08/02/2019 08h35

Laboratório suíço imprime em 3D orelha feita de celulose

Objetivo é produzir implantes biomédicos que podem ajudar crianças com má formação auricular hereditária

 
Redação
A orelha impressa em 3D: pesquisador do Empa, Michael Hausmann, usa nanocelulose como base para inovação em implantes. (Foto: Site Empa).
A orelha impressa em 3D: pesquisador do Empa, Michael Hausmann, usa nanocelulose como base para inovação em implantes. (Foto: Site Empa).

O Laboratório Federal Suíço de Ciência e Tecnologia de Materiais (EMPA) conseguiu "imprimir" uma orelha feita de celulose em uma impressora 3D.

O feito foi divulgado no site do EMPA no dia 15 de janeiro. Segundo o pesquisador Michael Hausmann, nesse momento a orelha é feita inteiramente com nanocristais de celulose e biopolímero. Mas o objetivo é incorporar tanto células humanas quanto substâncias terapêuticas na estrutura de base, de forma que seja possível produzir implantes biomédicos.

"No estado viscoso, os nanocristais de celulose podem ser facilmente moldados junto com outros biopolímeros em estruturas tridimensionais complexas usando uma impressora 3D, como o Bioplotter", explica Hausmann. Uma vez reticuladas, as estruturas permanecem estáveis, apesar de suas propriedades mecânicas macias.

Ele agora está analisando como os condrócitos (células de cartilagem) podem ser integrados ao suporte para produzir tecido de cartilagem artificial.

Assim que conseguir que as células colonizem o hidrogel, os compósitos baseados em nanocelulose na forma de uma orelha poderão servir como um implante para crianças com uma má formação auricular hereditária como, por exemplo, na microtia, onde o ouvido externo não se desenvolve completamente.

Uma vez que o tecido artificial tenha sido implantado no corpo, a expectativa é que o material polimérico biodegradável se degrade ao longo do tempo.

A celulose em si não é degradável no corpo, mas é biocompatível. No entanto, não é apenas a sua biocompatibilidade que faz da nanocelulose o material perfeito para servir como suporte em implantes. "É também o desempenho mecânico dos nanocristais de celulose que os tornam candidatos tão promissores, porque as fibras minúsculas, mas altamente estáveis, podem reforçar o implante produzido extremamente bem," disse Hausmann.

Como matéria prima, a celulose é o polímero natural mais abundante na terra. Portanto, o uso de nanocristais de celulose não apenas se beneficia da elegância do novo processo, mas também da disponibilidade da matéria-prima.

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