28/03/2012 19h37 – Atualizado em 28/03/2012 19h37

Instituto fiscaliza nível de ruído na construção da nova ponte que ligará MS e SP

Objetivo é evitar que poluição sonora prejudique comunidades próximas à BR 262 e os próprios trabalhadores da obra

Da Redação*

Desde setembro de 2011, medições de ruído são feitas em locais próximos à construção da nova ponte que ligará Três Lagoas e Castilho. Os números mostrarão se os limites são respeitados e se há medidas de controle de ruído, tanto durante as obras como nos primeiros meses após a conclusão da ponte. O monitoramento é executado pelo Instituto Tecnológico de Transportes e Infraestrutura (ITTI) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), parceiro do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) – órgão responsável pela construção.

“Tanto na implantação como na operação da ponte haverá ruídos e vibrações, pelo uso de caminhões e máquinas, abertura de caminhos de serviço, terraplanagem e pavimentação. Todas as fontes de poluição sonora devem ser fiscalizadas e monitoradas para não prejudicar a sociedade, o trabalhador, ou mesmo a fauna terrestre e aquática”, explica o coordenador do Programa de Controle de Ruídos e engenheiro do ITTI, Cristhyano Cavali.

A região sujeita aos impactos da poluição sonora compreende 7,5 quilômetros, que incluem a extensão da nova ponte e seus acessos em Castilho e em Três Lagoas. As medições de ruído são feitas em pontos estratégicos dessa área de influência, com o uso de decibelímetros digitais. A equipe do Instituto já realizou duas campanhas, com 28 medições em setembro de 2011 e nove em janeiro de 2012.

“Nas medições já executadas, apenas houve aumento de ruído no trecho em que a obra começou efetivamente, onde as máquinas estão trabalhando. Mas não há interferência negativa, os ruídos respeitam os limites e também não houve reclamação por parte da comunidade”, explica o supervisor ambiental do ITTI responsável pelas medições, Marcos Leite.

Para controlar o ruído emitido pelas máquinas e veículos utilizados na obra, a construtora deve dar prioridade a equipamentos com baixo índice de ruído e realizar manutenções periódicas, além de executar operações ruidosas apenas durante o dia. Os trabalhadores devem utilizar protetores auriculares.

“Além do monitoramento dos ruídos emitidos, o Instituto vai fiscalizar durante toda a obra se a construtora segue as medidas de controle nas máquinas e oferece equipamento de proteção individual para os operários. O objetivo é que a obra traga benefício para a sociedade, e não incômodo”, salienta o coordenador do Programa.

As campanhas de monitoramento acontecerão trimestralmente até junho de 2014, prazo para o término das obras, e continuarão por 12 meses, em campanhas semestrais, durante a operação da ponte, para também medir o ruído do tráfego.

“Depois que a ponte estiver pronta e operando, nós teremos um histórico da evolução dos ruídos – como era antes da construção, como foi durante e uma previsão de como será depois de concluída. Isso é importante para entender os impactos e trabalhar para minimizá-los”, ressalta o supervisor ambiental.

IMPLICAÇÕES LEGAIS

Por lei, são definidos os limites de ruído a serem respeitados. De acordo com a portaria nº 92, de 19 de junho de 1980, o Ministério de Estado do Interior (MINTER) considera prejudicial à saúde, à segurança e ao sossego público, os sons que, no ambiente externo, ultrapassem 10 decibéis além do ruído de fundo já existente no local de tráfego. Além disso, independente do ruído de fundo, o máximo permitido é 70 decibéis durante o dia e 60 decibéis à noite.

Já a portaria 3.214 do MINTER fixa o tempo máximo de exposição por dia no caso de ruído contínuo. Se o ruído é de 85 decibéis, a tolerância é de 8 horas, 100 decibéis são tolerados por 1 hora e, se o nível de ruído atinge 115 decibéis, a exposição não pode durar mais do que 7 minutos. Acima de 115 decibéis, seja o ruído contínuo ou intermitente, se não houver proteção adequada, há risco grave de danos na audição.

A OBRA

A nova ponte terá 1,344 quilômetros de extensão, além dos 6,096 quilômetros de acessos que a ligarão às cidades de Castilho e Três Lagoas. A obra teve início em julho de 2011 e deve ser concluída até junho de 2014.

Além do Programa de Controle de Ruídos, o ITTI executa mais 12 programas ambientais na obra de construção da ponte sobre o Rio Paraná. Entre eles estão o Programa de Educação Ambiental, Proteção de Flora e Fauna e Segurança e Saúde da Mão de Obra.

(*) Com informações da assessoria do ITTI da UFPR

Segundo o DNIT, as obras estão no estágio das fundações. (Foto: Edmir Conceição)

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