10/01/2019 14h25

Vítimas do caso Marmitinhas de Três Lagoas ainda não registraram queixa na delegacia

Delegado regional diz que se houver B.O a polícia vai investigar e com a ajuda da tecnologia chegará aos culpados que podem ser penalizados com multa e detenção

 
Ricardo Ojeda

Até o final da manhã desta quinta-feira, nenhuma queixa foi registrada pela Polícia Civil Três Lagoas, no caso "As marmitinhas", que envolveu garotas, (algumas menores de idade), além de mulheres casadas em vários vídeos divulgado pelo aplicativo WhatsApp.

Os vídeos foram divulgados na terça-feira a noite, proliferando em vários grupos do WhatsApp. No material havia várias fotos de mulheres, tendo como fundo a música "Mostra a cara", do MC Brisola, difamando as meninas do vídeo, afirmando serem "marmitas ou marmitinhas".

A letra da música faz uma alusão à "vida fácil" das meninas, que teriam um "patrocinador" para as "conquistas".

"Se as pessoas que apareceram no vídeo se sentirem prejudicadas e ofendidas, podem procurar a Delegacia da Mulher para registrar um boletim de ocorrência. A partir disso vamos investigar e punir os responsáveis"

— Rogério Market Faria - Delegado regional de Três Lagoas

GRUPOS CONGESTIONADOS

Na mesma noite outro vídeo foi divulgado, desta vez que fotos de rapazes, intitulados "Corninhos de Três Lagoas", porém desta vez com a música de fundo, sucesso do Rei da Caçambinha, "Desça daí, seu corno".
Após a divulgação desse material alguns grupos do aplicativo ficaram congestionados, devido à grande procura para assistir o conteúdo.

Algumas garotas que apareceram no vídeo sentiram-se ofendidas, se reuniram no centro da cidade e foram até a frente de uma casa, onde supostamente estaria morando uma das responsáveis pela divulgação do material para tomarem satisfação. Um princípio de tumulto ocorreu na frente da residência.

Fato semelhante aconteceu em Ribas do Rio Pardo. Conforme reportagem divulgada pelo G1, nessa semana quatro pessoas, entre elas dois adolescentes, de 12 e 17 anos, foram encaminhadas para a delegacia, após difamarem vítimas nas redes sociais e em grupos de WhatsApp.

 
Delegado regional disse que ninguém garante o anonimato. A tecnologia na informática consegue chegar aos autores do crime (Foto: Ricardo Ojeda) Delegado regional disse que ninguém garante o anonimato. A tecnologia na informática consegue chegar aos autores do crime (Foto: Ricardo Ojeda)

SEM REGISTRO DE B.O

O Perfil News conversou com o delegado regional de Três Lagoas, Rogério Market Faria, que informou ter conhecimento do caso, porém disse que não foi registrada nenhuma ocorrência. Ele aproveitou para dizer que se as pessoas que apareceram no vídeo se sentirem prejudicadas e ofendidas, podem procurar a Delegacia da Mulher para registrar um boletim de ocorrência. "A partir disso vamos investigar e punir os responsáveis. Temos condições de descobrir autor ou os autores do vídeo. Com o avanço da tecnologia da informática ninguém mais fica acima das leis. Não pense que o anonimato está garantido", finalizou. A pena por calúnia, injúria e difamação pode chegar de seis meses a dois anos de detenção, além de multa.

"Com o avanço da tecnologia da informática ninguém mais fica acima das leis. Não pense que o anonimato está garantido”

— Rogério Market Faria - Delegado regional de Três Lagoas

VIA FAX

Por telefone a reportagem conversou com algumas das envolvidas no vídeo, para saber quais os procedimentos iriam tomar, mas mesmo garantindo o anonimato, disseram que não queriam se pronunciar.

Há anos, quando não havia aplicativos de comunicação, fato semelhante aconteceu em Três Lagoas, porém ao invés de fotos era uma lista com os nomes das pessoas distribuídas através de fax. Naquela ocasião foi grande a repercussão na sociedade.

 

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