28/03/2019 09h03

Tribunal de Justiça também mandou anular as contratações para as vagas de agente de zoonoses, motorista e técnico em radiologia por erros na prova prática

Gisele Berto

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo reconheceu, em decisão publicada ontem, 27, que houve fraudes no Concurso Público de 2014, em Castilho.

O Ministério Público havia pedido o cancelamento integral do concurso, alegando que o ex-prefeito de Castilho, Joni Marcos Buzachero, contratou a empresa Persona Capacitação apesar de saber que ela era conhecida por indícios de fraudes em outros concursos.

O MP pediu que o ex-prefeito e a empresa que organizou o concurso fossem condenados por improbidade administrativa.

Na decisão, o Juiz Rodrigo Ferreira Rocha não acatou o cancelamento do processo como um todo, mas reconheceu que houve fraude. “Ele foi claramente fraudado: há provas robustas de que, em relação a determinados candidatos, houve algum tipo de beneficiamento para sua nomeação e aprovação no concurso público”, afirmou o juiz.

Na sentença, o juiz afirmou que “em relação aos cargos de agente de zoonoses, motorista e técnico em radiologia, o certame há de ser anulado, haja vista que a segunda prova prática, classificatória e eliminatória não avaliou objetivamente o que estava sendo buscado, gerando inclusive questionamento por parte dos candidatos”.

Além disso, o Juiz pediu a “imediata exoneração” de uma professora de educação básica II, cuja defesa não conseguiu “afastar os fortes indícios de que foi nomeada em virtude de algum acordo sub-reptício.”

O Juiz não emitiu sentença sobre o processo de improbidade administrativa contra o ex-prefeito Joni Buzachero e a empresa Persona e o assunto deve ser tratado em separado.

OPERAÇÃO QI

O GAECO de Ribeirão Preto teria descoberto que o esquema de fraudes consistia na presença de gabaritos em branco e na indicações de pessoas para a ocupação de cargos.

A Polícia encontrou na sede da empresa Persona anotações evidenciando indicações de certas pessoas a cargos previamente escolhidos, contando por vezes até mesmo com a posição delas na ordem classificatória.

Candidatos que prestaram o concurso teriam declarado irregularidades, como lista expressiva de desclassificados, suspeitas de indicação e reclassificações.

Paço Municipal de Castilho. Foto: Site da Prefeitura

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