21/01/2019 15h16

Procon de Três Lagoas chama Elektro para debater sobre abusos nas contas de energia

Diretor do órgão de Defesa do Consumidor chamará a concessionária para reunião urgente para debater o aumento exagerado nas contas de energia elétrica.

 
Gisele Berto
O jornalista Ricardo Ojeda conversou com o diretor do Procon, Mohammed El Jarouche. Foto: Reprodução O jornalista Ricardo Ojeda conversou com o diretor do Procon, Mohammed El Jarouche. Foto: Reprodução

Em entrevista ao jornalista Ricardo Ojeda (veja o vídeo completo abaixo) o diretor do Procon de Três Lagoas, Mohammed Youssef El Jarouche afirmou que, devido à grande quantidade de reclamações a respeito de aumentos supostamente abusivos em contas de energia elétrica, chamou o Especialista Comercial da Elektro, Fábio Costa para discutirem uma solução para a grande demanda de reclamações por parte dos três-lagoenses, que chegam a comprometer metade do orçamento doméstico apenas com a conta de luz.

Em agosto, a Elektro anunciou um aumento de 23,12% nas contas residenciais e 26,75% para as indústrias. Apesar da bandeira verde, consumidores relatam que as contas dobraram de valor, sem que o consumo tenha dobrado.

Perplexos com o valor das contas, os consumidores têm procurado os órgãos de defesa do Consumidor, como o Procon e a Aneel, para registrar suas reclamações.

Além disso, diversos abaixo-assinados circulam neste momento pela cidade, alguns com mais de cinco mil assinaturas, cobrando providências em relação ao aumento abusivo nas contas.

"Todos os abaixo-assinados são válidos. Onde quer que eu vá as pessoas contam suas histórias. Por isso pedi uma reunião urgente à Elektro e, se possível, como Apóstolo Ivanildo, que é o relator da CPI na Câmara dos Vereadores, para resolver essa questão que está comprometendo a renda do trabalhador de Três Lagoas", afirmou Jarouche.

Em dezembro de 2017, a Câmara de Vereadores de Três Lagoas abriu uma comissão de inquérito para investigar apurar possíveis irregularidades na prestação de serviços de distribuição de energia elétrica. Após ouvir consumidores, a Comissão voltará à carga, no retorno do recesso, para ouvir a Elektro.

A EXPLICAÇÃO DA ELEKTRO

Após publicação de reportagem pelo Perfil News, a Elektro divulgou uma nota à imprensa reiterando os papéis de cada participante na composição da conta de luz.

O último reajuste foi em 27 de agosto de 2018. Atualmente a parcela da distribuição de energia corresponde somente a 18,46% da tarifa da Elektro.

Ainda de acordo com a concessionária, "a conta de energia não é influenciada apenas pelas tarifas definidas, como também pode sofrer variação devido ao aumento do consumo do cliente, em especial no verão, quando se atinge elevadas temperaturas, e os consumidores fazem uso de mais aparelhos como ar condicionado, ventiladores, e mesmo os equipamentos de refrigeração como geladeiras podem consumir mais energia para conseguir manter a temperatura. Além disso, dependendo do volume de energia consumido pelo cliente, a alíquota do imposto ICMS, que é definida de acordo com leis estaduais, pode sofrer alteração, o que implica em variação da conta de energia".

De fato, o ICMS é escalonado, como já foi mostrado na reportagem publicada pelo Perfil News. Quanto mais se usa, mais se paga de impostos.

Consumidores que gastem até 50 kWh por mês são isentos; quem consome entre 51 até 200 kWh paga 17% de ICMS; quem gasta entre 201 a 500 kWh paga 20% e, acima de 500 kWh, o imposto vai a 25% - correspondente a um quarto do valor da conta.

Composição da conta

De acordo com a Elektro, as despesas com a compra e transmissão de energia respondem 40,73%. Os encargos setoriais e impostos têm uma participação de 40,81% nos custos. Do valor cobrado na fatura, 18,46% ficam na Elektro para cobrir os custos de operação, manutenção, administração do serviço e investimentos. Isso significa que, para uma conta de R$ 100, por exemplo, cerca de R$ 18 são destinados efetivamente à Elektro.

Reprodução/Elektro Reprodução/Elektro

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