10/04/2016 09h57 – Atualizado em 10/04/2016 09h57

Na contramão da crise, Fibria investe R$ 8,7 bilhões na expansão da fábrica de Três Lagoas

Alheio a retração na economia que o Brasil atravessa, a Fibria está construindo em Três Lagoas a segunda linha de produção da fábrica de celulose. A previsão para conclusão é no final de 2017. De acordo com o cronograma do empreendimento, atualmente há 22% de obras concluídas

Ricardo Ojeda, com Daniela Silis e Patrícia Miranda

Durante visita à Fibria um Drone operado por James Luck captou várias imagens que podem ser acompanhadas no vídeo abaixo, bem como várias fotos publicados nas galerias anexa à matéria

Enquanto em outras regiões do País, os veículos de comunicação divulgam dados negativos da economia, como o fechamento de empresas e aumento de desemprego, em Três Lagoas (MS) o cenário mostra uma tendência positiva, com investimentos bilionários alavancadas pelas indústrias de celulose; Fibria e Eldorado Brasil. Na contramão da crise, estão investindo na expansão das unidades, que somados os dois projetos ultrapassam a casa dos 16 bilhões de reais.

Desde que foram iniciadas as obras desses empreendimentos, uma expectativa positiva tomou conta da cidade que já vinha sendo castigada pelo calote de mais de R$ 42 milhões, deixados pela Petrobras, através do Consórcio UFN3.

A onda de pessimismo e a fila do desemprego foram ampliando na medida em que o tempo ia passando. Porém, quando foram anunciadas o projeto de expansão das fábricas de celulose, um clima de euforia tomou conta da cidade. Também, não é para menos. De acordo com informações dos diretores do projeto Horizonte 2, cerca de 80 empresas farão parte do portfólio do empreendimento, atuando diretamente no canteiro de obras, bem como na prestação de serviços, diretos e indiretos.

Diante de uma construção superlativa, impulsionada pela divulgação nas mídias e redes sociais, geram efeitos multiplicadores que atrai a atenção de milhares de candidatos a empregos de várias regiões do Brasil. Entretanto, por ser uma obra de alta complexidade técnica, os candidatos a uma vaga de trabalho passam por uma peneirada bem criteriosa, onde são obedecidos vários procedimentos.

De acordo com Fátima Montanha, coordenadora do Ciat local, de cada vaga solicitada pela empresa, ela envia três cadastros de candidatos. A decisão final é do empregador.

Nas fotos acima, Carlos Henrique Trematore, coordenador de implantação do Projeto horizonte 2 acompanhou a reportagem explicando os detalhes do empreendimento (Fotos: Patrícia Miranda)

Por conta disso, a insatisfação dos trabalhadores é grande, que sentem-se injustiçados em não conseguir uma colocação nessas empresas e procuram as páginas das mídias sociais para despejar através de comentários suas frustrações, gerando um efeito negativo para a cidade e consequentemente para o empreendimento.

O Perfil News, deixando as questões emotivas de lado, sempre procurou retratar com o máximo de confiabilidade esse contexto, procurando informações direta na fonte, com os diretores desses empreendimentos para informar aos seus leitores.

Seguindo esse conceito, na quarta-feira, dia 06, a equipe de reportagem, composta pelas jornalistas; Patrícia Miranda, Daniela Silis e pelo diretor, Ricardo Ojeda, além de James Luck, que operou o drone, captando as imagens aéreas que ilustram essa reportagem. Os jornalistas foram recebidos pelo diretor de Engenharia e Projetos, engenheiro Júlio César Rodrigues da Cunha. Por quase 1 hora ele foi sabatinado com perguntas que embasam essa extensa, porém esclarecedora reportagem.

De acordo com Júlio César, é a primeira vez que uma equipe de reportagem teve acesso às informações e ao canteiro de obras.

Antes de entrar no complexo, a equipe teve que obedecer alguns procedimentos, tais como as vestimentas, identificação, além de passar uma integração em uma sala onde um vídeo foi exibido, mostrando a complexidade do empreendimento. Em seguida, normas de segurança foram elencadas na tela gigante de um televisor, orientando os visitantes de como proceder em caso de alguma ocorrência vier acontecer. Só depois desses procedimentos foi autorizada a entrada no canteiro de obras.

A seguir a entrevista com Júlio César Rodrigues da Cunha

Perfil NewsO projeto do H2 foi aprovado em maio do ano passado e oficialmente lançada em 30 de outubro, com a presença da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu. Efetivamente a movimentação no canteiro começou quando?

Júlio CésarDia 16 de junho. Nós tivemos o projeto aprovado dia 14 de maio, como já vínhamos trabalhando, tinha uma expectativa de ser aprovado. Estávamos nesse projeto há mais de três anos, e no último ano de 2014, 2015 intensificamos. Então, logo que nós tivemos a aprovação do projeto, que foi em 14 de maio, já dois dias depois compramos o que chamamos de infraestrutura, que foi de uma empresa chamada Construcap. No dia 16 de junho ela se mobilizou. Então as obras iniciaram oficialmente dia 16 de junho de 2015.

