13/02/2012 21h14 – Atualizado em 13/02/2012 21h14

Jornalista assassinado apoiava o Encontro de Jornalistas realizado pelo Perfil News

Naquela ocasião ele presenteou Caco Barcelos com um exemplar do seu livro “A Tempestade” e autografou a obra entregando para o organizador do Encontro de Jornalistas de MS

Ricardo Ojeda, com informações

O jornalista Paulo Cardoso Roberto Rodrigues, mais conhecido por Paulo Rocaro, brutalmente assassinado por dois pistoleiros na noite de domingo, 12, em uma Avenida em Ponta Porã foi um dos maiores incentivadores do Encontro Estadual de Jornalistas, promovido pelo site Perfil News em Três Lagoas.

PARCEIRO

Rocaro participou da terceira edição do evento, que aconteceu nos dias, 21 e 22 de abril de 2007, onde o jornalista Caco Barcelos, da Rede Globo e a então prefeita de Três Lagoas, Simone Tebet foram os palestrantes.
Nas outras edições, mesmo não marcando presença no evento, viabilizou a participação dos colegas da fronteira no evento.

REPERCUSSÃO

O jornalista era editor chefe do Jornal da Praça e diretor do site Mercosul News. O assassinato do jornalista repercutiu na impressa nacional. Sindicatos e associações e clube de imprensa se manifestaram cobrando das autoridades rigor nas investigações.

Segundo informações de fontes policiais; mesmo atingido por vários tiros, Rocaro teria conseguido chegar ao saguão do hotel para pedir ajuda. Ele ainda ligou no celular da esposa: “amor, estou baleado e o Corpo de Bombeiros está vindo me socorrer”, contou sua esposa Nilda Cardoso.

CORAGEM

Paulo Rocaro, na definição do seu colega de profissão, Waldemar Gonçalves Russo; “Ele como jornalista conseguiu conviver com o submundo do crime, sem ser criminoso; conseguiu conviver com as lagrimas dos outros, sem chorar; conseguiu retratar a violência, sem fazer parte dela; que estava -e ainda está- no meio de uma sociedade, às vezes hipócrita, sem ser conivente com ela. Talvez esteja aí, nessa nossa espinhosa profissão, meu eterno amigo, a vontade de muitas pessoas, em especial, os jovens, em querer se “casar” com o jornalismo”.

LIVRO “A TEMPESTADE”

Além de jornalista, Rocaro era escritor e lançou o livro, ‘A Tempestade’, lançado em 2002, que retrata os bastidores policiais e crimes de pistolagem da fronteira.

Quando esteve em Três Lagoas, ele entregou ao jornalista Caco Barcelos um exemplar da obra. Na ocasião, Caco Barcellos se mostrou surpreso com o teor da obra, principalmente pelo fato de ter sido lançada numa região de fronteira, onde a profissão de jornalista é considerada de risco. “Impressionante”, afirmou Barcellos, que agradeceu Rocaro pelo livro e disse que vai lê-lo com atenção, “pois o assunto é o de minha preferência”.

RECONHECIMENTO

“Embora seja uma obra humilde, a escrevi com a mesma inspiração com que certamente você fez ‘O Abusado’, que é uma obra-prima”, disse Rocaro ao colega jornalista. O livro de Caco Barcellos relata o nascimento, vida e morte de traficantes no Morro Dona Marta, no Rio de Janeiro.

Naquela mesma oportunidade, Paulo Rocaro também autografou o livro para o diretor do site Perfil News e organizador do 3º Encontro de Jornalistas de Mato Grosso do Sul. “É um reconhecimento pelo sucesso deste excelente evento”, disse Rocaro.

NOTA OFICIAL DA FENAJ

A Federação Nacional dos Jornalistas repudia o assassinato dos jornalistas Mario Randolfo Marques Lopes, ocorrido na quinta-feira (9/02), em Barra do Piraí (RJ), e Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, nesta segunda-feira (13), em Ponta Porá (MS). Solidarizamo-nos com seus familiares, amigos e colegas de profissão, exigimos imediata e profunda investigação das autoridades competentes, com a conseqüente punição dos responsáveis, e cobramos do governo e do parlamento federais medidas urgentes para que o Brasil não prossiga avançando no ranking internacional de violência contra jornalistas.

Mario Randolfo Marques Lopes, de 50 anos, foi morto com um tiro na cabeça e sua companheira, Maria Aparecida Guimarães, que estava com o jornalista, também foi executada. O crime bárbaro ocorreu após o casal ser seqüestrado no Centro da cidade e levado a um local de pouco movimento.

