10/11/2006 09h57 – Atualizado em 10/11/2006 09h57

Cosmo online

A dona de casa Elisângela Rosa de Paula Oliveira, de 25 anos, que confessou ter assassinado com uma serra elétrica os seus dois filhos na tarde de terça-feira, em Jundiaí, foi espancada pelas presas da Cadeia Pública Feminina de Itupeva, para onde foi encaminhada na noite de quarta-feira. Elisângela só conseguiu escapar com vida porque os policiais a socorreram rapidamente e evitaram o seu linchamento. “Se nós não chegássemos rápido ela estaria morta” , contou o delegado Gilmar Marto Monteiro, que também é o diretor da cadeia. A moça foi transferida para o local na noite de quarta-feira depois de ser presa em Bauru, um dia depois de ter matados os filhos Vinícius de Paula Oliveira, de 6 anos, e Thais de Paula Oliveira, de 1 ano e 7 meses. A crueldade com que a mulher cometeu o crime revoltou as 48 presas que estavam na Cadeia de Itupeva, cidade vizinha de Jundiaí. “As presas não aceitam uma coisa dessas. Todas são mães e não entenderam o crime” , acrescentou o delegado. Monteiro explicou que a moça passou a noite em uma cela sozinha, mas que durante a manhã teve contato com as detentas, que a agarraram pelas grades da cela. “Nós a levamos para o Pronto Socorro, ela foi medicada e transferida para a cadeia mais próxima, que é a de Bom Jesus dos Perdões” , completou o policial. De acordo com ele, Elisângela sofreu várias escoriações pelo corpo, mas os ferimentos foram leves. A mulher, que freqüenta a igreja evangélica “Deus é Amor” , está em uma cela individual. A cadeia de Bom Jesus dos Perdões tem capacidade para abrigar 12 mulheres, mas acomodava 60 na tarde de ontem. De acordo com um carcereiro do local, a dona de casa ficou a maior parte do tempo quieta e não falou sobre o crime. Ela está comendo normalmente e ainda não recebeu a visita dos familiares. “Nós temos que garantir a integridade física dela, mas mais cedo ou mais tarde as outras presas vão descobrir o que aconteceu porque o crime que ela cometeu teve repercussão nacional” , comentou o carcereiro. O crime chocou os policiais das duas cadeias por onde a mulher passou. “Já vi mãe matar filho, mas um crime como esse nunca tinha ouvido falar. Eu que tenho filhos e neto fiquei chocado ao ouvir o relato” , contou o delegado de Itupeva, que tem 34 anos de polícia. O crime que chocou a região ocorreu na tarde de terça. Elisângela foi buscar as crianças na escola e por volta das 14 horas colocou uma música alta, pegou uma serra elétrica da oficina que o marido, o serralheiro Gilmar de Paula Oliveira, mantém nos fundos da casa e degolou o filho de seis anos. De acordo com seu depoimento na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí, ela teria deitado Vinícius na cama e cortado o seu pescoço. Thais teria presenciado a cena e, assustada, fugiu. A menina foi pega pela mãe na cozinha, que a levou de volta para o quarto e a matou usando a mesma arma. Apesar dos gritos das crianças, o crime só foi descoberto quando o pai delas voltou do trabalho. Ele encontrou os filhos mortos e chamou a polícia. Ainda segundo o depoimento, depois de cometer o crime Elisângela tomou banho, pegou dinheiro e fugiu para a Capital. Lá ela pegou um ônibus para Bauru e foi presa depois de ligar para a família. Ela teve a prisão temporária por 30 dias decretada pela Justiça, mas deve responder ao processo por duplo homicídio duplamente qualificado atrás das grades.

Comentários