16/05/2018 15h33

Daiane percebeu que a filha recebia medicamentos de outro paciente e abriu denúncia no Ministério Público contra a instituição

Gisele Berto

A estagiária de Direito Daiane Domingues passou dias de estresse e preocupação por conta, segundo ela, de um erro no procedimento das medicações do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, em Três Lagoas.

Daiane estava com a filha de seis anos internada para tratar de uma infecção urinária. Na madrugada do dia 30 de abril ela estava dormindo ao lado do leito da filha quando ouviu a menina chorar. “Fui ver o que estava acontecendo e percebi que o bracinho dela estava todo inchado. Pensei que o acesso tivesse saído do lugar, mas aparentemente estava tudo certo”, afirmou Daiane à reportagem do Perfil News.

PESADELO

Nesse momento a mãe resolveu verificar a medicação da criança. Foi aí que o pesadelo começou. “Primeiro, estranhei porque ela não deveria estar tomando medicação àquela hora. Depois, quando vi no frasco ligado ao acesso, o nome era de outro paciente pediátrico. Estavam dando medicação de outro paciente para a minha filha”, disse.

Daiane, que fez quatro anos de enfermagem e está habituada aos procedimentos em hospitais, fechou o acesso do medicamento à criança e chamou a equipe técnica na hora para exigir uma explicação. “Fui até o leito da outra criança, a quem aquele frasco de medicamento pertencia, e vi que ele não estava tomando nada. Exigi ver os prontuários da minha filha e, apesar dos técnicos tentarem me negar o acesso aos documentos, afirmei que era meu direito e conferi que, naquele momento, ela não deveria estar tomando medicação nenhuma”.

LEGISLAÇÃO

A mãe lembrou à equipe, ainda, que a legislação exige que toda medicação ministrada deve ser comunicada ao paciente ou ao seu acompanhante, com exceção aos casos em que a internação se dá em UTI. “Eu estava dormindo ao lado dela, mas eles deveriam ter me chamado e informado o que estavam ministrando à minha filha. É lei. Apesar do erro no processo deles, trocando as medicações, eu também saberia dizer que naquela hora minha filha não tinha medicação para tomar, e isso poderia ter sido evitado”, disse a mãe.

Daiane não sabe a medicação aplicada por engano na menina. “Só vi que o nome no frasco não era o dela e já chamei a equipe. Aí eles levaram o frasco embora, não vi o que era. Mas vi que o menino que deveria estar recebendo aquela medicação também estava internado por infecção urinária, então a medicação devia ser similar à da minha filha, devia mudar só a dosagem”, afirmou Daiane, que disse se preocupar com a questão da overdose, já que a menina só tomaria esse antibiótico no dia seguinte.

“De toda maneira, não paro de pensar que, da mesma forma que minha filha estava tomando a medicação de outro, outra criança podia ter tomado a da minha filha por engano. E, como a minha menina era uma das mais velhas da ala, se uma criança com menos peso corporal tivesse tomado a dosagem receitada à minha filha poderia ser um problema sério”, disse a mãe. “Além disso, se fosse algum medicamento ao qual ela fosse alérgica, ou se ela fosse diabética, teríamos corrido um risco muito grande”.

MINISTÉRIO PÚBLICO

Além de denunciar em sua página do Facebook, Daiane ingressou também uma denúncia ao Ministério Público para averiguação dos fatos, diz que não quer que esse seja um processo por danos morais. Seu objetivo, segundo ela, é melhorar as condições do hospital e evitar que outros casos assim aconteçam. “Nós precisamos do hospital e precisamos que ele seja confiável. Não quero que ninguém seja mandado embora nem quero promover uma caça às bruxas. Quero que o Hospital reveja seus procedimentos, invista no treinamento da equipe existente e na contratação de mais técnicos, porque ouvi profissionais reclamando de sobrecarga de trabalho. Os pais que acompanham seus filhos doentes já estão emocionalmente desgastados e não é justo que precisem também do estresse de ficar conferindo se a medicação não foi trocada. Isso é obrigação da equipe técnica, e eles precisam ser bem treinados e estar em número suficiente para desempenhar seu trabalho, que é vital, de maneira satisfatória”, afirmou a mãe.

O Ministério Público pediu 30 dias de prazo para averiguação das denúncias. Procurada pela reportagem, a assessoria de Comunicação do Hospital retornou informando que já respondeu ao Ministério Público através do Núcleo de Segurança do Paciente, que institui ações preventivas e corretivas relacionadas aos erros que comprometem a segurança do paciente conforme preconiza a portaria 529, de 1º de Abril de 2013, do Ministério da Saúde.

Ao Perfil News, Daiane disse que estava com a filha de seis anos internada para tratar de uma infecção urinária (Foto: Ricardo Ojeda)

A mãe da criança falou  que fez quatro anos de enfermagem e está habituada aos procedimentos em hospitais (Foto: Ricardo Ojeda)

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