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João Carlos impôs um novo estilo de administração

31/08/2007 08h50 – Atualizado em 31/08/2007 08h50

O prefeito da cidade de Bataguassu, João Carlos de Aquino Leme (PT), está rompendo paradigmas até então tidos como intocáveis. Esta ‘fórmula mágica’, na opinião do prefeito, nada mais é do que a quebra na mesmice de administrações passadas.Eleito numa coalização política com o então PFL, tendo a ex-vereadora Zélia Bonfim como sua companheira de chapa, João Carlos enfrentou grandes dificuldades, principalmente com a oposição, no primeiro ano do seu mandato. Passado a tempestade de dificuldades, agora colhe os frutos da administração que avança sem encontrar adversários pelo caminho. Inclusive já conseguiu apoio do DEM – (Partido Democratas), que tem o vice-governador Murilo Zauith como principal avalista da coligação. Sua administração é considerada como um divisor de águas, em função deste novo estilo político de governar. João Carlos esteve recentemente visitando o Perfil News e concedeu a entrevista a seguir. Perfil – Qual sua avaliação para os dois anos e meio de administração de uma das mais importantes cidades de região do Bolsão? O que acrescentaria nesse trabalho realizado haja visto a quebra de um paradigma?João Carlos – Divido em duas partes esta pergunta. Primeiro a questão política. Estamos, eu e todo o secretariado, fazendo a diferença. A escolha da população sobre a forma de governar durante 24 anos, criou um sistema e rompemos isso. O sistema de administrar que cada um tinha, foi rompido. Nós trouxemos pessoas diferentes para administrar. São formas de pensar diferentes. Isso faz com que a cidade tenha uma nova forma de administração. Ou seja, é diferente de tudo o que aconteceu nos últimos 24 anos.Perfil – Como a população analisou essa nova forma de administrar?João Carlos – É difícil interpretar a alma do povo. Muitas gritam pela mudança. Elas exigem a mudança e quando ela acontece, se assustam. A população já estava acostumada e a mudança, quando acontece, você fica um pouco apreensivo. Nós colocamos pessoas diferentes nas secretarias e estamos fazendo tratativas partidárias diferentes. Hoje Bataguassu trabalha na composição político partidária. Temos dentro do poder público representantes de vários partidos e não apenas do partido do prefeito.Perfil – E o resultado dessa mudança proposta já no início de sua administração?João Carlos – Os resultados são positivos. Estamos fazendo com que Bataguassu progrida bastante. Nós temos uma tendência muito forte na geração de emprego e renda. Estamos levando algumas indústrias para a cidade e gostaríamos de ter levado mais e estamos ainda trabalhando para que isso ocorra. Temos a Itaguassu que deve gerar cerca de 2.500 empregos. A cidade está se destacando nesse ramo de geração de emprego e renda. Estamos trabalhando forte na questão social, implantando uma secretaria de Assistência Social que não existia nas administrações passadas. Equipamos essa secretaria com material humano. A prefeitura tinha duas assistentes sociais, hoje temos seis. É uma equipe dinâmica e desempenhando boas ações junto à comunidade.Perfil – Como está o investimento na área esportiva da cidade?João Carlos – Temos escolinhas. Temos atletas atuando em vários estados da federação. São crianças praticando todas as modalidades esportivas. Estamos contentes em saber que esses jovens possuem potencialidades esportivos. Sabemos que o que estamos fazendo – e no caminho certo – é o preventivo na área de saúde e educacional.Perfil – Você teria hoje um percentual de aprovação da sua administração diante da comunidade de Bataguassu?João Carlos – Eu não tenho me preocupado com essa questão de pesquisa. Nossa preocupação, no momento, é trabalhar cada vez mais. Temos pela frente o horizonte do trabalho. Embora pesquisas sirvam para orientação meramente política, nós temos um trabalho já definido. Nossa orientação para estar bem politicamente é trabalhar e trabalhar cada dia mais.Perfil – Qual seria então o ‘norte’ na sua administração?João Carlos – Temos a pesquisa no sentido de saber o que a população deseja. O que não é diferente das cidades brasileiras. 