Mario Randolfo havia sido vítima de tentativa de homicídio no dia 7 de julho do ano passado, quando levou três tiros em sua casa, no Centro de Vassouras. Ele editava o site Vassouras na Net, no qual criticava personalidades influentes na região.

Já Paulo Rocaro, que dirigia o site Mercosul News, foi vítima de um atentado em Ponta Porã, quando transitava pela avenida Brasil por volta das 23h30. Dois pistoleiros que estavam em uma motocicleta dispararam mais de 12 tiros de pistola 9mm contra o jornalista, que foi atingido por 5 deles.

Paulo não resistiu aos ferimentos e faleceu no Hospital Regional de Ponta Porá por volta das 4h20 desta segunda-feira. Segundo a polícia, o crime pode ter motivações políticas.

A FENAJ acredita que as autoridades policiais e judiciárias dos dois municípios se empenharão na elucidação dos dois crimes bárbaros e punição dos responsáveis, mas exige do Ministério da Justiça iniciativas para reforço das investigações e rápida apuração das responsabilidades por tais crimes.

Nos relatórios anuais produzidos pela FENAJ – e distribuídos às autoridades brasileiras – sobre violências cometidas contra jornalistas no Brasil, políticos regionais ou nacionais sempre figuram entre os principais agressores. Isso se confirmou no Relatório “Violência e Liberdade de Imprensa no Brasil”, relativo a 2010 e certamente o mesmo ocorrerá no relatório que a Federação está elaborando sobre as agressões cometidas contra jornalistas no ano passado.

Igualmente, no Relatório da FIJ relativo a 2011, o Brasil aparece entre os países com mais registros de morte de profissionais de comunicação. Tais dados, infelizmente reforçados pelo assassinato dos colegas Mario Randolfo Marques Lopes e Paulo Roberto Cardoso Rodrigues neste início de 2012, exigem medidas mais enérgicas para constranger a impunidade, especialmente do Governo Federal e do Congresso Nacional.

No dia 8 de fevereiro a Executiva da FENAJ discutiu com o deputado federal Delegado Protógenes (PCdoB-SP) iniciativas para ampliar o debate sobre o Projeto de Lei 1078/11, que propõe a federalização da apuração de crimes contra jornalistas. Avançar para uma rápida tramitação e aprovação de tal proposta, diante dos dois recentes casos de violência contra profissionais de imprensa, hoje se impõe não como um desejo corporativo, mas como uma necessidade premente de um país que realmente reconheça na liberdade de imprensa um pilar fundamental para o efetivo exercício da cidadania e da democracia.

Brasília, 13 de fevereiro de 2012.
Diretoria da FENAJ

CLUBE DE IMPRENSA DE DOURADOS COBRA RESPOSTAS DAS AUTORIDADES

O Clube de Imprensa de Dourados vem a público para condenar de forma veemente o atentado que tirou a vida do jornalista Paulo Roccaro, de Ponta Porã. O CID se alia neste momento às demais entidades e instituições que defendem a vida e o Estado Democrático de Direito, fazendo um coro no sentido de que este ato de violência seja esclarecido o mais rápido possível para que a vida não continue sendo banalizada na região de fronteira.

É bom que fique claro que matar jornalista não cala a imprensa, pelo contrário. Temos certeza e confiamos que as autoridades, de todas as esferas, darão uma resposta rápida em relação a este caso, até para não passar a impressão à população desta região, de que se vive numa terra sem lei. Ao lamentar a morte de um dos nossos – que é fundador e ex-presidente do Clube de Imprensa de Ponta Porã , transferimos a responsabilidade da elucidação célere do caso aos organismos de segurança pública.

Aos familiares, desejamos força neste momento de dor e reafirmamos o compromisso de mantermos viva a memória de nosso companheiro de profissão.
CLUBE DE IMPRENSA DE DOURADOS, em 13 de fevereiro de 2012

No centro com crachá, o jornalista Paulo Rocaro durante 3º Encontro de Jornalista de MS que aconteceu em abril de 2007 no auditório da Faculdades AEMS em Três Lagoas. Naquela oportunidade os palestrantes foram os jornalistas Caco Barcelos e a então prefeita Simone Tebet (Foto: Arquivo/Perfil News)

No centro, Paulo Rocaro com colegas da fronteira durante palestra que aconteceu em abril de 2007 no auditório da AEMS em Três Lagoas (Foto: Arquivo/Perfil News)

Ricardo Ojeda, quando recebeu o exemplar do livro

O jornalista Paulo Rocaro passeando no trem

Paulo Rocaro em Caco Barcelos durante o 3º  Encontro de Jornalista em Três Lagoas (Foto: Arquivo/perfil News)

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