamarca (40,4%).

Segundo o neurocirurgião José Antonio de Oliveira, da diretoria do corpo clínico do INCA, os conceitos sobre erros médicos, que envolvem aspectos técnicos, éticos e políticos, precisam ser aprofundados. Para a população em geral, observa Oliveira, o chamado erro médico ainda está muito ligado à figura do profissional. No entanto, segundo ele, esses eventos podem ser divididos em três categorias – erro médico, erro do médico e erro da medicina.

O primeiro envolveria todos os profissionais de saúde diretamente ligados ao ambiente de tratamento; o segundo seria um erro do profissional médico; e o terceiro estaria relacionado às políticas públicas de saúde ou ao direcionamento das pesquisas e do desenvolvimento tecnológico.

Oliveira destaca que os avanços tecnológicos e na área de medicamentos exigem do profissional de saúde constante aprimoramento e atualização. Junto a essas inovações, surgem novos desafios na área de eventos adversos. “É importante frisar que os erros médicos, em qualquer nível, são preveníveis desde que se criem os anteparos”, observa o médico.

Numa classificação geral, de acordo com Oliveira, os erros médicos podem variar desde a troca da dosagem de medicamentos ou ao cumprimento equivocado de uma ordem até a demora na marcação de exames, falta de leitos hospitalares e falta de entrosamento entre as unidades prestadoras de serviço: postos de saúde e hospitais que facilitem o encaminhamento dos pacientes.

Mundialmente, a discussão da qualidade ao cuidado à saúde volta-se cada vez mais para a essa questão. Nos Estados Unidos, anualmente, estima-se que cerca de 100 mil pessoas morram a cada ano vítimas de eventos adversos. Essa alta incidência resulta em uma taxa de mortalidade maior do que as atribuídas aos pacientes com Aids, câncer de mama ou atropelamentos.

Em relação a esse número, o diretor do corpo clínico do INCA esclarece que a maioria dos eventos adversos ocorre no caso de doenças graves, cuja evolução natural, ou seja, sem intervenção médica, é fatal ou deixa seqüelas graves. Doenças que exigem para seu diagnóstico e tratamento procedimentos complexos.

“Caso não houvesse intervenção médica, a taxa de mortalidade e morbidade seria sempre muito maior do que a causada em função de efeitos adversos. Mesmo assim a discussão sobre os efeitos adversos é fundamental, pois podemos obter resultados muitos melhores”, destacou Oliveira

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