19/11/2018 16h20

Média da cidade é seis vezes maior que a média do Estado

Gisele Berto

Os casos de notificação de dengue em Três Lagoas passaram de mil para cada 100 mil habitantes neste ano. Os dados são do boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde.

De acordo com o documento, Três Lagoas registra 1.156 notificações da doença, o que corresponde a 1.054 casos para cada 100 mil habitantes. Desse total, 289 foram confirmados como positivos e 760 já descartados como negativos. Os restantes sete dos casos notificados como suspeitos ainda aguardam resultado de exames laboratoriais.

A Secretaria considera regiões de “alta incidência” todas as cidades que têm mais de 300 casos para cada 100 mil habitantes.

Três Lagoas é, hoje, a cidade com a maior incidência da doença no estado. A média de MS é de 175 casos para cada 100 mil habitantes, o que significa que o índice da cidade é seis vezes maior que a média estadual.

Outras cidades que fazem parte da área de alta incidência são Costa Rica, Coronel Sapucaia, Selvíria, Chapadão do Sul, Rio Verde de Mato Grosso, Antônio João, Jardim e Iguatemi. A única cidade que registra mais notificações que Três Lagoas é Campo Grande, com 1.573 casos notificados. Entretanto, como possui mais de 830 mil habitantes, a Capital mantém uma média de 189 casos para cada 100 mil habitantes e se classifica como “média incidência”.

ENFRENTAMENTO

Na mais recente reunião mensal do Comitê Técnico da Dengue, constituído por coordenadores dos variados Setores da Diretoria de Vigilância em Saúde e Saneamento da SMS de Três Lagoas, ocorrida no dia 25 de outubro, o coordenador do Setor de Endemias e Controle de Vetores e também presidente do Comitê, Alcides Divino Ferreira, alertava quanto ao perigo do surgimento de aumento de casos de dengue.

Ao avaliar dados de Boletins Epidemiológicos anteriores, Alcides comentou: “Tivemos resultados positivos na redução do número de notificações de casos suspeitos de dengue, nas últimas semanas de outubro. Por outro lado, estamos cientes do aumento dos índices de infestação do Aedes aegypti, que vem ocorrendo em Três Lagoas”.

Ao mostrar esses índices de infestação, o presidente do Comitê da Dengue deu como exemplo a captura de 26 fêmeas do mosquito Aedes em apenas uma das armadilhas do Sistema MI – Aedes (Monitoramento Inteligente), instalada em uma região do Bairro Vila Alegre.

“Temos também a suspeita do aumento considerável de focos de vetores em imóveis, propriedades, casas desabitadas, com placas de aluga-se ou vende-se. Infelizmente, nem sempre temos a colaboração das imobiliárias e dos proprietários desses imóveis”, relatou Alcides.

Na mesma reunião, o presidente do Comitê também alertou quanto ao alto índice de infestação do Aedes aegypti na região central urbana de Três Lagoas.

“Há tempos, nos preocupa a constatação dos elevados índices de infestação dos vetores (mosquitos) na área central do comércio de Três Lagoas. Precisamos discutir ações de enfrentamento a essa realidade, com a participação dos comerciantes e de toda a população”, anunciou o presidente do Comitê.

Carro do fumacê. Fotos: Ilustração/Vigilância em Saúde e Saneamento

Boletim Epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde mostra Três Lagoas como a cidade do Estado com a maior incidência de notificações de dengue. Em vermelho, outras cidades com alto índice de incidência e, em amarelo, média incidência. Reprodução

Comentários