08/12/2018 14h40

Vilã de Joana Fomm em 'Tieta' inspirou papel de Elizabeth Savala em 'O Sétimo Guardião'

Assim como Perpétua, Mirtes está sempre vestida de preto, é líder das beatas, rancorosa e adora provocar intrigas e confusões na família. Todos os ingredientes para ser amada e odiada pelos telespectadores.

 
KARINA MATIAS / FOLHAPRESS
Mirtes (Elizabeth Savalla) em O Sétimo Guardião (Reprodução/TV Globo).
Mirtes (Elizabeth Savalla) em O Sétimo Guardião (Reprodução/TV Globo).

Falsa cristã que se diz defensora da família e dos bons costumes, mas é hipócrita e, no fundo do armário, guarda um grande segredo. Quem não se lembra de Perpétua, sucesso da novela "Tieta" (1989-1990, Globo)?

O papel da atriz Joana Fomm, 79, entrou para a história como uma das grandes vilãs da teledramaturgia brasileira. Agora, a atriz Elizabeth Savala, 64, interpreta um tipo bem semelhante. Ela é Mirtes, personagem que está roubando a cena em "O Sétimo Guardião", novela das 21h da Globo, de autoria de Aguinaldo Silva -um dos responsáveis também pela adaptação para a TV do romance "Tieta do Agreste", do escritor Jorge Amado (1912-2001).

O autor é especialista em vilãs. É dele outras figuras malvadas bem conhecidas do público, como Maria Altiva (Eva Wilma), de "A Indomada" (Globo, 1997), e Nazaré Tedesco (Renata Sorrah), de "Senhora do Destino" (Globo, 2004-2005).

Assim como Perpétua, Mirtes está sempre vestida de preto, é líder das beatas, rancorosa e adora provocar intrigas e confusões na família. Todos os ingredientes para ser amada e odiada pelos telespectadores.

Será difícil, no entanto, superar a personagem de Joana Fomm, que tinha uma particularidade deliciosa: apesar de todas as maldades, a sua Perpétua era muito engraçada.

Como não chorar de rir quando ela flagra o filho Ricardo (Cássio Gabus Mendes) na cama com Tieta (Betty Faria) e finge ficar cega? Adicionar humor ao papel foi uma decisão da atriz, que enfrentou certa resistência na época.

"Todos queriam que eu fizesse a Perpétua séria, para dentro, infeliz, mas eu não via isso no texto", revela.

A saída encontrada por ela foi adotar uma linguagem circense, seguindo o exemplo do ator Paulo Gracindo (1911-1995). "Eu achava fantástico e muito difícil, mas resolvi arriscar."

Apesar do temor da direção da novela, a tática funcionou. "Em certo ponto, o [diretor] Paulo Ubiratan [1947-1998], que era um dos que defendiam a personagem séria, disse: 'Deixa ela fazer o que quiser, porque ela está carregando a novela. Aí eu fiz", diz.

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