03/07/2017 09h26

Varejistas entregavam dinheiro vivo a políticos, dizem delatores

Da Redação

Funcionários e ex-executivos da rede de frigoríficos JBS relataram que a empresa utilizou supermercados para fazer pagamentos milionários a políticos de diversos partidos. Os valores eram tão grandes que chegavam por meio de carros-fortes, relata o ex-funcionário Florisvaldo Caetano de Oliveira.

De acordo com o ex-executivo do grupo, Ricardo Saud, os supermercados sequer sabiam do que se tratavam esses pagamentos, e não eram beneficiados pelo esquema.

O esquema funcionava da seguinte forma: a JBS combinava com os supermercados o pagamento pelos seus produtos em espécie, e a seguir, as quantias eram pagas diretamente a emissários dos políticos beneficiados.

Entre os políticos que receberam dessa forma, os delatores apontaram os nomes do senador Aécio Neves (PSDB), do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) e do governador de Santa catarina, Raimundo Colombo (PSD).

Segundo Saud, Aécio teria recebido R$ 4,3 milhões de diferentes redes varejistas. Os pagamentos eram entregues ao seu primo Frederico Pacheco, que permaneceu um mês na cadeia após ser preso na Operação Patmos, em maio.

O ex-funcionário Florisvaldo Caetano afirma que os pagamentos a Cunha ocorriam por meio da rede Guanabara. Pelo menos R$ 500 mil foram entregues pelo ex-funcionário ao braço-direto do ex-deputado, Altair Pinto, pagos em 2014 pelo supermercado.

O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), também teria recebido R$ 1 milhão entregues por um supermercado de Curitiba, segundo o delator Ricardo Saud. Entretanto, o ex-executivo não explicou as circunstâncias desse pagamento.

Florisvaldo Caetano disse que os supermercados já acertavam de pagar o dinheiro em espécie pelos produtos da empresa. Ele contou à Polícia Federal que sua sala na JBS era usada para entregar as quantias aos operadores dos políticos.

(*) Midiamax

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