09/10/2019 10h40

Katrina Lima, que ficou conhecida na cidade por fazer o filho entregar um buquê de flores a uma amiguinha, enviou uma carta à redação do Perfil News, mostrando porque se revoltou com a eleição do ex-marido; Associação entrará com pedido junto ao MP para impedir a posse dele

Ricardo Ojeda

“Eu não queria ser responsável pela prisão do pai do meu filho. Ele ama o pai, mas viu quando ele me agrediu. Eu não queria que ele também visse a prisão dele. Queria que tivéssemos uma convivência pacífica”.

Essa foi a justificativa para que Katrina Lima, ex-mulher de um Conselheiro Titular eleito no último pleito, pedisse o arquivamento do processo aberto para investigar as supostas agressões do ex-marido.

Katrina ficou conhecida na cidade por fazer o filho entregar um buquê de flores a uma amiguinha, que teria se ofendido com uma brincadeira de mau gosto feita por ele. A história foi parar no programa Encontro com Fátima Bernardes. “Fiz isso para ensinar meu filho que homem precisa respeitar as mulheres”, disse.

Em várias páginas processuais e em um relato escrito a próprio punho (leia nas imagens abaixo) e entregue na redação do Perfil News Katrina relatou uma vida de humilhações ao lado do ex-marido e mostrou porque ficou revoltada com a escolha dele a uma vaga no Conselho Tutelar, na eleição do último domingo, 6.

Depois de descobrir uma traição, ela teria quebrado o celular dele e despertado a fúria no homem. “Ele mandou eu correr porque ele ia me bater. Eu tentei abrir o portão e não consegui, então ele me puxou pelos cabelos e me bateu com chinelo. Meu filho viu tudo”, lembra.

Ela foi à delegacia para prestar queixa mas, como era final de semana, a Delegacia da Mulher estava fechada. “O delegado mandou eu voltar na segunda, porque ele estava resolvendo um assunto de tráfico de drogas”, diz.

COAÇÃO

Assim que o juiz decretou a medida protetiva (documento abaixo) o homem teria ficado revoltado e ameaçado tirar a criança da mãe se ela não retirasse o processo. Dessa forma, sob coação, segundo ela, teria retirado a queixa, tornando o homem “ficha limpa” para participar do processo eleitoral do Conselho.

Entretanto, quando eles já estavam separados e ela começou a namorar, o homem teria ficado revoltado e teria ameaçado, novamente, tomar o filho deles. Como ela não deu importância e continuou com o namoro, ele pegou o filho deles e ficou com ele.

“Fiquei seis meses indo ao Conselho Tutelar para conseguir a guarda compartilhada do meu filho. Fiquei seis meses sem meu filho, nem na escola eu podia vê-lo porque os funcionários diziam que quando ele me via ficava agitado e não fazia bem para ele”.

Agora eles compartilham a guarda. No ano passado, ela afirma que a Delegada a chamou, perguntando se ela manteria o processo contra ele por agressão, mas ela decidiu arquivar o caso “por amor ao filho”. “Eu queria uma boa convivência com o meu ex-marido”, diz ela, que teria ficado revoltada ao vê-lo eleito para o Conselho Tutelar.

Foi quando ela procurou a Associação Mães Unidas para contar a história e encontrou a solidariedade da presidente da entidade, Angelita Caetano, que “comprou a briga” de Katrina.

ALÉM DE KATRINA

Ao tomar conhecimento da história, a Associação Mães Unidas decidiu preparar um abaixo-assinado para impedir a posse do homem à vaga do Conselho Tutelar.

“Não é pessoal, não é contra ele, é contra qualquer agressor de mulheres”, disse Angelita, que lembrou a Lei aprovada recentemente pela Câmara dos Vereadores, proibindo a contratação de pessoas enquadradas na Lei Maria da Penha.

“Não podemos permitir um agressor de mulheres no Conselho Tutelar, mesmo porque é um órgão que trata de famílias”, disse. “Há indícios de que ele a tenha coagido para tirar o processo e, ainda, há indicativos de que tenha conseguido transporte para trazer eleitores para votar nele, prática proibida pela justiça eleitoral”, diz Angelita, que entrará com uma denúncia junto ao Ministério Público.

Segundo ela, além de Katrina há outros casos de agressão relatadas por outras mulheres contra o mesmo homem.

“Mais uma vez: não é nada contra ele. É contra qualquer agressor. Abominamos a agressão e a coação”, frisou Angelita.

ESPAÇO ABERTO

O Perfil News mantém sua posição e mantém o espaço aberto para a outra parte se manifestar, a qualquer momento.

Katrina esteve na redação do Perfil News para entregar a carta com o seu relato. Foto: Arquivo

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