20/05/2015 11h28 – Atualizado em 20/05/2015 11h28

Movimentos sociais bloqueiam rodovias do MS por Reforma Agrária

MST, Fetagri e MCLRA são os movimentos que estão à frente dos protestos

Assessoria

Dando continuidade a luta pela Reforma Agrária em Mato Grosso do Sul os movimentos sociais do campo bloquearam, no início da manhã desta quarta-feira (20), as principais rodovias federais de Mato Grosso do Sul. Na ação são de duzentos a trezentos militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra de Mato Grosso do Sul (MST/MS), da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetagri), do Movimento Camponês de Luta pela Reforma Agrária (MCLRA) em cada ponto fechado. As Rodovias Federais bloqueadas são a 262; 30 Km depois de Terenos; a 163, nos municípios de Nova Alvorada, Itaquiraí e Mundo Novo; a 267, em Casa Verde e a 060, em Sidrolândia.

No dia 1º de maio os movimentos sociais e sindicais de Mato Grosso do Sul iniciaram a Marcha da Classe Trabalhadora do Campo e da Cidade, que durou cinco dias e teve a participação de cerca de mil pessoas, os marchantes vieram do Posto Jaú, próximo a Anhanduí até Campo Grande. No dia 6, quarta-feira, eles ocuparam a sede do INCRA, onde permanecerão até a tarde de sexta-feira (8), depois seguiram para o Moreninho da UFMS, onde encerrarão uma mobilização de 10 dias com algumas vitórias e perspectivas.

NEGOCIAÇÕES

Durante a marcha uma comissão de negociação do MST foi a Brasília onde conseguiu avançar em questões referentes a recursos para o INCRA de MS e em alguns pontos da habitação rural, porém a principal reivindicação do nome do superintendente do INCRA/MS e sinalizações referentes a vinda de um representante do órgão a nível nacional para deliberar sobre os cinco anos sem Reforma Agrária no Estado.

Segundo Jonas Carlos da Conceição, membro da direção nacional do MST, as mobilizações continuam, pois os movimentos querem celeridade no processo de nomeação no nome do superintendente para que outros assuntos referentes a Reforma Agrária possam caminhar. “Queremos que o novo superintendente do INCRA de MS seja um nome técnico, uma pessoa comprometida com a Reforma Agrária e não apenas uma indicação política. Nossa luta é pela reestruturação do órgão que está totalmente sucateado em nosso Estado e sem condições de tocar as questões que necessitamos para os acampados e assentados”, disse.

MATO GROSSO DO SUL

Atualmente em Mato Grosso do Sul existem cerca de 12 mil acampados em barracos de lona esperando ser assentados, ao mesmo tempo existem mais de 30 mil assentados, que também sofrem com a inoperância do INCRA, principalmente na parte de documentação e assistência para que possam de fato sobreviver pelo que gera o seu lote. De acordo com dados do IBGE o Centro-Oeste concentra o menor número de propriedades rurais (317,5 mil) e a maior área (103,8 milhões de hectares), implicando numa área média de 327 hectares, portanto está claro a inoperância da política agrária brasileira, que não conseguiu atingir o seu principal objetivo no país, a Reforma Agrária.

Além das pautas nacionais com o INCRA, os movimentos que se encontram mobilizados na causa, também estão pautando algumas questões a nível de estado, entre elas o fato do atual governador, Reinaldo Azambuja (PSDB), ter se reunido com uma comissão de negociação no final de fevereiro, ter solicitado a relação de cada um sobre a realidade da infraestrutura dos assentamentos e até o momento não ter dado retorno concreto sobre isso.

Jonas Carlos afirmou ainda que os movimentos permanecerão unidos até o INCRA Nacional e o Governo do Estado tomarem providências. “Estamos esperando ações deliberativas e que nos apontem soluções cabíveis para a situação alarmante dos nossos acampados e dos assentados, por esse motivo continuamos unidos, mobilizados e em luta”, ressalta.

Segundo, Dinho Lopes, também da direção do MST, o movimento segue mobilizado a espera de uma deliberação concreta do INCRA Nacional. “Analisamos que nos dias de mobilização nós avançamos em alguns pontos, como a liberação de recursos para o INCRA de MS começar a andar novamente, pagando, por exemplo, os quatro meses de aluguel atrasados do prédio em que o órgão está instalado. Além disso, estamos com a expectativa da vinda desse representante nacional que é fundamental para consolidação de conquistas”, conclui.

(*) Assessoria do MST/MS

Os componentes dos movimentos sociais, bloquearam próximo a cidade de Japorã. (Foto: Assessoria)

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