A situação se dá considerando os estoques apertados na cadeia global e gargalos logísticos e de produção do setor

(*) Tissue on line

A Klabin e a Suzano, duas das maiores fabricantes brasileiras de celulose, estão vendo uma situação favorável para os preços da matéria-prima nos próximos meses. O cenário se dá, segundo executivos das companhias, considerando os estoques apertados na cadeia global e gargalos logísticos e de produção do setor, somados à demanda persistentemente aquecida por papel.

Dentre os fatores que contribuem para a alta das cotações, estão a falta de contêineres para transporte de celulose a compradores, clientes com estoques em alguns casos abaixo do normal e perspectiva de paradas para manutenção de concorrentes no Hemisfério Norte, que devem levar mais tempo que o esperado em decorrência dos efeitos de novas infecções por Covid-19.

“A demanda é sólida e apoia o aumento de preços em todos os mercados, produtos e geografias. O mercado está curto no lado da oferta”, comentou o diretor comercial da área de celulose da Suzano, Carlos Aníbal.

Segundo Aníbal, a Suzano encerrou dezembro com o menor nível de estoques de celulose de sua história, depois de passar os últimos dois anos diminuindo um volume excedente de 2 milhões de toneladas de seu inventário.

Beneficiando-se desse cenário favorável, a companhia deverá produzir mais celulose neste ano em relação às quase 11 milhões de toneladas fabricadas no ano anterior, que, por sua vez, foram 10% maiores do volume de 2019, aponta o executivo.

Já o diretor de celulose na Klabin, Alexandre Nicolini, afirmou que “o ambiente de negócios está bastante favorável nos próximos meses; isso leva a crer em mercado forte no primeiro e segundo trimestres. O ano deve ser bastante favorável para indústria de celulose”.

Em sua visão, novas capacidades de produção de celulose que serão ativadas mais no fim do ano na indústria global não devem impactar de maneira desfavorável o equilíbrio entre oferta e demanda em 2021.

Por fim, na área de papel para embalagens, principal setor de negócios da Klabin, as expectativas também são positivas, em virtude, principalmente, do aumento da demanda gerada pelo crescimento do e-commerce, decorrente das medidas de isolamento social contra a Covid-19.

“O consumo de caixas no Brasil está lá em cima. Os estoques estão baixos. É um cenário de reposição de preço acima da inflação que deve continuar por mais alguns meses”, declarou o diretor da área de papéis da Klabin, Flávio Deganutti.

(*) Diário do Comércio – Reuters

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