27/09/2019 07h41

A empreendedora tem uma equipe de 70 pessoas e ensina a ganhar dinheiro em tempos de crise e desemprego. “A pessoa que fala que não sabe vender é a que mais vende; é um mistério”, diz.

Gisele Berto

Algumas coisas não saem da moda. São atemporais, ou seja, transcendem a época em que foram criadas. Outras, ainda, são tão boas que viram sinônimo de produto. A marca norte-americana Tupperware, criada em 1940, consegue unir as duas características.

A importância desses potes que passam por gerações de famílias é tanta que até música-paródia eles ganharam. A dupla Victor Gregório e Marco Aurélio já pedia, em tom de sátira, para que a moça devolvesse os “tupperware” da mãe. “Pode ficar com tudo que você quiser, só me devolve os tupperware da minha mãe da minha mãe”, diz a letra.

Mais do que “potes plásticos”, Tupperware acabou se transformando em “grife”, sinônimo de produto. E foi com base nessa credibilidade que a três-lagoense Bárbara Cavalcante embarcou na venda dos produtos.

A história dela com os Tupperware começou em 2013, quando ela conheceu os famosos potes na loja de uma amiga. “Eu fui trabalhar em uma loja da Tupperware aqui em Três Lagoas, me apaixonei pelos produtos e comecei a revender”.

Depois disso, além da paixão pelos produtos veio uma descoberta: ela viu que podia ganhar dinheiro com aquilo e fazer da venda porta a porta uma profissão. “É minha única fonte de renda”, conta.

OPORTUNIDADES

O mercado de venda direta (ou porta a porta) emprega, no Brasil, cerca de 4,1 milhões de pessoas. Normalmente ele começa como a segunda fonte de renda da família ou um complemento de salário, mas pode tornar-se a principal fonte de renda.

E tem muita gente ganhando dinheiro com isso: em 2017 esse setor movimentou R$ 45 bilhões. O Brasil é o 6º país do mundo que mais vende nesse sistema.

No caso de Bárbara, vender Tupperware nunca foi o plano B. As margens de comissão são altas e, além disso, os consultores acabam ganhando muitos produtos como brinde – e podem revendê-los, conseguindo ganhar 100% em cima da venda. “Como consultora eu ganho 26,5% de tudo que o vendo. Com os brindes podemos fazer um bom dinheiro sem ter que investir em nada”, diz.

O CÉU É O LIMITE

Hoje Bárbara é líder da equipe Infinito. Administra um grupo de cerca de 70 consultores de várias cidades do Mato Grosso do Sul. Ela afirma que seus consultores chegam a tirar mais de R$ 1500 apenas com comissões.

Como líder, os ganhos são altos. Em um mês bom, o faturamento pode alcançar os R$ 3700, além das comissões e participações nas vendas da equipe. Para ser líder é necessário atingir algumas metas, mas Bárbara diz que vale a pena. “Você faz o seu salário”, ensina.

Um dos consultores de Bárbara, Wanderson está prestes a começar a liderar sua própria equipe. “Comecei como consumidor e já estou na Tupperware há um ano e meio”, conta. Ele já ganhou (ou “conquistou”) viagens e capacitações pela empresa.

Para ele, trabalhar com Tupperware não é um “acréscimo na renda”, mas sim um segundo emprego.

É PARA QUEM PODE – E PARA QUEM QUER!

Bárbara afirma que o método de venda já ultrapassou o sistema porta a porta. “Trabalhamos muito com reuniões de demonstrações, mas também temos muita divulgação pela internet”, diz. “Quando eu vou passar oportunidade para alguém se tornar um consultor e a pessoa fala que é tímida, que não sabe vender, já sei que são essas as pessoas que mais vendem. Não sei o que acontece, é um mistério”, diverte-se. “Elas sempre se saem bem”, diz.

VIAJANDO NA TUPPERWARE

Bárbara se orgulha de ter ido longe com seus Tupperware. Fez várias viagens para congressos e encontros. A primeira foi para São Paulo, onde participou de um jantar de gala no Grand Hyatt. “Ganhei uma TV neste dia”, lembra.

Ela ficou entre os 110 melhores líderes do Brasil e fez uma viagem dos sonhos: passou seis dias em Nova York, onde conheceu o Memorial onde ficavam as Torres Gêmeas, visitou o Central Park, o Empire State Building, a Time Square, jantou no Planet Hollywood e no Hard Rock e assistiu o musical do Aladdin na Broadway.

Além disso, já foi para Poços de Caldas, ficou em um Resort na Costa do Sauipe, na Bahia, e em Bonito. Tudo por conta da empresa dos “potinhos”.

OS QUERIDINHOS

Todo mundo tem um Tupperware de estimação, mas alguns são mais queridinhos que outros. Agora, segundo Bárbara, o mais amado é o Turbo Chef, um pequeno milagre que tritura alho e cebola em segundos, sem usar energia elétrica – é só puxar uma cordinha.

Potes tradicionais, como os quadrados e “porta-tudo” continuam na moda. Mas cada um tem a sua função, como explica a líder: “Eu gosto da linha SuperChef, com produtos que ralam e fatiam de acordo com a sua necessidade. Mas também tem as peças quadradas, recomendadas para guardar alimentos crus, verduras e legumes; e peças redondas para guardar alimentos cozidos”, diz.

Também há peças para colocar massa de tomate. “Aquela que sobra no saquinho, geralmente fica na geladeira e depois vai para o lixo. Ou sobra de creme de leite e leite condensado. Tem peças para tudo”, diz.

COMO FAZER PARTE

Se você se interessou e quer fazer parte da equipe da Bárbara, entre em contato com ela pelo telefone (67) 99130-2285.

Como uma das 110 melhores líderes do Brasil ela foi para Nova York com tudo pago. Fotos: Arquivo Pessoal

Bárbara (de azul) e seu filho (ajoelhado): o apoio da família é imprescindível. Fotos: Arquivo Pessoal

Bárbara (à frente) com seu distribuidor de Campo Grande, Ricardo Novaes, e a esposa, Juliane Vendrame, Gerente de Vendas da Tupperware.

Bárbara e Wanderson, que se tornará líder.

Casa de ferreiro, espeto de pau? Nada disso. Na casa de Bárbara tem Tupperware pra todo lado.

A equipe Infinito, time de Bárbara - e sua filha, com vestidinho de Frozen.

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