22/01/2019 12h51

Três Lagoas, com mais de 94% de crimes elucidados, supera a taxa de resolução de países como Estados Unidos, França e Reino Unido

Redação

De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Sou da Paz, Mato Grosso do Sul é o Estado brasileiro que mais esclarece homicídios. Em 2018, 63% das ocorrências no Estado foram elucidadas. Segundo levantamento divulgado pela Polícia Civil, dos 79 municípios que compõem o Estado 23 solucionaram todos os casos, ou seja, chegaram a 100%.

Já outros 17 estão com mais de 60% desse tipo de crime elucidado, entre elas as cidades mais populosas de MS como Três Lagoas (94,1%), Dourados (71,7%), Campo Grande (65%) e Corumbá (62,1%).

Os resultados são comemorados pela Polícia Civil, órgãos responsável pela investigação dos homicídios, que são apurados a partir da instauração dos Inquéritos Policiais (IP). O delegado-geral Marcelo Vargas diz que o índice representa a integração entre as forças, desprendimento e dedicação dos policiais.

“Existem fatores importantes que contribuíram para esse resultado, entre eles está à integração entre os órgãos de segurança e suas áreas de inteligência. Os investimentos do Governo do Estado por meio do programa MS Mais Seguro no valor de R$ 120 milhões, que proporcionou a aquisição de novas viaturas, equipamentos, munições e contratação de novos servidores”, pontuou o delegado.

Um marco no ano passado foi à nomeação por parte da administração estadual de 72 novos delegados, garantindo que todos os municípios passassem a contar com esse profissional. “Isso deu uma dinâmica muito forte às investigações, principalmente no interior, aliados a motivação e a especialização dos nossos policiais que são comprometidos e vocacionados com a resolução de crimes”, destacou Vargas.

A preservação do local do crime, para que a perícia possa realizar o trabalho também tem sido importante para a solução dos casos

Outro fator importante citado pelo dirigente da Polícia Civil para que ocorra a elucidação dos homicídios com agilidade, está relacionada à preservação do local onde ocorreu o crime, por isso a integração entre as forças de segurança é primordial. “Em via de regra quem chega primeiro na ocorrência é a Polícia Militar, que realiza a preservação do local de crime para que seja realizada a perícia, que tem como atividade principal a coleta das provas materiais que serão utilizadas consequentemente como elementos probatórios para a ação judicial. Aliado a esses fatores, também temos a perspicácia dos investigadores em relação às cenas dos crimes, observando detalhes que poderão levar a identificação dos autores”, explicou.

A meta da Polícia Civil em 2019 é conseguir chegar a 80% de esclarecimentos de homicídios, para isso algumas medidas estão sendo estudadas para melhorar ainda mais esses números, como a criação de um grupo de operações ou de pronto emprego, para atuar na faixa de fronteira, a exemplo do Grupo de Operações e Investigações (GOI), que atua 24 horas e sua prioridade é o atendimento dos crimes de homicídio.

“Aconteceu um homicídio então já vai ter uma equipe do GOI no local, que inicia imediatamente os procedimentos de investigação, uma vez que não retarda o início das investigações, preserva as provas no local de crime, e possibilita muita das vezes a prisão em flagrante do autor do crime”.

TRÊS LAGOAS É DESTAQUE

Três Lagoas, segundo os dados levantados pelo Núcleo Regional de Inteligência da Polícia Militar, além de diminuir os casos de homicídios consumados no ano de 2018, conseguiu atingir a taxa de 96% de esclarecimento desses crimes. Apenas um caso de homicídio no município ficou sem elucidação durante todo o ano passado.

Dessa forma, Três Lagoas supera a taxa de resolução de crimes de países como Estados Unidos (65%), França (80%) e Reino Unido (90%).

Para o juiz da 1ª Vara Criminal de Três Lagoas e corregedor dos presídios da comarca, Rodrigo Pedrini Marcos, “os números apresentados pela cidade são fruto da integração das forças de segurança, e do investimento feito no setor de inteligência da polícia militar, o que já está em consonância com as novas políticas nacionais de segurança pública do governo federal pelo Ministério da Justiça”.

A preservação do local do crime, para que a perícia possa realizar o trabalho também tem sido importante para a solução dos casos. Foto: Portal MS

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