10/02/2019 08h04

Com seca e recordes de consumo, governo decide acionar térmicas mais caras

Segundo o comitê, que reúne autoridades do setor elétrico, as medidas são necessárias diante da queda dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas no país e das previsões de poucas chuvas para os próximos dias.

 
Nicola Pamplona/FolhaPress
Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil

O CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) decidiuacionar térmicas mais caras para garantir o abastecimento de energia no país. A medida deve representar aumento na conta de luz dos brasileiros.

O governo avaliará ainda a possibilidade de importação de energia da Argentina e do Uruguai como recurso adicional para poupar água nos reservatórios das hidrelétricas.

Segundo o comitê, que reúne autoridades do setor elétrico, as medidas são necessárias diante da queda dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas no país e das previsões de poucas chuvas para os próximos dias.

A combinação entre altas temperaturas e poucas chuvas durante o mês de janeiro levou o CMSE a aumentar a frequência de reuniões para ter uma avaliação mais próxima da situação das hidrelétricas.

Desde de ontem, sábado (9), foram acionadas térmicas com custo de até R$ 588,75 por megawatt-hora (MWh), valor superior ao previsto nos modelos computacionais usados pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).

Isso significa que o governo decidiu substituir geração hidrelétrica, mais barata, pelas térmicas mais caras. O custo adicional é cobrado do consumidor por meio das bandeiras tarifárias da conta de luz -em fevereiro, está vigorando a bandeira verde, que não tem custo para o consumidor.

Janeiro foi um mês de poucas chuvas sobre os reservatórios e alto consumo de energia devido às elevadas temperaturas. De acordo com dados da CCEE (Câmara Comercializadora de Energia Elétrica), o consumo nacional de energia cresceu 6,5% com relação ao mesmo período do ano anterior.

"A alta temperatura registrada em janeiro foi o principal motivo para o crescimento do consumo de energia", disse a instituição.

No mês, o ONS detectou quatro recordes de consumo pontual, todos durante a tarde, quando as temperaturas são mais altas. O último foi às 15h50 do dia 30 de janeiro, quando o consumo bateu 90.525 MW.

O nível dos reservatórios das hidrelétricas regiões Sudeste e Centro-Oeste, consideradas a principal caixa d'água do setor elétrico brasileiro, caiu 1,3% no mês. No ano passado, com menos calor e mais chuvas, o indicador subiu 8,6% no mesmo período.

Isso em um mês em que tradicionalmente os reservatórios tendem a ganhar volume neste período, represando água para garantir o abastecimento durante o chamado período seco, entre o outono e o inverno.

As hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste fecharam janeiro com 26,5% de sua capacidade de armazenamento de energia.

O cenário já provoca alta no preço da energia negociada na CCEE: o valor para clientes maiores nas regiões Sudeste e Centro Oeste começou o mês em R$ 140 e terminou em R$ 183,43 por megawatt-hora (MWh), alta de 31%, comportamento que não ocorria desde 2014.

Em nota divulgada nesta sexta, 8, o CMSE disse que as condições de atendimento serão reavaliadas semanalmente -normalmente, as reuniões são mensais- e frisou que não há risco de desabastecimento.

"O comitê reiterou a garantia do suprimento no ano de 2019 e destacou que há recursos energéticos disponíveis, inclusive além dos montantes já despachados de usinas termelétricas."

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