01/09/2014 16h08 – Atualizado em 01/09/2014 16h08

O presidente da Fiems apresentou sondagem da CNI sobre o tema no seminário “Terceirização e o STF – O que esperar?”

Da Redação

Durante o seminário “Terceirização e o STF – O que esperar?”, realizado nesta segunda-feira (01/09), na sede da Fecomércio-SP, em São Paulo (SP), o presidente da Fiems, Sérgio Longen, reforçou, ao apresentar a Sondagem Especial da CNI sobre o tema realizada neste ano, a importância do uso da terceirização para a competitividade das indústrias. “O evento integra a ampla discussão que está sendo realizada em todo o Brasil sobre terceirização em parceria com a CNC (Confederação Nacional do Comércio) e Fecomércio-SP. Hoje, demos um importante passo para que as propostas sobre o assunto fiquem mais claras, deixando de ser vista como uma questão negativa para o trabalhador. Em hipótese alguma o trabalhador vai perder os seus direitos”, declarou.

Sérgio Longen reforça que todos já entendem que a terceirização é essencial para o desenvolvimento do Brasil há muito tempo. “Com certeza, a terceirização já é utilizada em todas as esferas dos governados federal, estaduais e municipais, nas empresas e até no Poder Judiciário. E, com certeza, só tem a contribuir com a competitividade do setor industrial e também de outros setores da economia brasileira. A terceirização só melhora a competitividade, mas precisamos de regras claras para evitar a insegurança jurídica dos empresários”, pontuou.

A SONDAGEM

A coleta de dados foi realizada no início deste ano, entre 6 e 16 de janeiro, e responderam à pesquisa empresas dos subsetores da indústria da transformação, da indústria extrativa e da construção, sendo que, no total, participaram 2.330 empresas, sendo 865 pequenas indústrias, 895 indústrias de médio porte, além de 570 grandes grupos industriais. “A sondagem é um retrato claro e atual da visão que as empresas têm sobre a terceirização, ou seja, de que uma ferramenta essencial para as empresas serem competitivas. Por meio dela, verificamos que a terceirização é uma forma de gestão do processo produtivo que já foi incorporado há muito tempo pelas empresas no País, sendo, pois, fundamental na estratégia de negócios de uma empresa”, detalhou Sérgio Longen, completando que, dentre as indústrias participantes da pesquisa, mais de 2/3 contrataram empresas prestadoras de serviços, nos últimos 3 anos.

No atual modelo produtivo, conforme a sondagem, a maior parte das grandes indústrias já se utilizou de alguma forma de terceirização. “Efetivamente, 484 empresas, o que corresponde a 84,9 % do total de grandes empresas, contrata ou contratou nos últimos três anos serviços especializados. Entre as médias empresas esse percentual correspondeu a 74,2%, enquanto entre as pequenas indústrias, 55%. Hoje, portanto, não temos dúvida de que a terceirização é um fenômeno irreversível no Brasil e no restante do mundo. Ela está presente, em maior ou menor escala, em praticamente todas as redes de produção”, analisou.

LEVANTAMENTO

O presidente da Fiems acrescentou que nada menos que 62,1% das empresas que utilizam serviços terceirizados pretendem manter o volume desses serviços e 21,9% esperam aumentar o uso da terceirização, enquanto a minoria, que não chegou nem a 15% das indústrias respondentes, vislumbra uma redução no uso da terceirização. “Tais estatísticas revelam que empresas de todos os portes estão mais atentas aos ganhos de eficiência, produtividade e competitividade obtidos com o processo de terceirização, de forma que o volume de serviços terceirizados contratados será mantido ou aumentará nos próximos anos para a maioria das indústrias”, pontuou.

Ele avalia que, pela sondagem, é possível notar que a importância da terceirização de etapas da cadeia produtiva, de modo que se pode confirmar a terceirização como forma de gestão essencial para as empresas obterem melhor técnica, tecnologia e eficiência para enfrentarem o desafio da competitividade. “É importante que fique claro o registro de que a terceirização ocorre em atividades diretamente relacionadas ao negócio, não apenas em serviços de apoio. a escolha do que terceirizar faz parte da estratégia e dinâmica da atividade econômica e pode variar de acordo com o momento, circunstância ou de qualquer outro fator que exige que a empresa se reorganiza para ter competividade no mercado global”, ressaltou.

IMPACTO

Sérgio Longen pontua que essa clareza é essencial até para que se perceba o tamanho do impacto sobre a indústria caso a terceirização fosse proibida. “Nesse sentido, a realidade revelada pela sondagem é bastante delicada. Nada menos do que 42% das indústrias afirmam que perderiam competitividade em caso de proibição da terceirização. Já 15,4% das indústrias responderam que, caso a terceirização fosse proibida, uma ou mais linha de produtos seriam totalmente inviabilizadas. Ou seja, no total, 57,4% das indústrias sofreriam graves impactos negativos”, informou.

De acordo com o presidente da Fiems, todo o movimento contra a terceirização é fruto de uma boa dose de mitificações e preconceitos, enfim, de desconhecimento da realidade. Por sua vez, completa, a tentativa de enquadrar a terceirização em uma fórmula que a reduz à mera contratação de serviços de apoio, gera, por consequência, diversos problemas e um ambiente de insegurança jurídica. “Não por menos a principal dificuldade abordada pelas empresas em relação à terceirização foi justamente a insegurança jurídica e/ou formação de passivos trabalhistas”, alegou.

Ele reforça que o tema, portanto, deve ser tratado adequadamente, seguindo as seguintes premissas: permitir a terceirização em qualquer atividade para que seja possível ampliar a competitividade estratégica e a geração de empregos; e que a terceirização seja bem feita, executada com todos os trabalhadores sob estrita proteção legal, com bases sólidas para o cumprimento das obrigações e direitos de todos os trabalhadores envolvidos. “Enfim, a terceirização é forma de gestão do processo produtivo sobre a qual é importante ter discussões distantes de preconceitos e mitos, para se avaliar os impactos resultantes dos possíveis rumos que o tema possa tomar. As empresas são a favor da terceirização e da competitividade e, portanto, contrária à informalidade, à desproteção e à precarização”, finalizou a participação no evento, que teve as participações do vice-presidente da Fecomércio-SP, Manuel Farias, do diretor da CNI, Paulo Afonso, e do presidente da Febraban, Murilo Portugal.

(*) Com informações de Assecom Fiems

A coleta de dados foi realizada no início deste ano, entre 6 e 16 de janeiro, e responderam à pesquisa empresas dos subsetores da indústria da transformação, da indústria extrativa e da construção (Foto: Divulgação/Assecom)

No atual modelo produtivo, conforme a sondagem, a maior parte das grandes indústrias já se utilizou de alguma forma de terceirização (Foto: Divulgação/Assecom)

Comentários