07/06/2019 10h12

Golpista ligou e disse os cartões do homem haviam sido clonados; motoqueiro pegou os cartões do homem, com as senhas, e fez a limpa em lojas da cidade.

Gisele Berto

Mais uma pessoa caiu no golpe do motoboy. Desta vez, um morador do Jardim Cangalha, de 58 anos, foi vítima dos golpistas e perdeu mais de R$ 12 mil.

O modus operandi foi o mesmo: uma pessoa ligou para o homem, dizendo trabalhar na “Central de Cartões” e disse que os cartões dele estavam clonados e que era necessário cancelar todos eles para emissão de 2ª via.

Depois, um homem passou na casa dele para buscar os cartões que seriam “cancelados”. Enganado pela conversa dos golpistas, o homem entregou os cartões e as senhas para que pudessem ser “cancelados”.

O homem só percebeu que tinha caído em um golpe no final do dia, quando consultou o saldo da conta e se deu conta do prejuízo: os golpistas tinham feito uma transferência de R$ 2 mil, mais R$ 4 mil em compras nas Casas Bahia, R$ 4 mil no Magazine Luiza e R$ 2.400 em compras pelo cartão de crédito na Porto Seguro.

NUNCA ENTREGUE SEUS CARTÕES

O golpe do motoboy é antigo e o modus operandi varia pouco, mas sempre consiste de uma pessoa que liga para alguém dizendo trabalhar no banco, ou na central de cartões, ou no Banco Central, com o papo de que seus cartões foram clonados e precisam ser substituídos. Às vezes o golpista pede para você digitar a senha dos cartões e, às vezes, pede para o correntista entregar a senha, junto com os cartões, a um motoboy.

Depois, o golpista informa que um motoboy vai buscar os cartões antigos. Com o chip e os dados do cartão em mãos, os golpistas fazem compras no nome da vítima.

JUSTIÇA MANDA BANCOS INDENIZAREM CLIENTE

Segundo o site de Direito Conjur, uma decisão de fevereiro deste ano da 22ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo condenou um banco e uma operadora de cartão por não terem agido para impedir que um cliente fosse vítima do chamado “golpe do motoboy”. Em seis minutos, foram gastos R$ 42 mil no cartão do cliente, que tem gasto médio no cartão de R$ 3,5 mil por mês.

Venceu o entendimento do relator, desembargador Roberto Mac Cracken. Para ele, as empresas devem ressarcir o cliente por terem falhado na obrigação de manter a segurança de seus serviços. “Ao ter autorizado transações com o cartão de crédito que destoavam bastante do perfil dos apelantes, o serviço foi defeituoso”, disse, no voto.

A decisão foi unânime. Também por unanimidade, a 22ª Câmara enviou o caso para o Ministério Público, para que apure responsabilidades.

No caso julgado em São Paulo, o colegiado condenou Itaú e MasterCard a devolver o dinheiro ao cliente. Segundo Mac Cracken, os prestadores de serviços de cartão de crédito, conhecendo a possibilidade de fraude, devem tomar todas as providências para que ocorrências como essa do processo não sejam efetivadas. As empresas não foram condenadas a indenizar o cliente por danos morais.

Foto ilustrativa

Comentários