17/09/2018 14h16

Jovem que foi a 1ª bebê de proveta em MS se casa em Campo Grande: ‘Costumo falar que sou milagre de Deus”

Noivo ficou muito emocionado e, desde o início do namoro, soube do procedimento inédito que foi feito para o nascimento dela

Redação

“O que Deus preparou é maravilhoso”. No altar, estas foram as palavras iniciais proferidas aos noivos, durante cerimônia no último sábado (15), em Campo Grande. E os dizeres poderiam claramente estar no passado, já que, há 24 anos, nascia a noiva após o procedimento que a tornou a 1ª bebê de proveta de Mato Grosso do Sul.

“Fiquei sabendo que ele [noivo] está lá dentro pilhado, nervoso e muito emocionado. Estamos juntos há 4 anos e meio. Me lembro exatamente no início, quando ele foi conversar com meus pais e eles disseram: olha, ela é muito preciosa pra gente, explicando as razões do meu nascimento”, relembrou ao G1 a farmacêutica Aline Caldas de Paula Neves, de 24 anos.

Na infância, ela diz que não entendia muito o que tinha ocorrido. No entanto, na adolescência conheceu mais sobre o assunto e nunca teve problemas ao dizer sobre o processo, atualmente conhecido como fertilização in vitro. “Costumo sempre falar que sou um milagre de Deus, porque na 1ª tentativa deu certo e, graças a ciência também, pela oportunidade de muitas mulheres serem mães”, avaliou.

Ainda conforme a farmacêutica, o termo “bebê de proveta” ainda causa estranheza em muitas pessoas, que logo pensar se tratar de “uma criança diferente”. “É apenas o método e sou muito agradecida aos meus pais, que deixaram de comprar a casa própria, na época, para realizar o sonho da maternidade. Quando minha mãe desconfiou que estava grávida, foi ao médico e sofreu fortes dores. Houve hemorragia e obstruiu uma trompa, tendo ela que retirar a do lado esquerdo”.

Temos depois, em uma nova tentativa, a trompa direita com o mesmo problema e forte hemorragia. “Uma das opções seria adoção ou a fertilização in vitro (método de proveta). Meus pais estavam com o dinheiro guardado para comprar a casa deles e foi tudo investido no procedimento. Na época, os medicamentos vieram dos Estados Unidos e meu pai ia até o aeroporto para retirar. Minha mãe então tomou inúmeras injeções hormonais. Foram colhidos 6 espermatozóides e injetados no útero. Somente um fecundou e cá estou eu”, brincou.

Infância

Com bom humor, Aline lembrou do tempo em que tinha 5 anos de idade e os colegas de sala não entendiam o que era uma criança de proveta. “Em sala de aula falávamos de gestação, eu falei para professora que fui feita em um tubo e todos riram de mim e eu chorei. Eu era criança e não entendia nada. Naquela época, meus pais começaram a me explicar sobre minha história. Com o tempo, entendi um pouco mais sobre mim”.

Em uma pasta vermelha, os pais de Aline, Regina Célia Caldas e Luiz Carlos de Paula Neves, guardam, com muito carinho e orgulho, diversos registros de fases da vida da filha, desde o dia em que Regina começou o tratamento de fertilização até momentos depois do nascimento.

Curiosidade

Os pais de Aline contaram ainda que, quando Aline nasceu, filas se formavam para conhecer o bebê de proveta. As pessoas, segundo eles, se aglomeravam tanto em frente a casa deles como na saída do hospital. “Ficava tudo cheio. O hospital, quando ela nasceu, colocou uma placa na frente dizendo que ninguém podia entrar”, lembrou Neves. “Tinha mãe que mandava o filho vir em casa para ver”, completou o pai. “Deviam achar que eu já tinha nascido grande, ou queriam ver se era de verdade”, brincou Aline.

(*) G1 MS

Noiva que foi o 1° bebê de proveta de MS se casou no final de semana — Foto: Graziela Rezende/G1 MS

Aline recorda de fotos de quando era criança — Foto: Maria Caroline Palieraqui/G1 MS

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