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sábado, 4 de abril de 2026

Ministério da Educação divulga resultado do Enade

04/05/2005 10h04 – Atualizado em 04/05/2005 10h04

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O Ministério da Educação divulgou nesta terça-feira o resultado do primeiro Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). A prova foi aplicada em novembro de 2004, em 2184 cursos em 13 áreas concentradas em saúde e ciências agrárias. É a primeira vez que se avalia o desempenho de alunos que entram e estão concluindo o curso. Metade dos cursos avaliados obteve conceitos superiores, (4 e 5). Só 2,6% dos cursos obtiveram o conceito mais baixo (1).

Dos cursos com conceitos superiores, 28,4% são de instituições federais e 52,2% de instituições privadas. O restante está em instituições estaduais e municipais. Nas áreas de medicina (88,9%) e terapia ocupacional (89,8%) se concentram os cursos com conceitos mais altos.

Uma das conclusões marcantes do Enade é que houve uma diferença muito pequena de desempenho entre os estudantes ingressantes e concluintes na parte de formação geral. A prova é única para os dois grupos. Para o ministro Tarso Genro, isso mostra que o curso superior agrega pouco em termos gerais na formação. “Isso é um indicativo para que não adotemos a política do foco. Temos que investir em todos os níveis da educação”.

A prova teve 10 questões de formação e 30 de componentes específicos da área e foi comum a formandos e concluintes. Participaram do exame 59,8 mil alunos concluintes de curso superior em 13 áreas.

A avaliação – Criado no ano passado pelo Ministério da Educação para substituir o antigo Provão, o Enade chegou apresentando mudanças. Em vez de avaliar os formandos de cada área todos os anos, este se propõe a analisar o resultado dos estudantes por uma amostra dos formandos e dos alunos do primeiro ano, a cada três anos. A intenção, diz o ministro Tarso Genro, é avaliar todo o sistema, mostrando o conhecimento que o estudante agrega ao longo do curso.

Outra diferença é a maneira que os conceitos são dados às instituições. Apesar de ter cinco níveis, como o Provão, no novo sistema o conceito não tem um número predeterminado de cursos classificados em cada conceito, como o Provão.

No entanto, o ponto mais defendido pelo ministro Tarso Genro é o fato do Enade ser parte de um sistema que envolve uma auto-avaliação das instituições e uma avaliação das condições de infra-estrutura do curso feitas pelo MEC. “Esse conjunto é que dará o conceito final do curso”, afirmou Tarso. As duas avaliações já existiam no governo anterior, mas a auto-avaliação não entrar no conceito final.

Desigualdades – O perfil dos estudantes de nível superior que fizeram a prova mostra que há desigualdades socioeconômicas nas universidades. Segundo o diretor de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Dilvo Ristoff, 26% dos alunos ingressantes são de famílias com renda superior a 10 salários mínimos.

O percentual de alunos cujas famílias estão nessa faixa de renda sobe para 35% entre os que estão concluindo o curso. E é inversamente proporcional entre os alunos negros e pardos. Ao mesmo tempo, esse grupo tem menor representatividade entre os ingressantes, 4,6%, e entre os concluintes, 2,8%. “Os dados revelam a necessidade de políticas afirmativas, sob pena de a universidade reproduzir as desigualdades fora dela”, disse o ministro Tarso Genro.

Quase todos os estudantes avaliados têm acesso à Internet e usam o computador para fazer os trabalhos escolares. A principal fonte de informação é a televisão e mais da metade deles lê, no máximo, dois livros por ano, além daqueles estipulados pelos professores. “O Enade demonstra que essa avaliação é um conjunto de aspectos positivos e um conjunto de problemas. Problemas graves como o das bibliotecas, uma exigência frontal dos alunos”, constatou o ministro.

Bolsas – Os alunos que tiraram nota máxima terão direito a bolsa de estudo para pós-graduação, mestrado ou doutorado concedida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O diretor de Programa da Capes, José Fernandes de Lima, disse que o objetivo é levar os estudantes que poderiam não estar interessados em fazer pós-graduação, mestrado ou doutorado ou até poderiam não ter conhecimento dessas bolsas. “Vamos contemplar todos aqueles que se destacaram em cada uma das áreas de conhecimento”, afirmou.

Lima explicou que, com a bolsa concedida pela Capes, o candidato não precisa disputar vagas em programas de aperfeiçoamento superior. “Sendo primeiro colocado no Enade, ele já tem o direito à bolsa. Só precisará escolher para onde quer ir”, destacou.

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