25/03/2019 11h02

Inundações em Três Lagoas são resultado de uma somatória de culpas, diz arquiteta

Falta de investimento, fiscalização, lixo nas ruas e eliminação das áreas permeáveis criaram um problema que só poderá ser resolvido com uma campanha de conscientização geral

 
Gisele Berto
Arquiteta Sandra Latta falou com o jornalista Ricardo Ojeda sobre o problema das inundações em Três Lagoas. Foto: João Vitor/Perfil News Arquiteta Sandra Latta falou com o jornalista Ricardo Ojeda sobre o problema das inundações em Três Lagoas. Foto: João Vitor/Perfil News

Não dá para escolher um culpado pelas inundações que se tornaram frequentes sempre que chove em Três Lagoas. Essa é a opinião da arquiteta Sandra Latta, em entrevista hoje, 25, ao Perfil News.

"Três Lagoas foi construída sobre uma planície. Para se ter uma ideia, o desnível entre a rodoviária e a Lagoa é de apenas 70cm. Ainda que fosse feito um sistema de drenagem em toda a cidade seria necessário também realizar o bombeamento dessa água, porque não há caída para levar a água", afirmou Sandra.

Para a arquiteta, hoje os moradores pagam por anos de mau uso da cidade. "As pessoas precisam entender que, apesar delas terem comprado o terreno, ele não é só dela. Ele é da cidade. É preciso respeitar a lei de permeabilidade do solo. É preciso ter pelo menos 20% de área permeável na construção. Mas não: hoje, a primeira coisa que os clientes pedem é que cimente tudo", lamenta Sandra.

DE QUEM É A CULPA?

Segundo a profissional, não é possível eleger um único culpado pelas enchentes na cidade. "Todo mundo tem culpa: a administração pública, pela falta de investimentos, a população, por jogar lixo na rua e não deixar uma área permeável em cada terreno, os empreendedores, por construir condomínios e isolar suas áreas, como se eles não tivessem nada a ver com o resto da cidade", afirmou.

Sandra insistiu no fato da cidade estar cada vez mais impermeável. "É justo e necessário que as pessoas queiram pavimentação nas ruas. Mas para isso, é preciso que elas mesmas mantenham um espaço de solo permeável em suas casas, porque senão a água não vai ter para onde escoar".

A arquiteta acredita que o problema das inundações seja de difícil resolução, justamente devido à topografia excessivamente plana da cidade. "A conscientização é o primeiro ponto. Cada um tem que fazer a sua parte. Porque tem um ditado que diz que Deus perdoa, mas a natureza, não. Tudo o que nós fazemos ao meio ambiente tem impacto, e tudo virá de volta para nós", afirmou.

ARBORIZAÇÃO

Sandra lembra que, na década de 70 e 80, Três Lagoas era muito mais arborizada. "Havia muitas árvores sete-copas na cidade. No entanto, devido a um problema de raiz, foi-se retirando as árvores, mas elas não foram substituídas. Aí ficamos sem árvores, nesse calor forte que temos".

Para Sandra, resolver o problema das enchentes passa, necessariamente e de forma urgente, pela conscientização das pessoas. "A manutenção das áreas permeáveis, de trechos arborizados e a realização da fiscalização são essenciais para tentar amenizar esse problema, que é de difícil resolução", disse.

Veja o vídeo completo da entrevista abaixo.

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