A mulher simples que foi escolhida por Eric Clapton como uma das maiores instrumentistas do mundo terá um espaço em sua cidade natal

A Dama da Viola Pantaneira Helena Meirelles ganhou hoje, 10, um Museu em seu nome em sua cidade natal, Bataguassu.

De origem simples, analfabeta e sem estudo, Helena compôs dezenas de clássicos da viola pantaneira. Sua técnica apurada rendeu sucesso no exterior.

Foto: Reprodução

A filha mais ilustre de Bataguassu foi eleita pela revista americana Guitar Player (com voto de Eric Clapton), como uma das 100 melhores instrumentistas do mundo, por sua atuação nas violas de seis, oito, dez e doze cordas.

Em 2012, foi incluída na lista 30 maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão (Categoria: Raízes Brasileiras) da revista Rolling Stone Brasil.

Helena em frente a uma casa que ganhou em Presidente Epitácio como cachê por um contrato assinado. Foto: Ricardo Ojeda

Ela morreu em 1985, aos 81 anos. E agora recebe a homenagem na cidade onde nasceu.

“É um reconhecimento a essa figura ilustre, que veio de origem humilde e fez fama internacional. Procuramos com isso valorizar nossa cultura e respeitar a nossa história”, afirmou o Prefeito de Bataguassu, Pedro Caravina.

Sobre Helena

Helena Pereira Meirelles cresceu rodeada de peões, comitivas e violeiros. Fascinada pelas violas caipiras, a família não permitia que aprendesse a tocar, o que acabou fazendo por conta própria, às escondidas.

Helena ao lado de uma foto de divulgação dela. Foto: Ricardo Ojeda

Aos poucos ficou conhecida entre os boiadeiros da região. Casou-se por imposição dos pais aos 17 anos, abandonando o marido pouco tempo depois para juntar-se a um paraguaio que tocava violão e violino. Separou-se novamente e, resolvida a tocar viola em bares e farras, deixou os filhos dos dois casamentos com pais adotivos e ganhou a estrada até encontrar o terceiro marido, com quem viveu por mais de 35 anos.

Depois de desaparecer por mais de 30 anos, foi encontrada bastante doente por uma irmã, que a levou para São Paulo, onde foi “descoberta pela mídia” a partir de uma matéria elogiosa na revista norte-americana “Guitar Player”.

Apresentou-se em um teatro pela primeira vez aos 67 anos, e gravou discos em seguida. Foi escolhida em 1993 pela Guitar Player como uma das “100 mais” por sua atuação nas violas de 6, 8, 10 e 12 cordas. Sua música é reconhecida pelas pessoas nativas do Mato Grosso do Sul, como expressão das raízes e da cultura da região.

O Museu

O Prefeito Pedro Caravina discursa na inauguração do Museu Municipal Helena Meirelles. Foto: Divulgação

O espaço funciona no prédio da primeira escola pública da cidade, que foi restaurado com o apoio do Governo do Estado. A obra custou cerca de R$ 300 mil e abriga o acervo da instrumentista e cantora, inclusive sua primeira viola, seu violão de corda, além de objetos usados pela artista.

Além do espaço Helena Meirelles, o Museu Municipal também conserva a história de Bataguassu e do Mato Grosso do Sul, com a exposição de documentos e objetos históricos e uma galeria de ex-prefeitos.

Unidos por Helena

Adversários no campo político, os ex-prefeitos Ailton Pereira e João Carlos Lemes uniram-se ao atual, Caravina, em uma foto histórica em frente à galeria dos alcaides.

“Continuamos adversários, mas precisamos dar uma brecha em homenagem à Helena”, afirmou o ex-prefeito Lemes.

Lemes (esq.), Caravina (centro) e Pinheiro: adversários políticos deram as mãos na inauguração do Museu. “Por Helena”. Foto: Divulgação
Dançando com o hoje diretor do Perfil News, Ricardo Ojeda. Foto: Arquivo Pessoal

Para ele, a importância de Helena Meirelles vai além do âmbito municipal. “Representa a valorização das nossas personalidades em um tempo em que se valoriza mais as pessoas de fora. Valorizamos quem é do nosso chão, da nossa realidade”, diz.

Estiveram presentes à inauguração alguns dos pioneiros da cidade e seu familiares, ex-prefeitos e os filhos da homenageada “Helena Meirelles”.

Serviço

O Museu Helena Meirelles funciona de terça a quinta na rua Ribas do Rio Pardo, centro de Bataguassu.

A entrada é franca.


Ouça um pouco de Helena Meirelles
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