90% querem asfalto, emprego e melhoria na área da saúde. São ícones que a população pleiteia. E estamos trabalhando para isso.Perfil – Caso o prefeito João Carlos encerrasse hoje o seu mandato, ele estaria satisfeito com o que já fez pela cidade?João Carlos – Se encerrasse hoje estaria satisfeito com as conquistas, mas não com as realizadas. A conquista até a realização ainda leva um tempo. Nós temos conquistados muitas coisas, mas não estou parado nem um minuto, para conquistar ainda mais para a cidade. A hora que estas conquistas se materializarem, estaremos satisfeitos. Temos conquistados um centro de eventos, onde o projeto já foi aprovado pela Caixa Federal no valor de R$ 1,2 milhão, sendo R$ 400 mil de verbas federais e R$ 800 mil de verbas do município. O dinheiro já está guardado para por em prática a construção desse centro. O centro servirá para a comunidade se confraternizar e até mesmo pode servir de local para a realização de palestras, entre outros eventos. Temos quadras esportivas para serem feitas em cada bairro da cidade. O dinheiro já foi conquistado através de empenhos federais e recursos do município. Temos a pavimentação do Jardim Acapulco, que estamos terminando. Do Jardim Real, que terá início em alguns dias. Temos o dinheiro em caixa do Jardim São João. Temos tratativas firmadas e garantidas para a pavimentação do Jardim Santa Luzia. Ou seja, todos os bairros de Bataguassu que não receberam a atenção nesses longos anos, nós estaremos fazendo a pavimentação. O Jardim Acapulco, com recursos próprios. O Jardim Santa Luzia, com recursos próprios e o Jardim Real com recursos federais e contrapartida do município. Estamos fazendo ainda núcleos esportivos em alguns bairros. Isso nos deixa orgulhoso, pois estamos tratando o dinheiro público com responsabilidade e com carinho. Isso nos deixa realizado.Perfil – Bataguassu, diferente de outros municípios, possuirá então cerca de 80% de malha asfáltica?João Carlos – Apenas os bairros recentes não terão, ainda, pavimentação. É o caso do Jardim Campo Grande, que é um bairro de cinco anos de existência e os bairros de um ano para cá. Todos os outros bairros serão pavimentados com bloquetes.Perfil – A cidade é extensa em área territorial. Aliado a isso ainda há a existência de cinco assentamentos rurais. Qual sua política para atender o pessoal da zona rural?João Carlos – Por filosofia e ideologia eu sou plenamente favorável à reforma agrária, porém, tenho duras críticas quando ao atual modelo de reforma agrária. Esse modelo atual é falido. Pois transfere a pobreza da cidade para o campo. O dinheiro que se investe nos assentamentos rurais, nos dias de hoje, é muito caro para o pouco que se produz. Em Bataguassu não é diferente. Mesmo havendo pessoas com boa vontade e trabalhadoras, a sobrevivência delas fica difícil, pois a renda não é propicia. Isso causa dificuldade na assistência do município.Perfil – Você não estaria se contradizendo em relação à reforma agrária, que é a base do PT do presidente Lula, que é do seu partido. Ou a lei do partido está errada?João Carlos – Não estou contradizendo. Sou favorável à reforma agrária. Mas os modelos de reforma devem ser discutidos. Eles podem e devem ser discutidos e rediscutidos para encontrarem uma nova melhoria. Como experiência dentro do meu município, esse modelo de reforma não surge o efeito adequado às famílias que lá estão. O município sofre com isso, pois temos que ficar com a manutenção na área de saúde e toda a infra-estrutura como estradas e educação. A contrapartida do governo federal deveria ser a divisão de bens. Seria o uso adequado da terra. Esses recursos que chegam à família não são suficient
es, mesmo sabendo que são pessoas trabalhadoras.Perfil – Essas aplicações de recursos nesses assentamentos comprometem o orçamento da cidade?João Carlos – Compromete sim. Pois temos que saber dividi-lo e dar a devida atenção aos assentados, ou seja, à população do campo. Isto está sendo feito. Todos os assentamentos na região de Bataguassu merecem atenção mais que especiais. Cuidados das estradas, apesar do pouco maquinário. Mas constantemente estamos mantendo uma infra-estrutura para o escoamento da safra desses locais e o transporte seguro das famílias que lá residem. Perfil – Que tipo de investimento na área de saúde foi feito nesses assentamentos?João Carlos – Criamos o PSF (Programa de Saúde da Família) Rural. No assentamento Aldeia e Santa Clara, estamos colocando um posto de saúde. Fizemos concurso público para enfermeiras, médicos, agentes comunitários de saúde, dentistas. Reformamos e equipamos ônibus para fazermos atendimentos em vários assentamentos. Estamos ativando um posto de saúde no assentamento Aruanda.Perfil – Quantas pessoas, nesses assentamentos, recebem atendimento por parte da prefeitura?João Carlos – Cerca de oitocentas famílias.Perfil – Na questão escolar, como está o atendimento nesses assentamentos? Como está a contrapartida do governo do Estado e Federal?João Carlos – Quando assumimos o mandato, em 2005, o assentamento Aldeia, por exemplo, era atendido no município de Nova Andradina. Rapidamente resolvemos essa situação e os estudantes passaram a estudar em escolas do nosso município, graças à parceria com o governo do Estado. No transporte escolar rodamos cerca de seis mil quilômetros/dia. São trinta de cinco linhas de atendimento ao estudante. Gastamos cerca de R$ 