10/10/2019 11h24

Moça de 17 anos teve um bebê via cesárea e afirma que teria passado por um segundo procedimento cirúrgico para corrigir “erros” do primeiro; Hospital Nossa Senhora Auxiliadora nega e afirma que ocorreu uma “complicação decorrente da primeira cirurgia”

Gisele Berto

Uma jovem de 17 anos, que teve bebê no Hospital Nossa Senhora Auxiliadora no início de outubro, enviou um vídeo à redação do Perfil News reclamando de mau atendimento e de um procedimento que teria sido feito pós-parto para conter uma “hemorragia e tirar resto da placenta”.

B.F.C.S passou por uma cesárea no dia 2 de outubro. “Precisei fazer a cirurgia porque o nenê estava sentado e não nasceria normal”, contou, no vídeo.

Entretanto, enquanto estava na mesa de cirurgia, ela conta que ouvia o médico responsável pelo procedimento falando palavras bastante duras. “Ficava maldizendo, falando ‘desgraçado’, ‘capeta’, essas coisas. E eu repreendendo na minha cabeça, porque ele ia segurar uma criança”, contou.

Dois dias depois do parto, B. conta que notou que a barriga estava inchada e sentia dores. “Eu falei para a médica, mas ela zombou de mim, dizendo que era gases, e ainda me perguntou ‘quem manda querer cesárea?’. Eu respondi que eu não quis a cesárea, mas o bebê estava sentado”, lembra.

Segundo B., as enfermeiras insistiram com a médica para que ela investigasse a dor e ela enviou B. para um ultrassom. “Lá, descobriram que tinha ficado resto de placenta e uma bolsa de sangue na minha barriga e me mandaram para outra cirurgia”, conta.

De acordo com a jovem, os profissionais que se preocuparam com ela eram internos. “Só aqueles que estavam ali para aprender me trataram bem, os outros não estavam nem aí”, disse.

Hoje a jovem está bem, mas afirma que decidiu levar sua história a público para que outras mães não enfrentem a mesma situação.

No último dia 8 a jovem e seu pai registraram um boletim de ocorrência por “lesão corporal culposa”. No histórico da ocorrência eles dizem que a moça teria sido submetida a uma segunda intervenção cirúrgica devido a um “provável erro da parte dos obstetras” e que no documento “Resumo e Orientações de Alta” constava que a jovem teria sido submetida a um parto normal, o que não seria verdade.

A RESPOSTA DO HOSPITAL

O Perfil News encaminhou o vídeo à assessoria de imprensa do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora. Por meio da agência, a entidade nega que tenha havido erro na cirurgia de cesárea e afirma que ocorreu um “sangramento normal, hematoma na cavidade abdominal, diagnóstico pelo ultrassom”.

Ainda segundo a assessoria de imprensa, seria uma consequência do “risco da complicação decorrente da cirurgia cesárea”. “Ela voltou ao centro cirúrgico para lavagem da cavidade abdominal”, continua.

O Hospital diz que ela faz “acusações muito sérias” e que todos os procedimentos foram explicados à família. “Sobre o vídeo gravado, não é verdade sobre ‘restos cirúrgicos’. Isso não procede”, conclui.

O Perfil News mantém seu espaço aberto para que os profissionais citados no vídeo se manifestem, a qualquer tempo.


Boletim de Ocorrência registrado no último dia 8. Reprodução


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