Perfil NewsPor isso então houve a Audiência Pública bem antecipada. Já quando se praticamente inaugurou o Horizonte 1, já se pensava no projeto dois então?

Júlio CésarSão coisas independentes. Fizemos a instalação da linha um e na sequência já se tinha a visão de fazer a expansão da unidade. Então os trabalhos são processos independentes. Em 2010 houve a audiência pública pedindo a aprovação para a licença para a instalação da nova unidade. Isso foi feito em 2010 e de lá até 2015 nós viemos trabalhando para chegar aonde chegamos hoje.

Perfil NewsEntão a gestação do H2 já tem três anos?

Júlio CésarTem. Ele requer bastante preparativos. Porque primeiro você tem que decidir qual o volume de produção que tenha na planta e tem que estar de acordo com a licença prévia de instalação; dimensionar os equipamentos, fazer a especificação, para colocar aos diversos fornecedores. A hora que ele recebe toda aquela documentação, o fornecedor vai analisar para fazer uma proposta comercial, técnica. São vários; E então nós, como clientes, temos que analisar para ver se é aquilo o que nós realmente solicitamos o que tem de vantagem de um fornecedor em relação ao outro, equalizar. A gente chama de equalização técnica, que é colocar todo mundo numa mesma página para que todos tenham a mesma chance. Depois passa o processo de compra. Como é um volume grande no empreendimento, que nós temos quase nove bilhões de reais, não é um negócio que sai da noite para o dia.

Perfil NewsQuando a Fibria entrou em operação, da mesma forma que também inaugurou a Eldorado Brasil, se falava que o mundo precisava que fosse inaugurada uma fábrica dessas de celulose por ano, para atender a demanda de consumo. Essa necessidade ainda está em pauta atualmente?

Júlio CésarAinda vale. Números grosseiros, grandes, mas a regra é mais ou menos uma entrada de uma planta de 1,5 milhões. De 1,2 mi, 1,3 a 1,5 milhões de toneladas de celulose por ano. Então esse é mais ou menos um número mágico que tem, que é a demanda mundial de celulose.

Perfil NewsTrês Lagoas antigamente estava inserida como uma das maiores dos maiores criadouros de gado Nelore do Brasil. Saindo dessa atividade, migrou para a fabril, que é a celulose. Hoje, com duas fábricas, a cidade é conhecida como a Capital Mundial da Celulose. Mas a partir do momento em que startar a expansão do H2, o que vai significar para a cidade, para o estado e para o país, ter três fábricas grandes no quintal de uma cidade de 120 mil habitantes?

Júlio CésarClaro que eu acho que não deixa de ser uma honra. Porque com certeza, com a partida da segunda linha aqui do site d a Fibria, essa será a maior produção de celulose do mundo, com mais de 3 mil de toneladas/ano. Não tem nenhum site que produz nesse nível no mundo. O segundo que nós temos hoje é o de Aracruz que é outra unidade da Fibria, no Espírito Santo. Lá produz mais ou menos 2,3 milhões de toneladas de celulose. Essa nossa vai produzir mais de 3 milhões. Então é o maior, numa mesma planta. Passa a ser a maior produção de celulose do mundo no mesmo site. Então com certeza isso deixa longe qualquer outro município. Eu não conheço nenhuma localidade que tenha duas fábricas de celulose igual que existe aqui. Então com certeza isso disparou na frente.

Veja de onde sairão os recursos para o projeto Horizonte 2

As fontes de crédito combinam caixa próprio, operações com bancos, Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), BNDES, Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO) e agências estrangeiras de crédito à exportação. O investimento total é de R$ 8,7 bilhões, equivalente a cerca de US$ 2,2 bilhões, uma redução do CAPEX (investimento de capital) inicial de US$ 2,5 bilhões.

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Perfil NewsEntão se nós formos fazer um ranking de empresas produtoras de celulose, a Fibria se torna então, a partir do momento em que ela inaugurar a segunda linha, ela torna-se a maior do Brasil em produção?

Júlio César Hoje a Fibria já é a maior do mundo. A segunda é uma outra empresa na Ásia. Com mais essa planta, colocando mais 1,750 milhões de toneladas/ano, ela dispara na frente do segundo colocado. Então nós reforçamos a liderança como o produtor mundial de celulose. Consolida e reforça.

Perfil NewsVocê está a quantos anos atuando nesse segmento?

Júlio CésarEu sou antigo, eu comecei na antiga Papel Simão. Eu entrei no setor de celulose em 1986. Era Papel Simão, depois foi comprado pelo Grupo Votorantim, que virou VCP em 90 ou 92, que ficou até 2009. Depois, com a aquisição da Aracruz, a fusão, virou Fibria. Então, nesses 30 anos no setor de celulose, eu estou há 22, 23, porque nesse período eu entrei e saí duas vezes da empresa. Fui para outros projetos e voltei.