1,3 milhão por ano com essas linhas. Desse valor, R$ 300 mil recebemos para o município, do governo do Estado. Levamos muito prejuízo nessa questão. Em visita recente da secretária de Educação de MS, Maria Nilene Badeca, foi debatido esse tema. Ela se colocou a disposição para fazer os encaminhamentos para que a cidade não tenha tanto prejuízo com o transporte escolar. Não só Bataguassu, mas todas as cidades de MS têm prejuízos com o transporte de alunos pela contrapartida do Estado. Tem criança que fica até seis horas dentro de um ônibus para chegar à escola dela. Isso não é privilegio de Mato Grosso do Sul, mas sim de todo o Brasil. Isso deveria ser mudado de imediato, através de discussão para que se encontrem alternativas para que estas crianças não sofram. Eu não tenho essa solução, mas me proponho a estar junto nessas discussões para encontrarmos um final feliz.Perfil – Algum beneficio sendo entregue nesse dias para os assentados?João Carlos – No assentamento ‘Aldeia 2’, ainda no mês de agosto estaremos entregando uma patrulha agrícola (um trator, grade e arado). Desta forma fechamos cada assentamento com sua patrulha agrícola. Os recursos foram conquistados através de emenda federal, através do nosso empenho junto à bancada federal.Perfil – Como está sendo a convivência com o governo do Estado (André Puccinelli)? Se comparado ao tratamento recebido na administração passada (Zeca do PT) e agora, qual o tratamento recebido? Tem diferença?João Carlos – É muito cedo para fazermos qualquer tipo de comparação. O governo André está tratando todos os prefeitos igualmente. Pelo que ouço, ele anda fazendo caixa para os anos seguintes e que estaria realizando nesse momento manutenção dos serviços essenciais. Estamos então em condições iguais com os outros municípios. Vamos ver ano que vem, quando tiver dinheiro em caixa, se o tratamento será igualitário. Perfil – Na questão administrativa. O que foi feito para melhor o atendimento a população?João Carlos – Pegamos o município com 700 funcionários. Esse número é necessário e suficiente. Estamos trabalhando de forma transparente. Cerca de 300 funcionários agora são concursados e boa parte nomeados. Em breve estaremos dando posse aos recém aprovados em concurso público. Com isso faremos com que tenham estabilidade no emprego. Fazendo a política de valorização através de concurso e cursos profissionalizantes e de reciclagem. Estamos também fazendo o repasse inflacionário nos salários dos servidores. Dessa forma, sempre cumprindo nossas promessas feitas enquanto candidato.Perfil – A folha está comprometida dentro do que reza a Lei de Responsabilidade Fiscal?João Carlos – Cerca de 47% da arrecadação é comprometida com o pagamento dos servidores. Estamos totalmente dentro da lei.Perfil – Ainda na questão administrativa, seus secretários possuem independência para atuarem. Como foi essa determinação?João Carlos – Isso vai do estilo de cada administrador. Eu não sou centralizador. Penso que a administração tem de ser descentralizada, mas com responsabilidade e sem perder o comando e a liderança. Nós fazemos reuniões semanais para traçarmos as metas e objetivos de cada secretaria. Secretário que não tem iniciativa própria, não é um bom secretário e não fará parte da nossa equipe. Somos uma administração de coalizão. Temos pessoas com capacidade e não podemos fazer que sejam garotos de recados ou capachos. Eles devem ter liderança e conseguir benefícios para a cidade. Enfim, tem de ir à luta.Perfil – A cidade é impactada com a formação do lago da Usina Sergio Motta. A Cesp deixou de cumprir algum item acordado com a Unipar?João Carlos – Ajuizamos uma ação contra a estatal paulista. Aguardamos agora o andamento dentro do poder Judiciário. Temos pendência na área ambiental.Perfil – O município possui hoje um terminal portuário. Conquista vinda das negociações da Unipar com a Cesp. O presidente Lula, meses atrás, em Campo Grande anunciou que a Petrobras poderá construir um poliduto e que irá passar por Bataguassu. É essencial a ativação do terminal?João Carlos – Sem dúvida. Eu considero que a cidade perdeu algum tempo por não considerar a questão de logística. Nós fomos por muitos anos o único corredor de entrada de Mato Grosso do Sul e isso não foi devidamente aproveitado. Hoje temos vários entradas, exemplo, Anaurilândia, Brasilândia e Três Lagoas. O Estado cresceu, mas Bataguassu perdeu a chance quando tinha exclusividade.Perfil – Faltou visão política?João Carlos – Sim. Sem sombra de dúvida. Nós não devemos deixar que isso ocorra novamente, principalmente agora que temos o potencial fluvial. Hoje como principal meio de transporte, pois é mais barato, seja simplesmente uma obra de compensação que fica perdida dentro do mato.

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