24/10/2019 14h54

Cinco universidades e organizações de saúde europeias analisaram 60 estudos sobre depressão e ansiedade já publicados anteriormente

Gisele Berto

O diagnóstico do câncer é um baque que pode afetar profundamente a saúde mental dos pacientes. Uma pesquisa realizada por sete instituições inglesas comprova essa teoria e revela que, nos seis meses após o diagnóstico, o risco de tirar a própria vida aumenta em cerca de 174% – um dado alarmante.

Mas o abalo emocional é tão intenso que continua afetando até quem já venceu a doença. É o que mostra uma curadoria de estudos já publicados sobre depressão e ansiedade realizada em conjunto por três faculdades de saúde do Reino Unido e outras duas da Suíça e Alemanha, com o objetivo de revisar sistematicamente as evidências sobre os resultados adversos na saúde mental em sobreviventes de câncer de mama, em comparação com mulheres sem histórico de câncer.

O levantamento detectou que as chances de suicídio entre mulheres que sobreviveram à doença é de 37%. As conclusões apontam, ainda, que há evidências convincentes de um risco aumentado de ansiedade, depressão, além de disfunções neurocognitivas e sexuais entre as pacientes que enfrentaram a doença.

“Mesmo curada, a mulher que venceu o câncer de mama continua passando por uma série de traumas gerados pela doença como, por exemplo, a perda da mama, que representa um choque físico imenso e que mexe com a feminilidade da mulher”, explica a psiquiatra Dra. Maria Antonia Simoes Rego, que desenvolve um trabalho sobre prevenção do suicídio na Libbs Farmacêutica.

Dos 38 estudos sobre depressão analisados pelas univerdades, 33 observaram mais depressão em sobreviventes de câncer de mama. Isso foi estatisticamente significativo em 19 estudos no geral, incluindo seis dos sete em que a depressão foi verificada clinicamente, três dos quatro estudos com antidepressivos e 13 dos 31 que quantificaram os sintomas depressivos.

Dos 21 estudos de ansiedade, 17 observaram mais o sintoma em sobreviventes de câncer de mama, estatisticamente significantes em 11 estudos no geral, incluindo dois de quatro com resultados clínicos baseados em prescrição e em oito de 17 de sintomas de ansiedade.

“Mesmo depois de atingir a cura completa da doença, é importante que a paciente continue com o tratamento psicológico e emocional, além é claro, de ter o apoio da família e amigos, que é fundamental”, diz Maria Antônia.

Ainda de acordo com os estudos avaliados, as sobreviventes de câncer de mama também apresentaram sintomas de disfunção neurocognitiva significativamente aumentada (18 de 24 estudos), disfunções sexuais (5 de 6 estudos), distúrbios do sono (5 de 5 estudos), distúrbios relacionados ao estresse / TEPT (2 de 3 estudos) ), suicídio (2 de 2 estudos), somatização (2 de 2 estudos) e distúrbios bipolares e obsessivo-compulsivos (1 de 1 estudo cada).

Foto: Divulgação Libbs Farmacêutica.

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