Perfil News A sua qualificação técnica qual é?

Júlio César Sou engenheiro eletrônico. Eu digo que fui engenheiro eletrônico. Logo você começa a fazer mais de uma coisa. Então, se me apertar de eletrônica já não sai muita coisa. (Risos)

Nas imagens acima mostra o local onde fica concentrada a equipe de 300 profissionais, ambulatório e as instalações do canteiro de obras (Fotos: Ricardo Ojeda)

Perfil News Você já está trabalhando a mais ou menos três anos nesse projeto. Os detalhes técnicos foram gestados na unidade de Jacareí? Então as estruturas físicas e técnicas estavam concentradas lá?

Júlio César É. A Fibria trabalha da seguinte forma na parte de engenharia: ela tem uma engenharia corporativa que atende às três plantas de Três Lagoas, Aracruz e Jacareí, que fica concentradas.. Lá há um núcleo que a gente chama de núcleo de processo, onde são pessoas que, em cada uma dessas plantas, nós temos geralmente de seis a 10 que participam da engenharia de fábrica.. E lá em fica a equipe, onde a gente chama de corporativo, com pessoal estudando expansões, modernizações e melhorias nas plantas, estão dedicadas a isso. Então esse estudo foi feito lá e agora nós trouxemos a estrutura técnica para Três Lagoas.

Perfil NewsQuantas pessoas no total estão trabalhando no projeto, na gestação técnica?

Júlio CésarHoje nós temos 300 na equipe de gestão de projetos nesse prédio aqui. A minha sala é essa. Nós temos talvez um diferencial nesse projeto. Normalmente tem uma pessoa que é responsável pela implantação da indústria, outro que cuida da implantação da floresta, outro para entender como que vai ser a logística, ferrovias, e etc. Desde 2014 nós decidimos que iríamos fazer uma equipe única que olha desde o viveiro até entregar a celulose lá no porto. Então, na realidade eu tenho sob a minha gestão o pessoal de florestal que está dedicado a este projeto, o pessoal da indústria, o pessoal e da logística até o porto. E a Fibria, desde dezembro do ano passado, ganhou a outorga de um terminal no porto de Santos, então nós temos que fazer uma melhoria já, e está sob a minha gestão. É claro que não vai ser essa equipe que está aqui. Vamos montar uma equipe lá.

Perfil News Dentro do cronograma da obra, já se tem quantos por cento pronto?

Júlio CésarHoje temos 22% do empreendimento. Sempre que eu falo é incluindo os avanços da florestal, o avanço da indústria e o avanço da logística.

Perfil NewsEm menos de um ano de obra você já está com 22% concluída. O cronograma da entrega é para quando?

Júlio César Último trimestre de 2017 nós devemos dar a startar.

Perfil NewsOu seja, vocês vão concluir em questão de dois anos à dois anos e meio?

Júlio CésarÉ, se a gente contar desde maio vai dar dois anos e seis meses. Por volta de 30 meses, em volta disso.

Perfil News Hoje, vocês têm quantas pessoas trabalhando aqui no canteiro?

Júlio César

Temos por volta de 2.500 pessoas, mais ou menos.

Perfil News De acordo com o cronograma, no total serão 40 mil pessoas que irão passar pelo empreendimento. O pico da obra vai exigir na cidade quantos trabalhadores?

Júlio CésarNo pico da obra vai ocorrer entre novembro a dezembro desse ano, de 2016. Nossa expectativa é que tenha de 8 a 10 mil funcionários trabalhando aqui no site.

Perfil NewsO pico da obra seria a montagem?

Júlio CésarEle acontece numa fase que ainda tem civil, hoje praticamente só tem civil, a montagem de eletromecânica está iniciando. Você vai andar pela obra e vai parecer que só tem civil, mas, igual àquela estrutura azul que você viu, já é uma montagem eletromecânica. Então praticamente tem duas empresas dentro do site agora e vai começar a aumentar. A hora que nós chegarmos nessa fase de outubro, – vamos falar assim – de outubro a novembro, na civil ainda vai ter gente, – está desmobilizando, mas ainda tem gente, e a montagem estará chegando num pico elevado. Então quando acontece a intersecção dessas duas posições é que estaremos atingindo o pico da obra. Então a civil vai estar na fase final e a montagem está em ascensão.

Perfil News A hora que chegar nesse pico de 8 a 10 mil trabalhadores não quer dizer que serão 10 mil trabalhadores de Três Lagoas, porque exige capacidade técnica do trabalhador para estar operando aqui. É isso?

Júlio CésarEm cada fase da obra tem a sua característica. Na fase de civil nós temos um determinado perfil de mão de obra; na fase da montagem têm um novo perfil, especializada, guindasteiro, grandes máquinas. A hora que terminar a montagem tem os técnicos estrangeiros, que são as pessoas detentoras da tecnologia das máquinas que vão produzir a celulose. Aí nós temos bastantes técnicos vindos de fora para poder fazer o que a gente chama de condicionamento. Vamos testar os equipamentos. Está rodando para o lado certo? A válvula está abrindo o tanto correto? O motor está dando a corrente que deveria? Então cada fase da obra tem uma característica diferente para o perfil esperado para o profissional que vai operar.

