18/02/2019 15h52

Estudo genético busca impedir infecção alimentar por salmonela

Pesquisa abrange os três tipos de salmonela que mais infectam os seres humanos

 
Agência Fapesp
Projeto apresentado na FAPESP Week London pretende identificar genes que permitem à bactéria sobreviver no trato digestórios das aves e, assim, contaminar humanos (imagem: Wikimedia Commons) Projeto apresentado na FAPESP Week London pretende identificar genes que permitem à bactéria sobreviver no trato digestórios das aves e, assim, contaminar humanos (imagem: Wikimedia Commons)

Um grupo de pesquisadores da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista (FCAV-Unesp), em Jaboticabal, investiga genes importantes para a sobrevivência de bactérias da espécie Salmonella no trato intestinal de aves. O objetivo é prevenir a infecção alimentar em seres humanos.

Existem mais de 2,6 mil sorotipos conhecidos de Salmonella. Alguns deles respondem por muitos casos de infecção em animais e em humanos. A presença de certos sorotipos em produtos de aves brasileiras já motivou a Europa a barrar contêineres exportados pelo país. A legislação europeia é bastante restritiva quanto à presença dessas bactérias.

"As salmonelas colonizam muito bem o trato digestório das aves e podem ou não causar doenças. Mesmo quando não afetam a galinha, podem infectar seres humanos que dela se alimentarem", disse Angelo Berchieri Junior, professor da FCAV-Unesp, durante palestra na FAPESP Week London, evento ocorrido nos dias 11 e 12 de fevereiro de 2019.

Berchieri é responsável por um Projeto Temático apoiado pela FAPESP que vai testar o efeito da deleção dos genes ttrA e pduA em três sorotipos de salmonela: Salmonella Enteritidis, S. Typhimurium e S. Heidelberg.

"Escolhemos essas três porque são frequentemente encontradas em aves e podem causar infecção alimentar em humanos", disse Berchieri.

O pesquisador explicou que, das três, S. Heidelberg é a menos comum em seres humanos. No entanto, foi encontrada em cargas brasileiras de aves que não foram aceitas na Europa. "Ela está disseminada no Brasil e pode comprometer as exportações brasileiras", disse.

A legislação brasileira faz menção restritiva aos sorotipos Enteritidis e Typhimurium. Contudo, dependendo do país importador, outras salmonelas também não podem estar presentes nos produtos avícolas exportados.

Para testar quais genes tornam a bactéria resistente ao sistema imunológico das aves, os pesquisadores infectam um grupo de pintinhos com a bactéria selvagem (sem modificação genética) e outro com salmonelas que tiveram os genes ttrA ou pduA deletados.

Depois, comparam nos dois grupos a presença da bactéria nas fezes, no ceco (porção inicial do intestino grosso), no fígado e no baço.

Ao identificar os genes que permitem a sobrevivência da bactéria, o pesquisador é capaz de gerar versões mutantes, que podem ser usadas como vacina. Quando o sistema imune entrar em contato com uma variedade que não mata o animal, mas que se mantém viva por algum tempo no organismo, é criada uma memória imune. Caso o animal seja exposto à versão nociva da bactéria, suas defesas estarão prontas para atacá-la.

"Conhecer e combater os sorotipos que podem infectar aves é, portanto, fundamental para a saúde dos consumidores e também para a balança comercial brasileira", disse Berchieri.

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