15/10/2015 16h13 – Atualizado em 15/10/2015 16h13

Número é maior do que o de adolescentes com 17 anos. Profissionais da educação ajudam adultos que voltam a estudar.

Da Redação

Entre os 7.746.118 inscritos para o Enem, 1.120.409 já passou dos 30 anos, de acordo com o Ministério da Educação e o Inep. O número é maior que o de adolescentes com 17 anos, idade em que muitos concluem o ensino médio. Professores têm papel fundamental para ajudar esses adultos a realizar o sonho de voltar a estudar.

O desempenho dos mais novos está melhor. No Enem do ano passado, eles tiveram notas maiores em três provas. Já os veteranos se deram bem nas ciências humanas.

O professor de física, Ale Eduardo, que se reveza em escolas e salas diferentes, desenvolveu quase uma fórmula para entender os alunos: “Quem passou dos 30 anos apreende devagar, mas tem muita vontade de aprender, então no final das contas se iguala”.

Depois de 20 anos, o eletricista de automóveis, Jaime Santos da Silva, voltou a estudar. Quando sobra um tempinho em casa, ele assiste ao vídeo-aula. “Quando comecei, fiquei com medo. Pensei que ia dormir na sala de aula ou ia ficar fazendo muita pergunta para os professores”, relata.

Medo vencido, Jaime está terminando o cursinho para o Enem. Ele quer ser fisioterapeuta e trabalhar com o filho: “Ele fez educação física, então a gente conversa a mesma língua, pode trabalhar junto. Os moleques não vão na onda da gente, a gente que vai na dos moleques”.

O professor de química, Antônio Borges Pereira, que tem 20 anos de profissão, dá aulas para alunos que voltaram a estudar depois de muito tempo longe dos livros. Ele sabe que os trintões e quarentões também viram um pouco professores quando voltam a ser alunos. “Não existe idade para não querer aprender ou aprender. Eu acho que a experiência conta muito quando os alunos voltam para a sala de aula, eles têm experiência de vida que ajuda, inclusive, o professor. Coisas que eles trabalham, profissões que eles trabalham, acabam contribuindo também”, afirma.

O técnico de optometria, Antônio Marques da Silva Neto, ainda guarda a propaganda do cursinho de graça, o primeiro degrau para a faculdade de optometria e curso no exterior. A motivação dele é bem diferente da juventude: “Naquele tempo era estudar por estudar. Hoje não, é estudar porque preciso aprender mais”.

A professora de literatura e redação, Susy Ferro, que tem só quatro anos de sala de aula, tem a satisfação de ajudar cada aluno.

(*)G1

Os 7.746.118 inscritos para o Enem, 1.120.409 já passou dos 30 anos (Foto:G1)

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