25/03/2019 11h02

Falta de investimento, fiscalização, lixo nas ruas e eliminação das áreas permeáveis criaram um problema que só poderá ser resolvido com uma campanha de conscientização geral

Gisele Berto

Não dá para escolher um culpado pelas inundações que se tornaram frequentes sempre que chove em Três Lagoas. Essa é a opinião da arquiteta Sandra Latta, em entrevista hoje, 25, ao Perfil News.

“Três Lagoas foi construída sobre uma planície. Para se ter uma ideia, o desnível entre a rodoviária e a Lagoa é de apenas 70cm. Ainda que fosse feito um sistema de drenagem em toda a cidade seria necessário também realizar o bombeamento dessa água, porque não há caída para levar a água”, afirmou Sandra.

Para a arquiteta, hoje os moradores pagam por anos de mau uso da cidade. “As pessoas precisam entender que, apesar delas terem comprado o terreno, ele não é só dela. Ele é da cidade. É preciso respeitar a lei de permeabilidade do solo. É preciso ter pelo menos 20% de área permeável na construção. Mas não: hoje, a primeira coisa que os clientes pedem é que cimente tudo”, lamenta Sandra.

DE QUEM É A CULPA?

Segundo a profissional, não é possível eleger um único culpado pelas enchentes na cidade. “Todo mundo tem culpa: a administração pública, pela falta de investimentos, a população, por jogar lixo na rua e não deixar uma área permeável em cada terreno, os empreendedores, por construir condomínios e isolar suas áreas, como se eles não tivessem nada a ver com o resto da cidade”, afirmou.

Sandra insistiu no fato da cidade estar cada vez mais impermeável. “É justo e necessário que as pessoas queiram pavimentação nas ruas. Mas para isso, é preciso que elas mesmas mantenham um espaço de solo permeável em suas casas, porque senão a água não vai ter para onde escoar”.

A arquiteta acredita que o problema das inundações seja de difícil resolução, justamente devido à topografia excessivamente plana da cidade. “A conscientização é o primeiro ponto. Cada um tem que fazer a sua parte. Porque tem um ditado que diz que Deus perdoa, mas a natureza, não. Tudo o que nós fazemos ao meio ambiente tem impacto, e tudo virá de volta para nós”, afirmou.

ARBORIZAÇÃO

Sandra lembra que, na década de 70 e 80, Três Lagoas era muito mais arborizada. “Havia muitas árvores sete-copas na cidade. No entanto, devido a um problema de raiz, foi-se retirando as árvores, mas elas não foram substituídas. Aí ficamos sem árvores, nesse calor forte que temos”.

Para Sandra, resolver o problema das enchentes passa, necessariamente e de forma urgente, pela conscientização das pessoas. “A manutenção das áreas permeáveis, de trechos arborizados e a realização da fiscalização são essenciais para tentar amenizar esse problema, que é de difícil resolução”, disse.

Veja o vídeo completo da entrevista abaixo.


Arquiteta Sandra Latta falou com o jornalista Ricardo Ojeda sobre o problema das inundações em Três Lagoas. Foto: João Vitor/Perfil News


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