Um tour pelo empreendimento percebe que o cronograma está bem adiantado, com 22% concluídos

Perfil NewsSe tratando de mão de obra local, desses 8 a 10 mil trabalhadores, quanto por cento pode ser aproveitado daqui da região?

Júlio CésarEu não sei te responder em percentual. O que eu posso dizer é que nós da Fibria estamos incentivando o máximo para a contratação de mão de obra local. E, por mais que o pessoal da cidade ache, para o empreiteiro também existe a prioridade da mão de obra local. Porque pensa, se eu contratar uma pessoa que mora em Três Lagoas eu não vou precisar pagar pra ele o jantar, moradia, não vou pagar pra ele transporte para a cidade dele a cada período. Então há interesse para as contratadas nossas, a contratação de funcionários locais. Então a gente tem incentivado e eles têm em regra geral, feito a divulgação das vagas disponíveis no Ciat, que agora é a Casa do Trabalhador, e nós temos constantemente reforçado. O que acontece é que, muitas vezes, não se consegue absorver tudo isso ou por falta de quantidade daquelas pessoas ou por falta de especialização, como foi solicitado. Então isso infelizmente acontece. E é para todos nós. O senhor não vai contratar uma empregada doméstica lá de Brasilândia e pagar o transporte dela todo dia.

Então às vezes parece ser que não se tem interesse ou que está se deixando de lado. Tenho a certeza de que os nossos contratados aqui têm todo interesse que a mão de obra seja local.

Perfil NewsQuando o Projeto foi lançado, o orçamento foi de R$ 7,7 bilhões aproximadamente. Naquela época, a situação da economia, a paridade do dólar, o câmbio era completamente diferente. Levando em consideração que praticamente 90% dos equipamentos que serão instalados são importados, isso mexe com a planilha do empreendimento?

Júlio CésarSim, porque a variação do dólar aconteceu para todos nós. Mas nós temos que lembrar que o percentual de moeda estrangeira no projeto, frente ao total, é um valor menor do que 30%, então ele afeta, mas não afeta tão fortemente. Mas claro que ele afeta. Quando se faz um orçamento já tem a expectativa de quanto de moeda estrangeira está nesse valor. Faz de conta que é 28%, eu não me lembro se é 22% ou 28%, mas está a baixo de 30%. Então o que a variação cambial está afetando é uma parte pequena no projeto. Nosso grande despende é no Brasil, com a montagem; que são pessoas, a contratação de equipamento para a montagem, o pessoal de civil, concreto, aço, etc. Então a moeda estrangeira existe, mas não é o protuberante dentro do projeto.

Perfil NewsO projeto foi lançado em R$ 7,7 bi. Em entrevista com Arnaldo Milan, (gerente de Desenvolvimento Humano Organizacional da Fibria), ele disse que o projeto já ultrapassou a casa de R$ 8,7 bi. Por que isso?

Júlio CésarSão números diferentes. Quando a gente aprova um projeto, a gente aprovou 7,7 bilhões na moeda do projeto. Então eu tinha um determinado câmbio. Então é como se eu comprasse tudo naquele dia e pagasse tudo naquele dia. E isso não acontece, a gente vai comprando tudo devagar a pagando tudo na medida em que você vai recebendo. Então esses R$ 8,7 bilhões é o que a gente chama de “rolling forecast”, ou a previsão. Esses 7,7 bi, na medida que a gente vai pagando com a inflação que vai ter, que sobe o pacote de cimento, aumenta o valor do piso do trabalhador. Então a hora que chegarmos ao final de 2017, quando a obra estiver acabada, esse R$ 7,7 bi, vai virar R$ 8,7 bilhões. Mas em tese é o mesmo número, só que um está falando a moeda de hoje. Se hoje eu colocar 100 reais no banco, em 2017 vou ter mais de 100, porque nesse caso teve rendimentos. No nosso caso teremos que pagar os aumentos dos produtos. O número é o mesmo, porque esses 8,7 bi? É porque ele está sofrendo a variação cambial e a gente chama de área inflacionária da moeda real.

Perfil News A logística hoje é um dos fatores mais importante e primordial de todo projeto. Nós temos aqui hoje a malha ferroviária, mas eu tenho percebido que vocês têm utilizado muito o modal rodoviário, embora tenha sido construído o terminal ferroviário. O transporte ferroviário não está sendo utilizado. Por quê?

