06/04/2018 15h53

Médico de Lula pede desfibrilador: ‘A pressão está alta e ele, emocionado’

Redação

Na sala 207, no segundo andar do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, Luiz Inácio Lula da Silva está abatido e com a pressão alta. Por volta das 15h, o médico Gustavo Johnen pede que o enfermeiro com o desfibrilador fique por perto. “Ele está muito emocionado, é diabético e a pressão está alta”, diz o médico. Lula já comunicou a todos que só vai tomar a decisão do que vai fazer nos últimos minutos.

A ordem emitida pela Justiça de Curitiba é a de que o ex-presidente se entregue até as 17h.
A reportagem da Universa UOL está na sala e acompanha o desenrolar dos
acontecimentos.

Dividido em cômodos, o espaço abriga cerca de 100 pessoas. Por lá, estão amigos e
apoiadores, como a pré-candidata à presidência Manuela d’Ávila (PDdoB), o também pré-
candidato e líder do MTST Guilherme Boulos (PSol), a colega de partido e ex-Ministra da
Secretaria de Políticas para Mulheres Eleonora Menicucci, a filósofa Márcia Tiburi, exMinistro
Celso Amorim, a deputada-federal Maria do Rosário (PT), a presidente do PT
Gleise Hoffman e um dos fundadores da Midia Ninja Pablo Capilé e o vereador Eduardo
Suplicy (PT).

Um a um, eles entram e saem do segundo ambiente, onde o ex-presidente permanece.
Quem aguarda no segundo ambiente, se mostra apreensivo, mexendo no celular a todo o
momento. Em tom de brincadeira, deputados e vereadores tiram a pilha do relógio de
parede para evitar o fatídico horário limite.

Ao lado do médico, em uma sala sem adornos, que conta apenas com duas garrafas
térmicas abastecidas de café, Lula demonstra estar há muitas horas sem dormir. Tem
olheiras profundas e se abastece com água mineral.

Em meio às visitas, a cineasta Petra Costa e uma cinegrafista circulam livremente e
captam todos os detalhes para um documentário sobre o impeachment da ex-presidente
Dilma Rousseff, que vai ser lançado em agosto.

A movimentação é acompanhada de uma trilha sonora vinda do andar debaixo. Um grupo
da juventude petista protesta com tambores ao som de funk e hits da Anitta. “Não à prisão
de Lula, abaixo o golpe. Vai dar PT, vai dar.”

Um lanche é servido às 15h30. Sim, pão com mortadela. Para beber, apenas suco,
refrigerante, água e café. Nada alcoólico. A todo momento, Lula tira sefies com os
conhecidos que vão chegando. Um casal traz um bebê de 10 dias para receber um beijo do
ex-presidente. Dois senhores comentam: “Quem diria, hein? Quarenta anos depois, a
gente tá aqui no sindicato de novo, e o Lula com um mandado de prisão.”

Uma hora antes do prazo final, vereadores e deputados do PT se reúnem no que está
sendo chamada de “Reunião da Bancada”. Eles informam que os advogados do expresidente
querem que ele se entregue.

Alguns minutos se passam. Lula vai para uma sala com os advogados

(*) UOL.Com

Lula no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (Foto/Divulgação)

Comentários