19/03/2019 09h25

MPF pede a condenação de servidor aposentado do Ibama que criava jacarés para abate em Terenos

O ex-servidor, que já foi preso 2011 por crime ambiental, pode ser condenado por improbidade administrativa; fazenda de criação de répteis era referência no Estado, com quase 3500 animais vivos

 
Gisele Berto
Foto: Divulgação Foto: Divulgação

O Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso do Sul apresentou as alegações finais em ação civil pública de improbidade administrativa proposta contra o servidor aposentado Gerson Bueno Zahdi, que trabalhava no Ibama em Campo Grande.

O servidor respondia pelo Núcleo de Fauna e Recursos Pesqueiros da autarquia, setor que realiza controle, vistoria e concessão de autorizações e licenças relativas aos assuntos da fauna. Ao mesmo tempo, mantinha um criadouro de jacarés localizado em Terenos (MS). Segundo a ação do MP, a atividade era "incompatível com a função pública que exercia'.

Gerson chegou a ser preso em flagrante em 2011, junto com esposa e filha, por crimes ambientais relacionados à falta de documentação para abate de jacarés e comercialização de carne e de couro dos animais. Na ocasião, foram apreendidos 206 animais mortos inteiros, 93 cabeças, 22 pacotes contendo carne de jacaré e 84 peles congeladas salgadas. Em dois galpões do criadouro, foram encontrados aproximadamente 3.460 jacarés vivos, de tamanhos diversos, em tanques de alvenaria.

Já na fase de alegações finais do processo, o MPF pede a condenação de Gerson por atos de improbidade administrativa e sustenta que o réu, servidor público federal sabedor das vedações do cargo que ocupava, administrou e explorou comercialmente, de forma ativa e clandestina, atividade empresarial sem a devida autorização até ser preso em flagrante por infringir leis ambientais. "Frise-se que se trata de pessoa informada, com formação superior, conhecedora das leis administrativas e, principalmente, das leis ambientais. Agiu com dolo, plenamente consciente de seus atos e suas possíveis consequências".

A DEFESA

O funcionário do Ibama era dono do criadouro, o único com autorização oficial no Estado, há mais de 15 anos. À época, o Ibama disse que a atividade de criação de jacarés em confinamento estava legal, mas Zadhi não tinha autorização nem para transportar nem para manter carne do animal estocada.

Em 2011, quando foi liberado da cadeia, Zahdi deu entrevista ao jornal Campo Grande News e se mostrou "envergonhado e deprimido" pelo que ocorreu. Considerado referência no Brasil e fora do País na criação de jacarés do Pantanal, ele disse que faz tudo de acordo com as regras e que a falta de uma das licenças foi um "lapso".

O processo que responde agora, entretanto, não é por crime ambiental, mas por improbidade administrativa.

Envie seu Comentário