Júlio César Nós continuamos com a intenção de fazer o transporte por ferrovia. Ou a gente faz da planta um, leva até Jupiá e desce de bitola métrica até o porto de Santos, sob a gestão da ALL. Para a linha dois nós vamos manter a mesma coisa, nós vamos usar a ferrovia, quando o entreposto, ao invés de ser em Jupiá vai ser em Aparecida do Taboado. Lá desce por outra ferrovia, – o que a gente chama de bitola larga, também sob a gestão da ALL, que vai descer até o porto de Santos. Então continuamos a privilegiar as ferrovias.

Perfil NewsRecentemente o governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, autorizou a ordem de serviço de fazer um calado no Rio Tietê para haver condições de navegabilidade. Vocês pretendem também investir nisso?

Júlio CésarNesse momento não. Nós fizemos o estudo das hidrovias, mas achamos que o custo-benefício não era atrativo.

Perfil News Quando concluída o projeto Horizonte 2 serão duas fábricas em atividades. As gerências administrativas serão distintas?

Júlio CésarNão, a gerência será a mesma. Até porque a sala de controle, – não sei se você já teve a oportunidade de conhecer a sala de controle de uma fábrica de celulose, que é uma coisa pequena onde os operadores ficam naquele mesmo lugar. Então, nós não vamos ficar numa sala de controle nova para a linha nova, vai ser no mesmo lugar, só vamos colocar mais operadores, mais equipamentos, porém a parte de gestão é praticamente a mesma.

Perfil NewsNo caso, por exemplo, o Ottoni (atual gerente da Fibria) vai assumir as duas?

Júlio César Sim. Vou te dar um exemplo, a Aracruz, que é outro site que hoje é o maior da Fibria, ele tem três linhas de produção e que a gestão é muito parecida com a daqui, tem um gerente geral, um gerente de celulose, um gerente de manutenção, o que tem que aumentar é o pessoal de manutenção.

Perfil News 30% da produção de celulose é destinada à Internacional Paper, e 70% é para abastecer o mercado interno e exportação. A produção da segunda linha será destinada a quem?

Júlio César100% exportação. Hoje a Fibria atua na América do Sul, que é praticamente o Brasil, atua na América do Norte, Europa e Ásia. Fora a América do Sul, esses outros três continentes são em que o novo volume de produção vai dar entrada. Onde predominantemente na Ásia, mas todos vão receber celulose.

Perfil NewsExiste a necessidade de quantas pessoas para operar uma fábrica desse porte?

Júlio CésarOlha, exatamente o número eu não vou saber te dizer. O que nós temos feito hoje é que nós selecionamos e estamos treinando uma equipe que nós estamos chamando de pós-técnico, que tem 100 pessoas e têm outras pessoas que vão ser contratadas com experiência, isso vai dar mais ou menos umas 140 pessoas da área operacional, mas para a nova planta, quando a gente pega a indústria e a floresta, nós devemos ter três mil novos postos de trabalho entre diretos e indiretos.

Perfil NewsEssas pessoas que vão estar inseridas nesse projeto já estão passando por cursos de capacitação?

Júlio CésarSim, começaram em 11 de fevereiro, quando deu início ao treinamento especificamente. Teve toda a fase de seleção e dia 11 de fevereiro, depois do carnaval, começamos as aulas teóricas. E frente a isso, cada uma das pessoas da indústria deve ter 600 horas de treinamento, isso na indústria. Na floresta tem outra dinâmica e o treinamento é feito a maior parte dele pela própria Fibria, porque são maquinários especiais, nós temos simuladores. Então isso dá um contingente de mais de 700 pessoas que serão contratadas.

Perfil NewsMatéria prima para atender a segunda fábrica, levando em consideração que a floresta para chegar à maturidade de corte leva em torno de seis a sete anos. E vocês têm praticamente a floresta no quintal da indústria. Já existem novos hortos plantados para atender a nova fábrica?

Júlio CésarIsso é uma coisa que vem sendo feita desde a concepção da primeira planta. A Fibria, desde a concepção do Horizonte 1, fez a fábrica, tinha a madeira para a linha 1 e continuou expandindo a base florestal porque ela já vislumbrava um novo aumento de produção. Então ela já vinha plantando ao longo do tempo. Então como você já falou, a audiência pública e a licença de instalação nós conseguimos em 2010, a partida da planta foi em março de 2009, então ela já vinha trabalhando, mesmo fazendo uma fábrica, pensando na segunda. Então a parte de fornecimento de madeira está totalmente equalizada.

Perfil NewsNo total são quantos hectares? Somando para atender as duas linhas, você tem ideia mais ou menos?

Júlio César Para a linha dois por volta de 180 mil hectares. Certinho eu não vou ter, mas é por volta de 300 mil. Mas eu posso te passar o número exato. Só sei que o raio médio da planta 1 e da planta 2 vai ficar abaixo de 100 km de distância.

Perfil News Quais são os municípios da região que absorvem os benefícios?

Júlio CésarNa nossa visão, os municípios que tem o maior impacto são Três Lagoas, Brasilândia e Selvíria, que são os que mais aproveitam da expansão. Porque às vezes tem que alojar alguém em Brasilândia, contratar alguém de Brasilândia para a obra. Então na minha visão são os que mais beneficiados.

