06/02/2019 09h31

Diário na Venezuela

Um relato de um brasileiro que está a trabalho no país vizinho e conta, dia a dia, as dificuldades e curiosidades locais.

 
Ariosto Mesquita e André Sório
Aeroporto Executivo de Caracas, na Venezuela. Foto: André Sório. Aeroporto Executivo de Caracas, na Venezuela. Foto: André Sório.

O engenheiro agrônomo e consultor brasileiro para agropecuária André Sório chegou na última segunda-feira, 4, na Venezuela, onde vai trabalhar durante oito dias em uma propriedade de pecuária leiteira e de corte no Estado Apure.

Apesar da crise naquele país, algumas associações de ganaderos resolveram tocar à frente seus negócios sem depender de ações governamentais.

De hoje até seu retorno, Sório e o jornalista Ariosto Mesquita decidiram produzir um "Diário da Venezuela", para fazer um relato sem viés ideológico das dificuldades atuais em produzir dentro do território venezuelano e das curiosidades relacionadas à economia, fundamentalmente no que se refere à pecuária e industrialização.

Este é o primeiro episódios. Confira dia a dia os próximos capítulos.

Consultor agropecuário André Sório. Foto: Ariosto Mesquita Consultor agropecuário André Sório. Foto: Ariosto Mesquita

DIÁRIO NA VENEZUELA – Episódio 1 – Por André Sório – 04 de fevereiro de 2019

"É possível sentir a tensão no ar desde a chegada ao Aeroporto da capital, Caracas. Já no trajeto entre o terminal internacional e o aeroporto executivo da cidade, vi princípios de manifestações nas ruas.

Segui para San Fernando de Apure, capital do estado Apure onde estou. Por aqui é bem mais tranquilo. Andando pelas ruas e passando por feiras e supermercados, percebi que há comida, mas a variedade é pouca.

Neste primeiro dia já deu para perceber que o país está se dolarizando. Os salários ainda não. Isso leva a vencimentos muito baixos e afugenta a mão-de-obra mais qualificada nas fazendas. O pagamento é feito a cada semana e os reajustes também são semanais. Na empresa rural onde estou os proprietários indexaram os salários pela pecuária leiteira. Aumentando o preço do leite, eles aumentam a remuneração.

Notei que é difícil encontrar peças de reposição para tratores e outras máquinas. Até óleo lubrificante pode faltar.

Em compensação, diesel e gasolina – combustíveis fósseis em geral – são baratíssimos. Quase de graça. Para encher o tanque do avião hoje, compramos 465 litros de querosene de aviação. Pagamos por tudo isso apenas dois dólares (US$ 2), o equivalente em reais a R$ 7,32".

André Sório – engenheiro agrônomo e consultor agropecuário Texto final: Ariosto Mesquita – DRT/MG 3474