Atacante que foi destaque do São Bernardo em 2007 enfrentou a doença, passou por clubes no Brasil e no exterior e agora, aos 31 anos, prepara-se para estrear no Azulão

Treze anos depois de brilhar e ser artilheiro na Copa São Paulo de Futebol Júnior pelo São Bernardo, o atacante Rafinha, de Três Lagoas, quer reencontrar seus bons momentos no futebol, desta vez pelo São Caetano.

Rafinha viveu momentos de glória após a competição de juniores: chegou a ser contratado com pompa pelo Cruzeiro e vestiu a camisa do Corinthians. Depois passou pelo Santo André, Caxias-RS, Juventus, América-SP, Guaratinguetá, União Barbarense.

Foto: Divulgação

Em 2018 chegou aos Estados Unidos, onde defendeu o Boca Ratón. No entanto, um inimigo implacável fez jogo duro com ele: a depressão. Hoje, aos 31 anos, diz que está livre da doença e busca recomeçar sua carreira no São Caetano, que o contratou até o fim do ano.

Mantendo a forma em Três Lagoas

Rafinha viu as portas do Azulão se abrirem por meio dos presidentes Carlos André (do social) e Carlos Silva Oliveira (do futebol), a quem não mede as palavras de agradecimento. Quando chegou, estava pesando 90 kg e havia certa desconfiança se conseguiria voltar ao peso ideal. Um mês depois, emagreceu 12 kg e, desde então, vem mantendo a forma física, mesmo durante a quarentena do novo coronavírus, que o fez contratar um personal em Três Lagoas para seguir com os treinos.

“Conversei com doutor André e com o Carlos, disse que estava focado. Eles me deram voto de confiança e não se arrependerão. Fui para São Caetano, em um mês perdi o peso que precisava e estou treinando forte em Três Lagoas, sei que tudo vai dar certo. Estou muito feliz com a volta”, exaltou o atacante, que teve apresentação adiada em razão da quarentena. “Meu plano é fazer o que mais gosto e que senti falta, que é jogar futebol, jogar em alto nível esses cinco, seis anos que ainda tenho de carreira. Não sei se vou poder jogar o resto da A-2 (do Paulista), mas se Deus quiser fazer grande Brasileiro (da Série D) e buscar os acessos, para mostrar o que sei. Futebol eu tenho, só precisava dessa oportunidade. Quero ser feliz nestes anos que tenho de carreira.”

Vida dura

Algumas experiências vividas na infância deixaram marcas em Rafinha. O assassinato do irmão, a fuga do pai de casa após esfaquear a mãe, além de duas tentativas de suicídio. Ainda assim, teve grande atuação pelo São Bernardo na Copinha de 2007, que lhe abriu portas no Cruzeiro.

Pouco aproveitado, porém, seguiu ao Corinthians. “Quase ninguém sabia que eu tinha problema de depressão. Tinha vergonha (de falar), porque na época quem tinha depressão era discriminado. Não é igual hoje, que é a doença que mais mata no mundo. Na época tinha discriminação. Quando fiquei sabendo que ia ser pai, decidi procurar ajuda, fiz tratamento”, contou.

A doença psicológica e algumas lesões fizeram com que Rafinha não tivesse espaço no Timão. De lá, foi emprestado a alguns clubes, mas os problemas persistiam. “Muitas pessoas perguntam se tenho vergonha de ter jogado carreira fora. Digo que não, porque tinha uma doença que não controlava justamente por ter vergonha.”

Meu filho, meu remédio

Segundo o atacante, porém, seu filho, Breno Henrique, foi como “um remédio enviado por Deus”. Desde então, conseguiu controlar a doença, mas teve de lidar com as memórias do passado que o acompanhavam “Tentei retomar carreira, mas por causa do problema (depressão) acabei fechando muitas portas no Brasil. Todos sabiam da minha qualidade, mas sabiam dos problemas pessoais”, disse. “Por causa daquele passado as pessoas não abriram portas para mim. Por isso, fui para fora”, contou. Ele seguiu para Portugal, mas o negócio não deu certo. Depois de mais algumas tentativas, encontrou chance no Boca Ratón, dos Estados Unidos. Agora, busca recomeçar no Azulão. “Com o que sei fazer em campo, as oportunidades virão e tudo vai acontecer de novo.”

*Informações do Diário do Grande ABC

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