Pesquisa do Sebrae e IPF/MS mostra que restrições sociais podem influenciar compras de presentes para “confortar” crianças; Data poderá movimentar R$139,15 milhões na economia do estado

O Dia das Crianças, comemorado em 12 de outubro, deverá movimentar R$139,15 milhões na economia de Mato Grosso do Sul, 5% a mais do que em 2019. O montante é dividido em gastos com presentes (R$102,99 milhões) e em comemorações (R$ 36,17 milhões), conforme aponta estudo realizado pelo Sebrae e o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio (IPF/MS).

Em contraposição a outras datas, a pesquisa de intenção de consumo para o Dia das Crianças indica um processo de recuperação econômica no estado. Para se ter uma ideia, é a primeira data com projeção de crescimento em relação a 2019. Neste ano, devido à crise relacionada à pandemia de Covid-19, o Dia das Mães sofreu uma queda de 44% nas perspectivas de movimentação financeira; o Dia dos Namorados, baque de 43% e Dia dos Pais, uma redução de 20%.

O cenário positivo foi “puxado” pelo resultado de Campo Grande, responsável por mais da metade das vendas do estado. Além disso, o leve aumento da compra de presentes (6%) neste ano pode ser explicado em função de aspectos comportamentais e das influências do isolamento social. Entre os entrevistados, das pessoas (81%) que possuem afilhados, sobrinhos ou filhos, 38% admitiram que as crianças e adolescentes estão ansiosas.

“Na pesquisa, muitos adultos relatam que as crianças estão mais ansiosas e estressadas nesse período de quarentena, provavelmente motivados pelas restrições sociais, por não estarem frequentando seus grupos, como escolas. E talvez essa intenção de aumento de consumo nos presentes seja uma forma de compensar as restrições sociais que essas crianças estão vivendo”, afirma a analista-técnica do Sebrae/MS, Vanessa Schmidt.

“Seguindo a tendência dos demais indicadores de melhora da economia, temos para o Dia das Crianças a projeção de aumento em torno de 5% em relação ao ano passado de movimentação total com a data. Mas isso não necessariamente se deve ao fato de que as pessoas estão gastando mais, mas simplesmente porque o percentual de pessoas que comemorarão e presentearão aumentou um pouco mais”, explica a economista do IPF/MS, Daniela Dias.

Compras, comemorações e oportunidades

Segundo o levantamento, para a data, mais de 50% da população deve ir às compras, com destaques para a aquisição de brinquedos (39%); roupas (31%) e calçados (21%). Os presentes serão comprados preferencialmente nas lojas físicas (83%); seguido da internet (12%); à distância (3%) e alguns irão fazer o presente (1%).

Os consumidores também citaram como fatores atrativos para as compras o pagamento à vista com benefícios (39%); atendimento (25%); possibilidade de parcelamento (24%); medidas sanitárias (13%) e os negócios de bairro (11%). Segundo a analista-técnica do Sebrae/MS, Vanessa Schmidt, os empresários devem aproveitar estes atrativos para fazer as vendas.

“A maioria dos consumidores pretende ir às lojas presencialmente, uma vantagem para o comércio. É o momento de fazer girar o estoque que estava parado e de garantir capital de giro, porque esse consumidor pretende comprar à vista. Ele pretende ter vantagens, então é importante que o comerciante comunique ao consumidor quais vão ser os benefícios, promoções e descontos que ele vai ter com essa compra”, afirma. 

Quanto às comemorações, elas ainda estão centradas em casa. Entre os entrevistados, a maioria pretende preparar refeições em casa (36%); outros levarão as crianças para algum passeio (18%); seguido por realização de brincadeiras (17%); pedido de refeição pronta (15%); outros levarão as crianças para comer em restaurante ou lanchonete (11%) e uma parcela menor irá comemorar a data no shopping (3%).

A pesquisa aplicou por telefone 1.711 questionários a consumidores, entre os dias 24 de agosto a 10 de setembro. Houve a participação dos municípios/regiões: Bonito/Corumbá/Ladário (279); Campo Grande (356); Coxim (273); Dourados (268); Ponta Porã (268) e Três Lagoas (267). É possível acessar o estudo completo no DataSebrae.

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