Perfil NewsVoltando à obra. Obviamente que um empreendimento dessa complexidade exige mais parceiros. Mais ou menos do começo até o final, quantas empresas participam do projeto?

Júlio CésarSó local tem por volta de 60. Na região aqui de Três Lagoas.

Perfil News Por que as pessoas então reclamam tanto, que não conseguem parcerias no projeto?

Júlio CésarEu aprendi que cada um enxerga o que quer. Às vezes acham que emprego é só vir trabalhar dentro do site da Fibria. Empregos têm vários. Vou dar um exemplo fácil. Nós, em uma certa data, decidimos não ter alojamento próprio. Porque decidimos não ter alojamento próprio? Porque nós fizemos um levantamento, o Arnaldo na verdade fez, e vimos que nós tínhamos 7.7 mil leitos disponíveis na região, contando pousadinhas, hotéis, alojamentos de terceiros ou privados, é o que nós vimos? Hoje Três Lagoas é diferente que em 2006, quando a Fibria veio para cá. Se a gente deixar que a iniciativa privada toque esse item do projeto, você vai mexer com toda a cidade. Se eu te der o alojamento você vai alugar pra empresa X e você vai contratar alguém para fazer alimentação que vai contratar uma cozinheira. Gira um efeito cascata, um círculo vicioso. Vai ter que ter alguém para fazer a limpeza dos apartamentos. Alguém vai lavar a roupa, etc. Outra coisa que, eu não sou daqui, mas vários colegas que vieram de Jacareí decidiram que vão morar aqui durante a fase do projeto. Hoje nós temos um percentual pequeno de quem está viajando, diferente do projeto 1 que todo mundo ia e voltava toda semana ou de 15 dias. Esse pessoal que veio para cá alugaram imóveis que estavam fechados, trouxeram família, colocaram crianças nas escolas, isso é gerar renda no município. Tudo está dentro do processo. Às vezes quem está de fora acha que não, mas isso está movimentando o comércio da cidade. Eu saio às vezes tarde daqui, normalmente quero comer alguma coisa, a gente passa na frente dos restaurantes e todos têm movimento. Você vê que são pessoas que a gente conhece andando na pela obra. Muitas pessoas da obra, um daqui, outro é da empresa X, outro de outra, e esse pessoal traz, queira ou não, divisas pra cidade. Na farmácia, todo mundo fica doente, infelizmente, eu vou lá, compro uma pasta de dente e eu ajudei, o outro compra um remédio para dor de cabeça.

Então eu acho que a gente precisaria desmistificar que trazer renda para o município é muito mais do que ter um trabalhador aqui no site. Eu acho que isso é muito pequeno dentro do processo. E as pessoas não observam isso.

Perfil NewsEssa situação já aconteceu em outras regiões?

Júlio CésarMuito difícil. Eu sei que a situação econômica que o País passa, não está fácil para ninguém. Só para você ter uma ideia, eu moro em Jacareí. É uma cidade muito pequena, mas em uma região muito rica, que é o vale do Paraíba. Ali a representatividade do PIB Brasileiro é altíssima porque tem grandes empresas; Embraer, GM, Volkswagen, a própria Fibria, Johnsons, muitas outras.

Se a gente ver o nível que está a região nesse momento de desemprego e de falta de perspectiva, Três Lagoas está no céu. E eu moro lá, não nasci lá, eu sou mineiro, eu moro lá há 20 anos. Dá tristeza. Aí você fala: não, a crise é para o menos favorecido. Não, é para todo mundo. Eu graças a Deus moro num lugar bom, num condomínio fechado. Lá tenho vários amigos perderam o emprego. Alguns deles têm a mulher que trabalha. Mas, ele não consegue outro emprego, e não é porque ele é um mau profissional. Porque não tem perspectiva, está todo mundo parado. Nós, aqui em Três Lagoas estamos totalmente na contramão do País. Três Lagoas está sendo bem agraciado nesse momento difícil.

Perfil NewsNós fizemos uma pesquisa em outubro. Ligamos para várias federações das indústrias de alguns estados. Naquela época constatamos que um dos maiores investimentos privados estão aqui em Três Lagoas. Fibria, Eldorado e a Cargill estão expandindo. Somados esses investimentos temos quase R$ 18 bilhões de investimentos nos próximos dois anos.

Esse volume monetário faz da cidade ser a bola da vez no âmbito nacional e isso traz dividendos positivos, como negativos, na questão social e da segurança pública. De que forma a Fibria vê essa situação?

Júlio CésarNo tocante aos investimentos é uma situação diferenciada do restante do País. Quanto às outras questões, eu acho que a nossa visão é um pouco diferente. Vamos pegar esse exemplo do cara que bebe um pouco, que passa ou mexe com uma família. Nós temos vários programas internos que nós queremos mitigar, minimizar ou até mesmo evitar isso. Então nós montamos alguns programas como aquele PAGP (Programa de Apoio a Gestão Pública). Montamos o programa do Agente do Bem, onde nós temos duas instituições renomadas, que tem experiências, tanto no trato da questão infantil, como álcool e droga. Então fizemos acho que duas reuniões com entidades de classe da cidade para achar formas de minimizar isso ao máximo.

