28/12/2018 10h17

Inspeção Técnica garante segurança na operação de máquinas pesadas da indústria de Três Lagoas

Engenheira mecânica Laura Tosta conta como garantir a operação segura de equipamentos de muitas toneladas

 
Gisele Berto
A engenheira mecânica Laura Tosta fala sobre o rigor das manutenções dos caminhões e máquinas que prestam serviços para a Fibria. Foto: Ricardo Ojeda. A engenheira mecânica Laura Tosta fala sobre o rigor das manutenções dos caminhões e máquinas que prestam serviços para a Fibria. Foto: Ricardo Ojeda.

Em um primeiro momento, a engenheira mecânica Laura Tosta, da TL Inspeções Técnicas, foi encarada com alguma resistência por empresas que prestavam serviços de transporte para a Fibria, em Três Lagoas. Isso porque a moça de pulso firme vinha com uma lista de mais de 50 itens para inspecionar em caminhões, rolos compressores, carretas, escavadeiras e todo o tipo de maquinário pesado móvel.

Caso algum dos equipamentos estivesse fora das normas técnicas de segurança, era bloqueado e só voltaria a campo após apresentar as conformidades exigidas. "Não tem 90%. Precisa ser 100%", conta Laura.

Munck passa por inspeção no pátio da TL. Foto: Ricardo Ojeda Munck passa por inspeção no pátio da TL. Foto: Ricardo Ojeda

A engenheira, formada na Unesp de Ilha Solteira, abriu a TL Inspeção Técnica há dois anos. Desde julho de 2017 faz toda a inspeção para os terceirizados da Fibria. Isso inclui as carretas que transportam celulose e madeira, colheitadeiras, rolos, guindastes e todo o tipo de maquinário pesado externo.

Observam se os equipamentos estão em conformidade com todas as normas técnicas em relação à manutenção, segurança e estrutura de base. "Por exemplo, caminhões com a frente rebaixada e traseira erguida - que viraram moda entre os mais jovens - são reprovados, porque representam risco de capotamento", diz.

Agora, depois desse tempo realizando inspeções, Laura conta que ganhou, mais do que o respeito, a admiração dos prestadores de serviços e até dos motoristas das máquinas. "Eles veem e reconhecem que o nosso trabalho previne acidentes, multas, retenção de cargas, gera economia e isso melhorou nossa convivência", diz.

 
Inspeção sendo feita no pátio de madeiras da Fibria. Foto: Divulgação Inspeção sendo feita no pátio de madeiras da Fibria. Foto: Divulgação

COMO FUNCIONA

Os equipamentos da Fibria, por exemplo, são inspecionados a cada dois ou quatro meses, dependendo da máquina. "É um prazo bom para que não apresentem nenhum problema grave que comprometa a segurança. Além disso, temos conversas regulares com os prestadores de serviço para a realização das manutenções", conta Laura.

A TL faz uma média de 400 inspeções mensais. Algumas delas são feitas de surpresa - as chamadas blitze - para evitar que problemas possam ser maquiados.

As exigências da Fibria excedem as normas legais brasileiras e estão relacionadas com a segurança da operação. O protocolo de inspeção da empresa faz parte de um programa chamado Estrada Segura que determina padrões que devem ser seguidos para que a empresa tenha padrões de segurança de classe mundial. "Para evitar problemas de caçambas que levantam sem o motorista ver, instalamos sensores que acionam sirenes ao perceber que a caçamba ergueu com o veículo em movimento. Apesar dessa legislação ter sido suspensa, a Fibria exigiu e nós fazemos valer a exigência", diz Laura.

Carretas sendo avaliadas no pátio da TL. Foto: Divulgação Carretas sendo avaliadas no pátio da TL. Foto: Divulgação

MEIO AMBIENTE

Para salvaguardar o ar da cidade e a saúde de pessoas e animais, a TL adquiriu recentemente um aparelho chamado Smoke 2000, que mede a poluição gerada por motores a diesel. Quando um equipamento excede o nível tolerado de emissão de poluentes entra na categoria de não-conforme e precisa ser ajustado até ficar 100% dentro dos padrões.

DIFICULDADES

Laura conta que, no início, boa parte em razão do costume ou mesmo da falta de conhecimento, muitos dos equipamentos e máquinas pesadas não passavam na inspeção. No entanto, dois anos depois, as empresas já se adaptaram aos novos padrões e hoje é muito difícil que eles precisem reter algum equipamento. "Já existe um padrão. Eles nos conhecem. Até mesmo a abordagem policial fica mais fácil quando os agentes veem nosso adesivo no vidro dos caminhões", diz Laura.

 

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