01/10/2019 08h19

LD Celulose, uma Joint Venture formada pela brasileira Duratex e pela austríaca Lenzing, vai construir uma fábrica de matéria-prima para a produção de tecidos no Triângulo Mineiro e deve ser a maior fábrica de celulose solúvel do mundo

Informações do G1

A Promotoria de Justiça de Defesa do Cidadão instaurou no fim da semana uma investigação preliminar para apurar a futura atividade a ser desenvolvida pela empresa LD Celulose, uma Joint Venture formada pela brasileira Duratex e pela austríaca Lenzig, que vai construir uma fábrica de matéria-prima para a produção de tecidos no Triângulo Mineiro.

O empreendimento, que deve ser a maior fábrica de celulose solúvel do mundo, será construído entre os municípios de Araguari e Indianópolis.

O promotor Fernando Martins também determinou a suspensão de qualquer atividade da empresa que possa gerar resíduos para o Rio Araguari, principal manancial que deve garantir o abastecimento de Uberlândia pelos próximos anos.

Ainda de acordo com ele, a LD Celulose está autorizada a continuar a construção da fábrica, mas terá que apresentar provas de que não haverá danos ao rio.

A investigação da promotoria partiu de uma representação feita pela Prefeitura de Uberlândia e pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae). Esta é a segunda investigação aberta pelo Ministério Público contra a LD Celulose. A primeira está na Promotoria de Defesa do Meio Ambiente.

Aprovação

Na última segunda-feira (23), a nova fábrica de celulose da Duratex, programada para ser instalada entre Araguari e Indianópolis, teve a Licença de Instalação (LI) aprovada na Câmara Técnica Especializada de Atividades Industriais, do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). Com isso, as obras da indústria de matéria-prima que vai produzir tecidos já estavam autorizadas.

A aprovação ocorreu um dia antes da visita do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), à planta fabril.

Segundo o Estado, ambos os processos foram avaliados pela equipe técnica multidisciplinar da Superintendência de Projetos Prioritários (Suppri), com a parceria técnica da Superintendência Regional de Meio Ambiente (Supram) Triangulo Mineiro e Alto Paranaíba e da Unidade Regional de Gestão das Águas Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (Urga-TMAP).

A análise já contabiliza todas as fases necessárias, como a realização de reunião pública no município de Indianópolis, bem como a alteração, ainda na fase de projeto, do sistema de captação de água e emissão de efluentes líquidos, a partir do pleito do Departamento de Água e Esgoto (Dmae) e da Prefeitura de Uberlândia.

Após o resultado, a Duratex informou que tudo foi feito com vistas à garantia da qualidade da água a ser captada para abastecimento público.

Preocupação ambiental

Uma reunião realizada em junho entre órgãos ambientais responsáveis produziu a base para um relatório de impactos ambientais que seria apresentado.

Anteriormente, em abril, a Prefeitura de Uberlândia havia mostrado preocupação que a instalação da fábrica afetasse o novo sistema de captação de água da cidade, Capim Branco, que fica a 8 km da indústria. O impacto não foi comprovado nas análises.

À época a Duratex esclareceu que a captação de água para a operação da fábrica em Araguari será de 0,8 metro cúbico por segundo, o que corresponde a aproximadamente apenas 0,18% da vazão média do rio Araguari, não prejudicando o Sistema Capim Branco.

Fábrica

A “maior linha industrial de celulose solúvel do mundo”, como a própria empresa define, tem investimentos de R$ 4,5 bilhões e construção prevista para gerar seis mil empregos diretos e indiretos até 2022, quando as obras devem terminar.

O projeto é controlado pela Joint Venture LD Celulose S.A., formada pela brasileira Duratex e pela austríaca Lenzing.

A fábrica instalada no Triangulo Mineiro produzirá 450 mil toneladas por ano de celulose solúvel, a ser adquirida pela Lenzing e exportada para o mercado asiático. Produzirá, em média, 77 megawatts (MW) de energia elétrica renovável, a partir da biomassa de madeira resultante do processo.

No lugar de se tornar resíduo, o produto retornará como energia para o sistema elétrico. Segundo os investidores, será a maior linha industrial de celulose solúvel do mundo.

Área florestal da Duratex onde será instalada fábrica de celulose entre Indianópolis e Araguari — Foto: Duratex/Divulgação

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