Evitar com certeza é difícil, mas o que é a nossa visão? A minha mãe falava que “cabeça vazia é habitação do diabo”. Então você tem que arrumar o que o cara fazer. Vocês vão ver já que vai ter um cinema itinerante, que vai ser lá no Arenamix (exclusivamente para os funcionários). Vamos levar, porque esse pessoal tem folga, tem a noite e tem os turnos, quem tiver com folga, vamos proporcionar cinemas lá no Arenamix. No mesmo processo vamos levar escolas selecionadas quando não tem com o pessoal da obra. Ou separa os lugares para levar o pessoal de determinada escola. Então nós queremos trabalhar proativamente, não é esperar acontecer. O cara bebeu uma, brigou e foi parar na polícia então eu tenho que ajudar a polícia. Sendo assim, na primeira parte nós queremos trabalhar na causa. Não é discurso, a coisa está andando, e eu acho que está tendo uma excelente receptividade.

Nós não temos pessoas que olhem só a obra. Só coloca gente aqui dentro para fazer a fábrica. Nós temos pessoas dedicadas a olhar a sustentabilidade, pessoas dedicadas a olhar a comunicação, igual o Anderson (Comunicação) que está dedicado ao projeto, tem uma equipe que está dedicada à sustentabilidade. Então ele está olhando o que está acontecendo na cidade, se está afetando na cidade.

É claro que coisas acontecem, mas o que nós temos que ter é ação rápida para que aquilo se resolva o mais rápido possível. E em complemento a isso existe o PBA (Plano Básico Ambiental), que é um determinado volume de verba que é destinado em acordo com o Condesus, que é uma entidade classe de Três Lagoas, existe uma verba destinada para a saúde, para a educação, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Militar Ambiental, Bombeiros. Então tem reformas de escolas, a de hospitais, tudo na verdade nós temos que fazer doação. Nós vamos comprar, por exemplo, viaturas e depois é repassado para a Polícia Militar. Cada um foi selecionado o que mais precisam nesse momento. Isso também está em movimento e já foi, aliás, validade e acordado junto ao Condesus.

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Do primeiro projeto para esse, Três Lagoas está mais preparada ou não?

Júlio César Com certeza. Três Lagoas, como você falou, é uma cidade rural, hoje ela é uma cidade industrial, preparada para suportar um investimento dessa magnitude. Hoje ela tem a infraestrutura que nos permite isso. Nós temos um aeroporto que nos permite que pessoas se desloquem com segurança. Temos bons hotéis, bons restaurantes. O hospital Nossa Senhora Auxiliadora, até melhorou.

Não sei se foi no passado, mas nós temos um convênio com todos os funcionários da obra. Um atendimento diferenciado. Eu já nesses 30 anos participei de várias obras e realmente é diferenciada. Isso mostra a preocupação nossa de ser proativos. Começou dar problema, muita gente no SUS, agora resolveu o problema.

Sempre que possível a gente não quer deixar que o problema aconteça, essa é a nossa meta. Porque problema que acontece, nós vamos tirar energia de uma coisa que para por a planta para operar. Porque nós temos que resolver aquilo, é tão importante quanto o rendimento. Ele é uma fase do empreendimento. Então tudo aquilo que a gente puder fazer em avanço, com certeza a gente vai fazer melhor planejado, com custos otimizados e fazer com que o impacto não tenha, só tenha o benefício.

Perfil News Você falou do aeroporto. Antes, para pegar um voo você tinha que ir para Araçatuba (SP). Isso dinamizou muito mais as viagens?

Júlio CésarNossa, excelente. Infelizmente esse final de mês cortaram um voo da Azul. Então hoje, por acaso, eu estou indo à tarde e tenho que ir para Araçatuba pegar um voo. Mas como a minha mãe fala, quando fecha uma porta abre duas janelas. Em 25 de Abril diz que a Passaredo está colocando um voo na parte da tarde, vai otimizar bastante para nós.

Perfil News O que está acontecendo. É a crise?

Júlio César Não sei se o senhor viu, mas nós estivemos na Azul, mostramos quantas pessoas nós temos aqui. Dessas trezentas da nossa equipe, quantas vezes nós precisamos pegar um voo durante a semana. Porque tem gente que vai toda semana, tem gente que vai de 15 dias. Fizemos um levantamento com os contratados, e é um número significativo. Levamos para eles parar tentar sensibilizá-los para que, naquela data, nós queríamos melhorar os horários. Eles não só não aceitaram como tiraram o horário. Então toda a rota da Azul eles estão fazendo uma redução de 7% das aeronaves que eram leasing e estão devolvendo. Então a coisa está feia.

