08/01/2019 15h53

Em uma semana, Fibria dará lugar à quarta companhia mais valiosa do Brasil

A partir de 14 de janeiro o nome Fibria dará lugar à marca Suzano, em uma fusão que mudará o panorama das cidades onde a gigante da celulose opera - e emprega - dezenas de milhares de pessoas

 
Gisele Berto
Versão do logo da nova empresa, reproduzido pelo site Infomoney e não confirmado pela assessoria de imprensa da Suzano. Foto: Reprodução Versão do logo da nova empresa, reproduzido pelo site Infomoney e não confirmado pela assessoria de imprensa da Suzano. Foto: Reprodução

Uma empresa que mudou uma cidade. Na verdade, mudou várias cidades. Essa tem sido a Fibria, nesses mais de nove anos de existência. E essa história, que transformou a vida de Três Lagoas, Aracruz (ES), Jacareí (SP) e de Eunápolis (BA) e de seus mais de 19 mil funcionários, está prestes a mudar.

Principal operação financeira no ano passado - e que causou um estrondo no mundo empresarial, por unir duas concorrentes diretas e gigantes - a Fibria se unirá à Suzano, dando lugar à Suzano SA, maior empresa de papel e celulose da América Latina e uma das maiores do mundo.

A partir de 14 de janeiro, o nome Fibria deve começar a sumir. Dará lugar ao nome do grupo que controla, agora, 46,4% da empresa.

Segundo matéria publicada pela revista Exame, o logotipo será formado pelo nome Suzano, com um tipo de letra diferente do adotado até o momento, mais o desenho de uma folha que fazia parte da marca da Fibria. O site Infomoney publicou uma possível nova versão do logo (reproduzido acima), não confirmado pela assessoria de imprensa da Suzano.

A partir de 14 de janeiro, a Fibria se unirá à Suzano, formando a SZuzano SA, maior empresa de papel e celulose da América Latina. Foto: Divulgação A partir de 14 de janeiro, a Fibria se unirá à Suzano, formando a SZuzano SA, maior empresa de papel e celulose da América Latina. Foto: Divulgação

Os números são gigantes: a maior produtora de papel e celulose da América Latina já nasce com valor de mercado de 79 bilhões de reais.

Com a união, a Suzano terá capacidade de produção de 11 milhões de toneladas de celulose de mercado e 1,4 milhão de toneladas de papel por ano. A companhia contará com aproximadamente 37 mil colaboradores diretos e indiretos e 11 unidades fabris, capazes de abastecer mais de 90 países e gerar um volume de exportações de R$ 26 bilhões.

Entre janeiro e setembro de 2018, as duas empresas alcançaram R$ 10,1 bilhões em geração operacional de caixa e R$ 24,5 bilhões em receita líquida, dois recordes históricos no setor.

A operação coloca, mais uma vez, Três Lagoas no foco dos grandes negócios, já que é aqui que está a fábrica com a maior capacidade de produção da empresa.

OUTRA VENDA GIGANTE

O cenário da celulose foi bastante turbulento nos últimos dois anos. Além da fusão Fibria + Suzano, outra gigante esteve nos noticiários por vender parte de suas operações: a Eldorado, que pertence ao grupo J&F, dos irmãos Batista, teve parte de suas ações vendidas para a empresa holandesa com sede no Canadá Paper Excellence.

Entretanto, o negócio está mais complicado do que o que envolveu a Fibria. O acordo entre as empresas previa a aquisição de 50,59% da Eldorado pela Paper Excellence até 3 de setembro do ano passado, deixando assim a J&F longe do comando da empresa.

Venda da Eldorado pela J&F para a Paper Excellence está emperrada e deve ser decidida nos tribunais. Foto: Arquivo Perfil News. Venda da Eldorado pela J&F para a Paper Excellence está emperrada e deve ser decidida nos tribunais. Foto: Arquivo Perfil News.

Uma das razões para o negócio emperrar seria que, desde a assinatura do contrato de venda da Eldorado, em setembro de 2017, o dólar subiu e a celulose se valorizou

 

No entanto, a Paper Excellence não conseguiu concluir o negócio por problemas na liberação das garantias da Eldorado. A alegação é não houve cooperação por parte da vendedora. Segundo informações da assessoria de imprensa da Paper Excellence o contrato segue válido até decisão arbitral, conforme liminar obtida pela empresa. O prazo da arbitragem deve levar cerca de dois anos.

Uma das razões para o negócio emperrar seria que, desde a assinatura do contrato de venda da Eldorado, em setembro de 2017, o dólar subiu e a celulose se valorizou. A empresa avaliada em R$ 15 bilhões valeria mais de R$ 20 bilhões no final de 2018.

Hoje, a composição acionária da companhia é a a seguinte: J&F, com 50,59% do capital social, e CA Investment, da Paper Excellence, com 49,41%.

A briga pelo controle da Eldorado continua feia nas instâncias superiores e muita água vai rolar debaixo dessa ponte até que se defina o destino da empresa.

(*Atualizado em 9/1/2018 às 14h51 para acréscimo de informações)

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