22/06/2015 16h31 – Atualizado em 22/06/2015 16h31

Com o avanço tecnológico e varejista, profissionais lutam com a concorrência e sofrem para manter as portas abertas

Lucas Gustavo

Conforme a tecnologia avança, novas profissões surgem e outras desaparecem. Porém, algumas delas se mantêm até os dias de hoje sem perder o valor histórico. Em uma era em que o mundo pode ser carregado no bolso e que tudo é substituível, sapateiros, alfaiates e donos de lojas de consertos eletrônicos tentam se adaptar às atuais tendências do mercado de trabalho, conforme registrou a reportagem do Perfil News.

‘’Houve um tempo em cheguei a contratar pessoas de fora para suprir a grande demanda de fregueses’’. A recordação é do sapateiro Francisco Ferreira Filho, de 52 anos, que atua desde 1981 no ramo de fabricação e consertos de calçados. O estabelecimento ainda fica no centro de Três Lagoas, mas, hoje, a realidade financeira é outra. Com a queda na procura por seus serviços, o profissional precisou dispensar os funcionários e passou a trabalhar com o auxílio de familiares.

De acordo com Francisco, no passado, a fabricação de calçados se mantinha como o ‘’carro chefe’’ de seu comércio. Atualmente, o público tem o procurado apenas em busca de pequenos consertos e reparos.

‘’No início, a concorrência era menor; não existiam tantas lojas como no presente. Nossos principais clientes eram fazendeiros e pecuaristas da região que pediam sapatos sob medida. Hoje não se vê ninguém encomendar a produção de um calçado’’, afirmou.

Além de recuperar sapatos, Francisco teve de apostar nas vendas para custear as despesas de seu estabelecimento e mantê-lo aberto. Mesmo com a redução de fregueses, ele se diz orgulhoso da profissão que herdou do pai.

‘’O problema é que tudo se tornou descartável. Me considero sobrevivente e feliz demais em saber que possuo um dos primeiros ofícios artesanais do mundo. Colaborei, literalmente, para que a caminhada de muitos se tornasse mais confortável’’, revelou o sapateiro.

Alfaiate

Há 30 anos na profissão, o alfaiate Adivanio Rosa de Freitas diz sentir saudades da época em que era procurado frequentemente para a confecção de ternos e camisas. Desde 1996 com seu ateliê montado em Três Lagoas, ele considera que muitos fatores e princípios foram modificados na sociedade desde a fundação de sua loja até os dias atuais.

‘’O público mudou. Antes, apenas homens vinham encomendar vestimentas; hoje, são as mulheres quem predominam a freguesia. Tive que investir na reforma de roupas, pois a fabricação já não supria meus gastos. O meu maior receio é que essa profissão se acabe, pois são poucos os que têm interesse em herdá-la’’, destacou o Adivanio. ‘’

Consertos eletrônicos

Proprietário da Dony Eletrônica e Informática, há três décadas, Benedito da Silva, de 59 anos, relembra, com tristeza, a época em que faturava muito com o conserto de equipamentos eletrônicos. No passado, ele já chegou a ter 17 funcionários em exercício, hoje, tem apenas um.

Dony, apelido pelo qual Benedito é conhecido, contou que seu lucro não se aproxima nem de 20% do que recebia anos atrás. Para reverter o quadro, o comerciante introduziu vendas de peças no estabelecimento. Ele atribui a baixa procura por seus serviços à facilidade atual de se conseguir um crediário para a compra de um produto.

‘’Pretendo deixar os consertos e trabalhar apenas com vendas. O que acontece é que o valor que se gasta para reparar um equipamento pode ser usado como entrada para a aquisição de um novo; o restante da dívida pode ser parcelado em várias vezes; Isso faz com que o consumidor se desfaça de vez do produto quebrado’’, avaliou ele.

Francisco Ferreira Filho, sapateiro. (Foto: Lucas Gustavo).

Adivanio Rosa de Freitas, alfaiate. (Foto: Lucas Gustavo).

Eletricista Benedito da Silva, o ''Dony''. (Foto: Lucas Gustavo).

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