Perfil NewsConstruir uma indústria de oito bilhões de reais em um momento de crise econômica é difícil ou não?

Júlio César É difícil, mas é bom. Mas podia ser pior. Porque se nós não estivéssemos fazendo nada, mais pessoas estariam em situação ruim. Mas não é bom. É bom quando todo mundo está de vento em popa.

Perfil NewsNo caso para você que contrata é melhor?

Júlio César É claro que ele ajuda, mas a Fibria tem uma visão, você não pode se aproveitar do momento. Porque o momento muda. E não nos interessa de forma nenhuma um empreendimento desses. Se nós temos um problema, com uma empresa que for; seja de montagem, construção civil, aqui dentro e ela não consiga honrar um compromisso? Vira um transtorno enorme, porque pensa numa empresa que tenha 1.500 pessoas. Se ela tiver um problema financeiro e não conseguir honrar, como é que eu coloco 1.500 pessoas trabalhando. A empresa tem os equipamentos, o trabalhador sabe do projeto, ele tem toda a logística. Se esse cara não conseguir honrar, para nós é um prejuízo enorme. Então a Fibria tem plena ciência de que ela não pode aproveitar do momento, não é porque a situação está difícil para o País é que eu vou apertar o cara até sair sangue. O sangue dele vai voltar. Então nós temos um preço justo, é claro que o cara da empresa tem o custo dele, e nós sabemos. Se eu acho que uma coisa custa 100 e você quiser me vender por 50, eu não vou comprar do senhor, você pode ter certeza.

Perfil NewsO consumo de madeira para atender a segunda indústria seria de quantos metros cúbicos?

Júlio CésarEle é equivalente ao de hoje da linha (1), porque a linha 1 chamada Linha do Estado da Arte. O processo tecnológico que estamos montando para a linha 2 é muito parecida com o da linha 1. Então o específico é excelente de primeiro nível para uma fábrica de celulose moderna igual a que estamos instalando.

Perfil NewsO excedente de energia, você tem a noção de quantos MW?

Júlio CésarDe energia nós teremos cerca de 120 MW de excedente. Só para você ter noção, hoje a linha 1 tem 60 MW, então vai triplicar, 60 mais 120 vai dar 180. Então esses 120 MW, só da linha 2, ele é equivalente a abastecer uma cidade igual Guarulhos, que tem mais de 300 mil residências. Então é um volume significativo. Hoje a energia para a fábrica de celulose, ou a venda de energia é quase tão importante quanto à venda de celulose.

Perfil NewsE vocês comercializam isso como?

Júlio CésarO grupo Votorantim tem uma empresa que chama Votorantim Energia. Ela é responsável pela comercialização de todo esse excedente de energia. Excedente ou compra é a Votorantim Energia que faz a ponte com as unidades do mundo.

Perfil NewsVocê comentou que Aracruz tem três linhas de produção. Aqui em Três Lagoas, agora construindo a segunda. Já existe outro projeto para uma terceira unidade ou ainda não se pensa nisso?

Júlio CésarNão, nós estamos focados na implantação da segunda linha, mas é claro que a região tem madeira disponível, tem terra disponível, e se for viável, com certeza num futuro vai ser avaliado.


A área total do projeto Horizonte 2 é  de 1,5 milhão de metros quadrados que deverá ser concluído no último trimestre de 2017 ao custo de R$ 8,7 bilhões (Foto: James Luck)

Para ter uma ideia da dimensão do empreendimento só o refeitório tem capacidade para atender 10 mil refeições (Foto: Daniela Silis)

O canteiro de obras está em atividade desde junho do ano passado  quando iniciaram a construção do empreendimento (Foto: Daniela Silis)

A cronograma da obra está saindo da fundação e entrando para a construção vertical (Foto: Daniela Silis)

No total da obra, serão utilizados 200 mil m³ de concreto para toda a obra, o que daria para construir três Maracanãs (Foto: James Luck)

A equipe do Perfil News que esteva por mais de 4 horas percorrendo o complexo do projeto Horizonte 2 (Foto: Fernanda Turco)
Nas imagens abaixo na sala do diretor geral do projeto e no canteiro de obras do empreendimento (Foto: Patricia Miranda)

Júlio César Rodrigues da Cunha - Diretor de engenharia do Projeto Horizonte 2. Tem experiência de 30 anos no setor de celulose e sua formação é de engenheiro eletrônico (Foto: Daniela Silis)







A obra está na transição, saindo da fundação para a verticalização   (Foto: Daniela Silis)

Com as barras de ferro utilizadas na construção daria para dar cinco voltas na terra (Foto: Daniela Silis)

Todos os detalhes do empreendimento foram informados pelo engenheiro, Carlos Henrique Trematore, coordenador de implantação do Projeto horizonte 2 (Foto: Patrícia Miranda)

O projeto Horizonte 2 é considerado um dos maiores canteiros de obras de área privada do país (Foto: James Luck)



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